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“The Act”: antes de Gypsy nascer, Dee Dee Blanchard pode ter assassinado a mãe

A série que conta esta história real (mesmo que pareça ficção) pode ser vista na HBO.
Dee Dee Blanchard foi assassinada em 2015.

Se já se deixou contagiar por “The Act”, a série original da Hulu que em Portugal pode ser vista na HBO, certamente está familiarizado com a história tão sinistra quanto verdadeira de Gypsy Blanchard e da mãe, Dee Dee.

Gypsy foi criada como se tivesse inúmeros problemas de saúde — desde leucemia a atrofias musculares, passando por distúrbios mentais e epilepsia. Só comia a partir de um tubo e andava de cadeira de rodas. Foi submetida a várias operações e a diversos tratamentos médicos.

Por causa disso, a família recebeu imensas doações de associações de caridade e de pessoas que simplesmente queriam ajudar. Só que ao longo dos anos Gypsy foi-se apercebendo de que a realidade não era bem assim. Ela conseguia andar bem, sem precisar de ajuda, e também podia comer de forma normal. Acabou por perceber que não tinha qualquer problema. Tinha sido completamente manipulada pela mãe — desde sempre. Só que a amava demasiado para poder denunciá-la ou sequer confrontá-la.

Nas poucas horas que tinha livres durante o dia — a mãe estava sempre junto a ela — começou a aceder à Internet. Foi num site de encontros cristãos que conheceu Nick Godejohn. Falaram durante três anos e criaram uma espécie de relação à distância. Discutiram sobre como é que poderiam libertar Gypsy daquela vida terrível. A rapariga já tinha feito algumas tentativas, mas a mãe tinha talento para explicar aos vizinhos ou desconhecidos como a sua filha sofria de problemas mentais e de como estava instável quando pedia ajuda. Gypsy e Nick acabaram por assassinar Dee Dee.

A verdade sobre Gypsy ser uma pessoa saudável só foi conhecida depois. Ambos foram condenados pelo homicídio — Gypsy a dez anos de cadeia, por ser cúmplice do crime (vai poder ser libertada em 2023, quando tiver 32 anos), e Nick por ter esfaqueado Dee Dee até à morte.

Pensa-se que Dee Dee Blanchard teria um síndrome chamado Munchausen by Proxy, uma condição psicológica que faz com que alguém finja que está doente — ou que outra pessoa próxima está — de forma a ter atenção e cuidados. Se bem que Dee Dee também procurava doações e benefícios financeiros. Claro que tudo isso pode levar a situações extremas, como esta.

A vida sinistra de Dee Dee Blanchard antes de Gypsy

O seu nome verdadeiro era Clauddine Blanchard (nasceu Clauddine Pitre, Blanchard era o apelido do marido e pai de Gypsy, Rod) e teve vários nomes ao longo dos anos. Ora se apresentava como DeDe ou como Claudine ou Deno, entre outros. Apesar de todas as mentiras que contou, ela era realmente do estado americano do Louisiana. Cresceu numa cidade chamada Golden Meadow e tinha cinco irmãos e irmãs.

Dee Dee nunca teve uma relação muito boa com a família, apesar de não haver um motivo em concreto que o explique. No documentário da HBO “Mommy Dead and Dearest” (2017), que conta toda a história, vários membros da família Pitre são entrevistados.

“Ela era OK”, diz o pai, Claude Pitre. Um dos sobrinhos de Dee Dee, Bobby Pitre, diz que na infância era “uma rapariga bizarra” e sugere que ela talvez sofresse de um distúrbio de personalidade múltipla ou de bipolaridade.

A família diz que, quando estava zangada, Dee Dee roubava coisas às pessoas como forma de vingança. Enquanto recorda a relação que teve com ela, Rod Blanchard garante que Dee Dee “estava envolvida em coisas estranhas” e que tinha uma tarântula como animal de estimação. “Ela estava ligada a coisas de feitiçaria”, diz o pai de Gypsy.

Ela também é acusada pela família de cometer crimes de fraude de cartões de crédito e de passar cheques careca. São os tais “pequenos delitos” de que Dee Dee Blanchard fala em “The Act”, onde é interpretada por Patricia Arquette (leia o artigo da NiT sobre como a atriz se preparou para o papel).

A questão é que as histórias não se ficam por estes crimes menores. A madrasta de Dee Dee, Laura, diz no documentário que ela a envenenou ao colocar herbicida na sua comida. Laura não morreu, mas ficou acamada durante nove meses depois do incidente.

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