Televisão

A série de comédia que fez história nos Emmy — e que já devia estar a ver

É bem provável que “Schitt's Creek” tenha passado indetetada no seu radar. Respondemos a todas as perguntas que tem sobre o fenómeno.
É a série do momento

“Um nome horrível, uma sitcom fantástica”, anunciava em maio o crítico do jornal britânico “The Guardian”. Quatro meses depois, a série de comédia arrasava nos Emmy, os prémios norte-americanos que elegem o que de melhor se fez na televisão no último ano. A vitória esperada de um nome menos conhecido do público foi o gatilho para que o mundo abrisse os olhos para “Schitt’s Creek” — por uma segunda vez, mas já lá vamos.

Primeiro, o nome. Se a crítica é unânime no que toca à história e a interpretação, é menos elogiosa quando se fala do nome escolhido pelos Levy, pai e filho que criaram e encarnam papéis de protagonistas. É que a expressão “shit’s creek” (riacho de merda, em tradução livre) é habitualmente usada para se referir a alguém que está em apuros ou numa situação complicada.

Neste caso, é o nome da pequena cidade rural norte-americana onde tudo acontece. Não foi fácil aprovar o nome ao canal canadiano que agarrou na série.

Os criadores começaram por procurar se o nome Schitt realmente existia. Encontraram-no nas páginas amarelas e confirmaram que era possível amenizar o trocadilho do nome. Só faltava o sim da CBC. “Questionamos o canal se não faria uma peça noticiosa sobre alguém com o nome Schitt. Disseram que sim, por isso avançamos com o nome ‘Schitt’s Creek’.”, explicou Daniel Levy.

Sobre a verdadeira origem do nome, Eugene Levy remete para um jantar em família. “A minha mulher lançou a ideia de uma série sobre baby boomers que ficaram sem dinheiro e que são obrigados a ir viver com os filhos. Descreveu a situação como estar ‘num riacho de merda’. Fez-nos rir.”

Seja qual for a inspiração, a verdade é que o nome ficou, a série pegou (lentamente, é certo) e hoje é um fenómeno absoluto. Ainda assim, mesmo com a vitória recorde nos Emmy, continua a ser uma verdadeira incógnita para a maioria das pessoas. Respondemos a todas as perguntas que tem sobre a série do momento.

Porque é que meio mundo está agora obcecado com “Schitt’s Creek”?

É a pergunta do milhão de euros e talvez a mais fácil de esclarecer. À sexta temporada — a derradeira —, “Schitt’s Creek” avançou finalmente confiante para a cerimónia dos Emmy, que teve lugar nos Estados Unidos neste domingo, 20 de setembro. O esforço recompensou a sitcom que foi lançada em 2015 com uma vitória arrasadora em todas as categorias de comédia.

Além de conquistar o prémio para melhor comédia, melhor ator e atriz principal, bem como melhor ator e atriz secundária, ainda roubou as distinções para melhor casting e melhor guarda-roupa. Contas feitas: nove Emmy numa só gala, o que bate todos os recordes para séries de comédia. Toma lá, “Frasier” e “Uma Família Muito Moderna”.

Isto cheira a esturro. Então estreou em 2015 e só agora é que se fala nisto?

É muito provável que já tenha visto (e adorado) “Breaking Bad”. A verdade é que foram poucos os que acompanharam em tempo real a série épica de Vince Gilligan com Bryan Cranston no papel principal.

O sucesso mundial daquela que é, indiscutivelmente, uma das melhores produções televisivas de todos os tempos, chegou de forma lenta e com a ajuda das plataformas de streaming. Tal como “Breaking Bad” sentiu um impulso nos ratings quando chegou à Netflix em 2011. O mesmo aconteceu com “Schitt’s Creek” e a chegada à plataforma em 2017, dois anos depois da estreia. Mesmo assim, manteve-se apenas no catálogo norte-americano.
O próprio nascimento da série ajuda a explicar o seu crescimento lento. Quando foi criada, Eugene e Daniel Levy correram os Estados Unidos à procura de um canal que aceitasse pegar na história. Pelo caminho, lançaram propostas a canais canadianos.

