Televisão

“Succession” está de volta para provar que é uma das melhores séries do seu tempo

O primeiro episódio já está disponível na HBO Portugal. O clã Roy está em guerra aberta entre o patriarca e um dos filhos.
Brian Cox interpreta Logan Roy.
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A segunda temporada de “Succession” terminou com uma reviravolta brutal. Depois de dez episódios a lidar com vários problemas o, aparentemente, submisso ao pai, Kendall Roy convocou uma conferência de imprensa. Foi aí que revelou que o patriarca — Logan Ray — e a direção da Waystar tinham encoberto crimes sexuais ocorridos na linha de cruzeiros da família.

Dois anos depois desse episódio, a série que retrata a saga do clã Roy, está de volta para uma terceira temporada. Estreou na HBO Portugal esta segunda-feira, 18 de outubro, e todas as semanas vai estrear um novo capítulo — no total são nove. 

A história recomeça, claro, exatamente onde tinha sido interrompida. Depois daquele choque inesperado, os Roy estão em guerra aberta. Enquanto Kendall tenta reunir uma equipa de especialistas à sua volta — advogados, relações públicas e outros engravatados que não sabemos muito bem o que fazem na empresa —, o pai Logan tenta assimilar a informação e pondera como reagir.

Tirando o primo Greg, todos os outros estão, à partida, com Logan. O patriarca da família e CEO da Waystar tem consigo os executivos Gerri, Karl e Frank; o genro Tom; e os outros filhos — Shiv, Roman e Connor.

Apesar de não ir para novo, Logan nunca pareceu tão vivo como agora. Enquanto considera as suas opções, envia Shiv, Roman e Gerri de volta para Nova Iorque. Tom, Karl e Frank ficam consigo na Europa, já que Logan prefere jogar pelo seguro e manter-se num país sem acordo de extradição com os EUA. Por isso mesmo viaja para Sarajevo, a capital da Bósnia, onde ficam hospedados num hotel junto do aeroporto.

Ambos os lados da disputa precisam de cair nas boas graças da opinião pública, da comunicação social e de ter os políticos do seu lado. Kendall consegue angariar como aliada a ambiciosa e feminista advogada Lisa Arthur. A sua ideia é apresentar-se como o denunciante corajoso que está do lado certo da história. Mas Logan sabe que tudo não passa de uma jogada pelo poder. O patriarca acaba por aceitar abandonar a posição de CEO na empresa para manter a boa imagem do grupo. No entanto, esse afastamento não passa uma formalidade. Logan Roy não está disposto a abdicar do poder, só quer uma pessoa diferente como rosto da Waystar.

Cedo percebemos que os grupos adversários nesta guerra não são estanques nem isolados. Há interações de ambos os lados da barricada e pessoas que podem trocar de posição a todo o momento, até por causa dos conflitos internos dentro de cada uma das fações. 

Como habitualmente, o mais divertido em “Succession” são os estratagemas calculistas que todos arranjam para tentar tomar o poder; as alianças que parecem sólidas e que segundo seguinte valem zero; e a bolha bilionária em que vivem — um mundo a anos luz de distância das pessoas comuns. 

A julgar pelo primeiro episódio da terceira temporada, “Succession” mantém-se como uma das melhores (e mais consistentes) séries de televisão dos últimos anos. É original, extraordinariamente bem escrita e interpretada, com momentos dramáticos, tensão e um delicioso humor subtil. Muitos fãs poderão queixar-se do ritmo semanal imposto pela HBO, mas há que olhar pelo lado positivo: esta é uma série que vai crescer nos espectadores a cada episódio. E, no final, isso permite que cada um dos episódios seja saboreado como merece,  ao invés de serem consumidos à velocidade de um menu de fast food.

Se estiver à procura de outras séries (ou temporadas) novas para ver, carregue na galeria que se segue. 

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