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“The Voice Kids”: Portugal parou com o dueto emocionante de Carolina ao lado do pai

A jovem de 14 anos conquistou o júri com "Creep", dos Radiohead. “Ele transmitiu-me segurança e tornou-se um momento só nosso.”
O gosto pela música surgiu com o pai.

O ritual começou nos passeios até à praia. Carolina Mota recorda-se de ter quatro anos e subir às cavalitas do pai, sempre acompanhado pela guitarra, para cantarem juntos. Apesar da idade, começou a decorar as letras de temas como “Cinderela”, de Carlos Paião, e a acompanhar as notas tocadas pela sua maior referência musical. O cenário repetia-se, ano após ano, e a paixão continuou.

Volvida uma década, a jovem de 14 anos é uma das participantes da nova edição do “The Voice Kids”. Este domingo, 28 de abril, a artista natural de Aveiro atuou ao vivo no programa da RTP para apresentar a sua versão de “Creep”, dos Radiohead, que lhe foi apresentado pelo progenitor, Pedro Mota. Não demorou muito até surpreender os jurados.

 “Grande pita, meu. Nossa!”, começou por exclamar Carlão, à medida que a concorrente se aproximava do refrão. Os comentários do mentor são agora ecoados pelo público nas redes sociais, onde a prova cega — descrita, por muitos espectadores, como uma das mais memoráveis — já soma inúmeras partilhas e dezenas de milhares de visualizações.

No final, Carolina voltou a emocionar toda a gente — mas não o fez sozinha. O pai foi chamado ao palco e, apesar da hesitação, juntou-se à filha para um dueto inesperado. A dupla decidiu agarrar no mesmo tema e mostrou a cumplicidade de quem está habituada a cantar em uníssono.

“Já o tinha avisado que o podiam chamar porque sabiam que também cantava. Ele dizia que não queria, mas fiquei muito feliz quando a Bárbara [Tinoco] o chamou. Foi um momento bonito”, conta Carolina à NiT. “Acho que fiquei ainda mais descontraída, porque ele me transmitiu segurança e tornou-se um momento apenas nosso.”

A ideia de participar no programa surgiu num jantar de família. A jovem lembra-se de mostrar um vídeo a cantar esta mesma canção à prima que não escondeu o espanto. “Gostou tanto que mostrou aos meus tios e aos meus pais. Incentivou-me a concorrer e disse que ia ganhar”, recorda.

 

Quando a oportunidade surgiu, passado um ano, não tinha dúvidas sobre o tema que queria levar para a RTP. Além da associação ao pai, queria que fosse uma canção conhecida para cativar o público e os mentores. Porém, para se diferenciar das versões que germinam nestes programas de talentos na televisão, optou por levar uma versão acústica que criou este momento intimista.

“Na altura, discuti com o meu pai sobre isto. Ele disse que era melhor optar pelo original, mas eu não concordei. Achei que, para adolescentes da nossa idade, era mais fácil marcar a diferença desta forma”, acrescenta a concorrente.

Foi com a mesma assertividade que se apresentou aos jurados. “Nunca me tinha acontecido, mas senti-me muito à vontade. Costumo ficar demasiado nervosa”. O ambiente caloroso da equipa, assim como a vontade de viver uma experiência inédita, fizeram com que Carolina conseguisse afastar todas as inseguranças e concentrar-se na interpretação.

A verdade é que só aos 12 anos, quando recebeu uma guitarra, é que começou a levar este talento mais a sério e a cultivá-lo. Até então, era um passatempo no qual ainda não reconhecia uma potencial carreira. Já cantava em saraus ou eventos, a convite da escola, mas vê no “The Voice Kids” a oportunidade para gravar o seu nome do mundo da música.

Entre as suas principais referências, estão os cantores que cresceu a ouvir com o pai, dos anos 80 e 90. Os Radiohead são um desses exemplos, claro, mas o seu repertório inclui também muitos grupos e personalidades que marcaram o pop e o rock nacionais, desde GNR a Táxi, passando por Variações.

Carolina, que escolheu Cuca Roseta como mentora, quer continuar a trazer as influências do pai para o programa. “Gosto muito do acústico e posso ir por aí, mas nas provas quero dar sempre o melhor de mim em qualquer estilo”, conclui. “Espero crescer, escrever canções e dar-me a conhecer ao máximo.”

A atuação completa de Carolina com o pai está disponível no site da RTP.

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