Apesar de alguns acenos positivos, gigantes como a HBO e a Showtime nem sequer se dignaram a dar resposta. Acabaram por convencer e assinar acordo com a Canadian Broadcasting Corp, um canal canadiano de nível nacional. Nos Estados Unidos, foram para o ar na grelha de programação de um pouco conhecido canal de cabo, o Pop TV.

Não se tornou num sucesso de um dia para o outro, mas os indicadores foram sempre positivos. Eugene Levy, mais conhecido como o pai da personagem principal de “American Pie”, revelou que foi graças à sua fama que foi percebendo a evolução da série — quando na rua deixaram de fazer referências ao velhinho filme juvenil, trocadas por elogios a “Schitt’s Creek”.

Apesar de alguns prémios ganhos nos Canadian Screen Awards, o reconhecimento no país vizinho ainda era residual. Em 2016, a segunda temporada provocou um aumento de 26 por cento nas visualizações. Eis que chega o efeito Netflix.

O acordo para a entrada na plataforma de streming chega em 2017. O impacto sentiu-se de imediato no share do canal Pop TV, com um aumento de 28 por cento nos ratings da gerceira temporada e mais 11 por cento na quarta.

Apesar da Netflix nunca revelar estatísticas próprias, uma fonte da empresa revelou à “Vulture” que “Schitt’s Creek” era um enorme fenómeno. “Temos observado um enorme volume de conversas sociais nos canais da Netflix sobre a série. E temos descoberto que a maioria das pessoas que interagem com os nossos conteúdos sociais estão a descobri-la pela primeira vez na Netflix”, revelou.

Está bem, mas é sobre o quê?

Imagine uma família rica e poderosa que, subitamente, se vê na falência e é forçada a mudar-se para um pequeno motel numa vila rural no meio do nada. O nome da vila? Schitt’s Creek.

É precisamente isso que acontece à família liderada por Johnny Rose (Eugene Levy) um magnata de lojas de aluguer de vídeo, que tem ao seu lado está Moira Rose (Catherine O’Hara), a mulher e antiga atriz de telenovelas. Os filhos completam o elenco: David (Daniel Levy), o privilegiado filho pansexual, e Alexis (Annie Murphy).

Vítimas de fraude, os Rose são então forçados a tirar partido do único património que lhes sobrou — a pequena vila que haviam oferecido a David, apenas como uma piada que, afinal, se revelou útil.

A série tira partido da comicidade da situação, uma espécie de Keep Up With The Kardashians em modo invertido. E as expressões faciais exageradas dos atores deram a “Schitt’s Creek” outro trunfo: a vitória suprema na batalha dos memes nas redes sociais.

E o elenco, conheço alguém?

É inevitável falar de Eugene Levy, o famoso Pai do Jim, no êxito de 1999 “American Pie”. Além de um talentoso ator com as sobrancelhas mais farfalhudas e expressivas da indústria, é também argumentista e produtor. Criou a série em conjunto com o filho, Dan Levy, ator e argumentista de 37 anos. A irmã, Sarah Levy, também tem direito a um papel como Twyla Sands, uma empregada de café.

O elenco de protagonistas compõe-se com outra cara conhecida. Lembra-se da mãe de Kevin em “Sozinho em Casa”? Pronto, Moira Rose é Catherine O’Hara, velha conhecida de Eugene e nome principal na lista de escolhas para a personagem.

Para intepretar a irmã socialite, Alexis Rose, foi escolhida uma atriz canadiana praticamente desconhecida, Annie Murphy — que mostrou o porquê de estar no elenco ao conquistar o prémio para melhor atriz secundária em série de comédia.

Ok, convenceram-me. Onde é que posso ver a série?

Infelizmente, ainda não é transmitida em qualquer canal nacional. Nem as plataformas de streaming a têm disponível no catálogo, embora faça parte da lista de séries disponíveis pela Netflix nos Estados Unidos — não há também qualquer confirmação ou data de uma eventual disponibilização para os clientes portugueses.

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