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Tomás Santos: a história do moranguito que se tornou traficante de droga

Numa entrevista, o ator falou sobre a pena de 11 anos de prisão que está a cumprir e de como isso mudou a sua vida.
Tem 34 anos.

Tomás Santos tornou-se famoso graças a David Peixoto, personagem da quarta temporada de “Morangos com Açúcar”, uma das mais populares da série juvenil da TVI, que esteve no ar em 2007. Depois de participar na produção, o ator acabaria por se envolver no tráfico de droga, o que o levou a ser condenado a uma pena de 11 anos e seis meses de prisão — já cumpriu mais de metade. Na última saída precária a que teve direito, Tomás deu uma entrevista a Júlia Pinheiro, transmitida no programa “Júlia” (SIC) de 21 de março, na qual partilhou vários detalhes sobre o que o conduziu a esta situação.

“Para mim, era o único caminho possível para tentar equilibrar a situação financeira que tinha na altura. Tinha consciência da gravidade do crime, se calhar não pensei que iria estar tanto tempo envolvido naquilo e nunca pensei que me iria envolver tanto nesse tipo de crime. A minha ideia era: ‘Vou fazer só agora porque preciso. Assim que puder, eu paro’”, começou por explicar.

A verdade é que se manteve no negócio durante um ano, até ser apanhado em flagrante delito e detido pelas autoridades. Da detenção, em 2013, resultou uma pena de nove meses de prisão no estabelecimento prisional de Caxias, onde disse ter sido confrontado com um mundo que nunca pensou conhecer, um sítio em que nunca imaginou estar.

Quando saiu, a liberdade acabou por durar pouco, uma vez que Tomás enveredou novamente pelo caminho do tráfico, repetindo, assim, aquele que definiu como o seu “maior erro”. Nessa ocasião, a justiça não foi tão branda e condenou-o a 11 anos e seis meses de prisão.

“Parece que da minha primeira vez não aprendi a lição que devia ter aprendido […] Não aprendi à primeira, não ganhei o respeito que devia ter ganho perante o sofrimento que eu próprio passei, mas principalmente que causei aos outros. Aí, sim, cometi o maior erro da minha vida”, admitiu o ator de 34 anos.

Continuou: “Eu tinha consciência, no decorrer do processo, que agora seria grave. O meu advogado da altura foi-me preparando e disse que a situação não estava fácil e com uma pena suspensa pendente, a moldura penal iria ser grave […] Vi o meu pai chorar pela primeira vez. Eu chorei para dentro várias vezes. Nunca consegui deitar uma lágrima até ao dia de hoje”.

Até ao momento, Tomás já cumpriu sete anos de prisão. Quando olha para os filhos — tem três —, que num primeiro momento acharam que a ausência do pai se devia a estar a trabalhar numa fábrica, o sentimento de culpa é inevitável. “Ninguém vive dentro da cadeia. Não é vida nenhuma […] Culpo-me a mim mesmo todos os dias, nestes sete anos. Onze anos e seis meses é uma pena alta, é verdade, mas não é a condenação que eu vou ter, é o sentimento de culpa que eu vou carregar o resto da vida. Isso não tem um limite de anos”.

A liberdade condicional é o grande objetivo do ator, que mostrou vontade de regressar à representação, o seu grande “sonho”. “Tenho feito o meu percurso, não tenho nenhuma participação, não tenho nenhum castigo, já gozei algumas saídas precárias, mas a decisão está sempre nas mãos do juiz”, contou na mesma entrevista.

Até lá, procura lembrar-se que o crime e a condenação que dela resultou não são as únicas coisas que o definem. “Eu costumo usar uma frase que digo aos meus filhos que é: ‘O homem que eu fui, o homem que eu sou e o homem que serei são três pessoas totalmente diferentes’. E é verdade”.

A entrevista terminou com Tomás a revelar que a prisão fez de si um homem diferente, mais maduro e com uma nova perspetiva de vida. “Aquilo que a prisão nos faz, somos nós próprios que escolhemos. Nós temos duas opções: ou nos rendemos, deprimimos e nos deixamos ir abaixo ou escolhemos ser fortes”.

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