Televisão

Stalker que inspirou a série “Baby Reindeer” diz que é a verdadeira vítima

A mulher afirma que nada do que Gadd conta é verdade. “A história dele é que é uma enorme violação da minha privacidade.”
A stalker real desmentiu toda a história da série estreada este ano.

As pesquisas no Google por “Martha Baby Reeinder”, no Reino Unido, bateram um recorde histórico a 21 de abril. Ainda só tinham passado 10 dias desde a estreia do novo fenómeno da Netflix, “Baby Reindeer”, e os espetadores já estavam fascinados com a história chocante e verídica de Richard Gadd, um comediante que começa a ser perseguido por uma mulher mais velha chamada Martha.

Assim que saíram os primeiros episódios, a minissérie chegou ao top das produções mais vistas no catálogo do serviço de streaming. E, apesar de todos os esforços para proteger o anonimato, os “detetives da Internet” não conseguiram evitar embarcar numa investigação para tentar descobrir a verdadeira identidade da personagem retratada na série.

Agora, após o sucesso da primeira temporada, a verdadeira perseguidora confessou, em entrevista ao “Daily Record”, que tem recebido várias ameaças de morte e sublinha ainda que aquilo que o humorista retrata não é verdade. “A vítima aqui sou eu, não ele”, acrescentou a mulher, que não foi identificada pela publicação britânica.

“Estive com ele algumas vezes”, contou, defendendo que nunca fez stalking a Gadd. “A história dele é que é uma enorme violação da minha privacidade. Não o vejo há 12 anos.”

Por fim, ainda criticou a escolha da atriz interpretada para interpretar Martha, Jessica Cunning. Segundo ela, não há quaisquer parecenças físicas entre as duas.

A produção nasceu do trauma do ator, vítima ele próprio de uma perseguição de uma fã obcecada. Adormecia com as mensagens de voz da stalker na cabeça e com as mensagens a passarem-lhe à frente dos olhos. “Com o passar do tempo, percebi que ela era uma pessoa muito vulnerável que precisava de ajuda. Era essa a verdade que eu queria trazer para o ecrã”, disse o ator de 34 anos à revista “Hello”.

Richard começou a ser perseguido por Martha (um nome falso) após lhe ter oferecido uma chávena de chá num bar em que trabalhava. Este rápido encontro deu início a uma obsessão doentia. Ao longo de cinco anos, o ator recebeu 40 mil emails, 350 horas de voicemails e 100 páginas de cartas.

Antes de ser uma longa-metragem, “Baby Reindeer” era uma peça de teatro também encabeçada por Gadd, que se inspirou na sua própria história. O objetivo era representar este crime de uma forma diferente, sobretudo pelo impacto que nele têm as doenças mentais.

“O stalking na televisão tende a ser muito sexual e é sempre muito místico. É alguém num beco escuro, alguém muito sexy, mas que depois fica estranho aos poucos”, contou. “Mas perseguir alguém é fruto de uma doença mental. Eu queria mostrar todas estas camadas que nunca tinha visto na televisão.”

Apesar do trauma que sofreu, Gadd nunca revelou o nome verdadeiro da rapariga e mudou de propósito detalhes importantes sobre ela para o projeto de Netflix. “Fizemos tanto esforço para disfarçá-la que acho que nem ela se reconheceria”, contou à “GQ”. 

O ator também disse à “Variety” que queria manter certas informações sobre Martha anónimas e admite que a personagem da série e a stalker da vida real são pessoas bastante diferentes. “O que eu precisava de ver era a essência da pessoa, o tipo de energia. Precisava de alguém que estivesse vulnerável num momento, irritada no seguinte, volátil, mas tão desesperado e solidário”, explicou.

Carregue na galeria e conheça outras novidades de abril. Leia também o artigo sobre a série que está em número um no top da Netflix.

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