Televisão

Todas as séries e filmes portugueses que a RTP vai estrear nos próximos tempos

A estação pública continua a ser a maior responsável por criar ficção televisiva em Portugal, se não tivermos em conta as novelas.
"A Rainha e a Bastarda" é uma das séries na lista.

A indústria global do cinema e da televisão alterou-se profundamente nos últimos anos, com a ascensão das plataformas de streaming. Isso levou a que as séries — outrora frequentemente consideradas como produtos menores de ficção — se tornassem conteúdos de excelência junto dos espectadores, da crítica e dos profissionais do setor. Vários hábitos de consumo alteraram-se também: o binge-watching cresceu, a prática de ver televisão em direto diminuiu, a democratização dos projetos não anglo-saxónicos é evidente.

Em Portugal, a RTP é quem tem feito, ao longo dos últimos anos, o maior de trabalho de produção de séries — sejam produções originais próprias, co-produções com entidades internacionais, ficções históricas, adaptações literárias ou versões televisivas de filmes portugueses. Ainda que seja importante notar que o lançamento da Opto, a plataforma de streaming da SIC, tenha contribuído significativamente para aumentar o ritmo de séries e telefilmes em Portugal.

“A nossa estratégia é manter o ritmo em relação ao número de produções. Neste momento estamos a trabalhar em 12 ou 14 ou 15 projetos por ano, sobretudo séries mas também telefilmes e apoio ao financiamento de longas-metragens, e na área dos documentários também temos um trabalho muito consistente e que vai continuar”, garante à NiT o diretor de programas da RTP, José Fragoso.

“Eu diria que em termos de número de projetos estamos num número maduro, acho que já é um número fantástico. Agora, nós queremos ganhar escala noutras áreas com essas séries. Queremos que elas consigam circular mais fora de Portugal. E queremos que aqui tenham resultados de audiências que sejam relevantes, quer nos canais lineares quer no streaming.”

José Fragoso estabelece a meta de um milhão de espectadores nacionais por episódio — o que é um número bastante alto tendo em conta a população do nosso País. “Neste momento temos séries que fazem 600 ou 650 mil ou 500 mil no linear, depois fazem mais 60, 70 ou 80 mil no streaming, na RTP Play. Quando são repetidas, fazem mais uns 150 ou 200 mil espectadores. Se formos somando o número de espectadores por episódio que uma série faz ao longo da sua carreira, aproximamo-nos sempre de um milhão. O nosso objetivo é que em Portugal essas séries consigam fazer valores dessa ordem, com qualidade, com robustez do ponto de vista ficcional, boas histórias, a participação de elencos de grande qualidade, diversidade de produtores, realizadores e conseguir aquilo que temos feito nos últimos tempos, que as nossas séries sejam depois exibidas em plataformas fora da RTP, sejam elas canais de televisão internacionais — neste momento temos ‘3 Mulheres’ a passar no canal público finlandês — ou nos catálogos das plataformas. É isso que nos interessa: que a produção de ficção com a marca RTP passe para outros universos e vá o mais longe possível.”

As co-produções internacionais têm sido uma das grandes apostas da estação pública portuguesa. “Auga Seca” está a ser feita com a Televisión de Galicia e a HBO; “Operação Maré Negra” é um projeto em parceria com a Amazon Prime Video; “Crimes Submersos” será o primeiro projeto de raiz feito entre a RTP e a TVE (a televisão pública espanhola); e a primeira série portuguesa original da Netflix, “Glória”, também contou com co-produção da RTP.

“Temos projetos em desenvolvimento com a Arte, com o Brasil — seja plataformas ou canais — e temos de fazer esse caminho de envolvimento dos nossos produtores, da RTP nesses projetos internacionais, que dão também condições aos nossos atores de trabalharem em projetos que os expõem. Essa ligação internacional é muito importante hoje em dia, há condições para levar conteúdos ao mundo inteiro e hoje a questão da língua não é relevante. Há uns anos o facto de se falar em português ou em norueguês era limitador, e hoje é muito normal qualquer espectador habituar-se muito rapidamente à questão da língua e o facto de uma série finlandesa, portuguesa, sul-coreana, turca ou argentina… A questão da língua tem pouco peso na decisão do espectador. O que tem peso é ter boas histórias, bem contadas, com equipas, elencos e todos esses elementos importantes quando se está a fazer boa televisão.”

“Cavalos de Corrida” é uma das séries que estão em rodagem neste momento.

