Televisão

Spike Lee sugere que atentados do 11 de setembro podem não ter sido ataque terrorista

A sua nova série documental tem entrevistas com um grupo que defende esta teoria — e o cineasta defendeu a sua visão numa entrevista.
Os atentados do 11 de setembro são um dos temas abordados.

Esta segunda-feira, 23 de agosto, estreou a série documental de quatro episódios “NYC EPICENTERS 9/11➔2021½”. Em Portugal está disponível na plataforma de streaming da HBO — todas as semanas vai chegar um novo capítulo.

Spike Lee fez mais de 200 entrevistas para este documentário, em que relata diversos momentos difíceis da Nova Iorque do século XXI. Um destes momentos são os atentados do 11 de setembro de 2001, claro, mas Lee também aborda a pandemia da Covid-19, o movimento Black Lives Matter, a presidência de Donald Trump, a invasão do Capitólio e o seu próprio cinema (onde tem retratado, tantas vezes, esta cidade).

Uma das entrevistas que Lee fez foi com um grupo chamado Arquitetos e Engenheiros pela verdade do 11 de setembro. Este grupo defende que os atentados foram cometidos com o envolvimento do governo — que se tratou de um incidente interno e não de um atentado nos moldes em que foi oficialmente explicado pelas autoridades.

Segundo a revista “Variety”, que teve acesso prévio aos episódios, o cineasta claramente concorda com alguns dos pontos de vista expressos por este grupo. Numa entrevista sobre este projeto ao “The New York Times”, Spike Lee assumiu que questiona a narrativa oficial em torno dos atentados.

“Eu tenho questões. E espero que o legado deste documentário seja que o Congresso faça uma audiência sobre o 11 de setembro. A quantidade de calor que é necessária para derreter o aço, essa temperatura não foi atingida… E depois a justaposição da forma como o edifício 7 caiu — quando a colocas lado a lado com outros derrubes de edifícios que foram demolições controladas, é como se estivesses a olhar para a mesma coisa”, disse o realizador.

Este argumento, partilhado há muitos anos nas teorias de conspiração do 11 de setembro e até incluído em diversos documentários, foi rejeitado por alguns especialistas ao longo do tempo, diz a “Forbes”. Teoricamente, o aço não precisa de derreter para ficar frágil o suficiente para se partir (além dos danos causados diretamente pelo impacto dos aviões).

“Mas as pessoas vão decidir por si próprias”, acrescentou. “A minha abordagem foi incluir informação e deixar que as pessoas decidam por si próprias. Respeito a inteligência do público.”

O “The New York Times” questionou ainda a escolha de Spike Lee em entrevistar este grupo de teóricos da conspiração — mas recusar dar espaço a teorias da conspiração sobre a pandemia da Covid-19, outro dos temas abordados na série.

“As pessoas vão pensar o que quiserem, seja qual for o caso. Não estou a fugir à pergunta. Já me chamaram racista, anti-semita, misógino. Cada um pensa o que pensa. E sabes que mais? Eu ainda cá estou, ao fim de 40 anos, a fazer filmes”, disse o realizador, antecipando as críticas que lhe poderão ser feitas (e que já estão a ser feitas nas redes sociais).

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