José Fragoso realça ainda o facto de Portugal ser um país com uma grande tradição de telenovelas — o que faz com que o papel da RTP a produzir séries ou telefilmes seja ainda mais relevante, para equilibrar o setor e a oferta de ficção nacional.

“O setor audiovisual em Portugal é muito diferente em relação a todos os outros países da Europa. O mercado português produz telenovelas de forma intensiva — isso significa mais de mil horas por ano de produção. Isso é importante para a indústria, gera emprego, um conjunto de oportunidades para profissionais, mas a verdade é que quando saímos de Portugal não encontramos esta paisagem em mais nenhum outro país da Europa. Em Espanha todos os canais produzem permanentemente séries. Em França, Itália, Inglaterra, na Alemanha, vamos sempre encontrar séries. Não vemos alemães nem ingleses ou franceses a produzir telenovelas. Às vezes fazem novelas para a faixa das seis da tarde, mas são de day-time. Mas para prime-time, não passa pela cabeça de nenhum deles fazer isso. E portanto ficamos aqui muito isolados.”

O diretor de programas da RTP acrescenta: “Na verdade, só a RTP é que faz esse trabalho. Esse movimento que é hoje muito importante para o audiovisual europeu, que é conseguir produzir conteúdos relevantes que já se equiparam à produção americana ou latinoamericana. Se tivéssemos três canais de televisão todos a produzir séries, a RTP também faria as suas, como a TVE faz em Espanha, mas em Espanha a Telecine e a Antena 3 também fazem. Portanto, o mercado tem mais dinâmica. Aqui o mercado depende muito da RTP. Um produtor que queira fazer séries depende muito da RTP”.

Além disso, defende, o setor das produtoras independentes necessita da estação pública para existir neste momento. “Há ainda outra agravante. Na produção de novelas, quer a TVI, quer a SIC, têm uma produtora exclusiva. A SIC tem uma produtora, SP, que produz praticamente todas as suas novelas, e a TVI até tem uma empresa dentro do grupo, a Plural. Tirando a Plural e a SP, todas as outras produtoras ficam de fora no acesso à produção de conteúdos para um canal de televisão, mesmo que o conteúdo seja comercial. Por esta razão, é ainda mais importante o papel da RTP, porque é o único canal que de um ponto de vista sistemático todos os anos investe, o que permite aos produtores ter uma ambição e poderem concretizar as ideias e os projetos que têm. De outra maneira isso não aconteceria. Por outro lado, a questão da internacionalização é importante. Nós sabemos que estes projetos, quando têm qualidade, têm uma situação internacional sempre mais ou menos assegurada. Há dezenas ou centenas de plataformas de streaming que vão passando… Até é difícil nós comunicarmos isso, porque vendemos a uma plataforma na Argentina, vendemos a uma num país asiático, vendemos para os países de leste, e sabemos que aqueles episódios estão a ser vistos fora de Portugal, o que também é importante para aquilo que se poderia chamar a nossa indústria audiovisual.”

José Fragoso salienta também a importância de se fazer ficção histórica em Portugal. “Se não fosse a RTP, não havia ficção histórica em Portugal. Isto é importante de perceber. Não há um projeto de ficção histórica em Portugal fora da RTP. Pode haver no cinema, mas na televisão esse tipo de produção não existe. Estamos a fazer televisão para os dias de hoje, mas estamos também a criar património audiovisual para o futuro. Porque estes conteúdos ficam, resistem ao tempo e depois podem ser ainda vistos, analisados e vão servir para perceber o tempo em que vivemos hoje, quando alguém estiver a fazer a história destes tempos daqui a 50 ou 100 anos.”

O diretor de programas da RTP adianta ainda que o objetivo passa por continuar a apoiar longas-metragens e a estrear versões televisivas de filmes portugueses. Em outubro, deve chegar à televisão a versão série de “Bem Bom”, o filme biográfico das Doce.

“O ‘Terra Nova’ é muito interessante nesse ponto de vista. O filme foca-se apenas na saída dos homens para o mar e a série foca-se muito nas mulheres que ficam e que veem os homens a partir para o mar. É uma maneira de, com as mesmas equipas, aproveitando os momentos de rodagem, acrescentar valor aos projetos.”

A NiT fez uma lista das séries e filmes que a RTP vai estrear nos próximos tempos — com os respetivos elencos, sinopses e autores. Carregue na galeria para conhecer todos estes projetos que aí vêm.

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