Quando a CBS anunciou o fim do “The Late Show” para maio de 2026, após mais de três décadas no ar, a decisão levantou várias suspeitas. Além do facto de ser um dos talk shows mais bem-sucedidos no entretenimento norte-americano, o público apontou também a proximidade entre o anúncio e críticas recentes do apresentador a Donald Trump.
A verdade é que não demorou muito até que o atual presidente dos EUA comentasse a decisão. “Adoro que o Stephen Colbert tenha sido despedido”, escreveu este domingo, 19 de julho, na rede social Truth Social.
Na mesma publicação, o líder norte-americano afirma que “o talento dele era ainda pior que as audiências”. “Ouvi dizer que o Jimmy Kimmel é o próximo, é ainda menos talentoso”, acrescentou.
Os números, porém, dizem outra coisa. O “The Late Show” é, há nove temporadas consecutivas, o programa mais visto durante o período noturno no país. Conseguiu uma média de 1,9 milhões de espetadores por noite, bem acima de “Jimmy Kimmel Live!” com 1,5 milhões ou do “The Tonight Show” com Jimmy Fallon, com um milhão de pessoas a assistir.
Isto faz com que os fãs especulem que o fim esteja relacionado não com problemas financeiros, mas com questões políticas. Tudo começou quando, durante um dos programas, Colbert criticou duramente a Paramount, empresa-mãe do canal, por ter chegado a acordo em tribunal com Trump num processo de cerca de 16 milhões de euros.
O presidente, na altura fora do cargo, alegava ter sido prejudicado por uma edição enganosa de uma entrevista feita pela “CBS News” à então candidata Kamala Harris. Colbert, como é habitual, foi claro e conciso e acusou o acordo de ser um “enorme e rechonchudo suborno”.
Dois dias depois, era informado de que o programa iria terminar. “O próximo ano será o último”, disse em direto. O público reagiu com um coro de vaias, ao qual Colbert respondeu: “Sim, partilho o vosso sentimento.”
Neste momento, a Paramount está a tentar concluir uma fusão de mais de oito mil milhões de euros com a Skydance Media e precisa da aprovação da administração federal, liderada por Donald Trump. A senadora Elizabeth Warren já pediu uma investigação à relação entre a Paramount e o presidente norte-americano.
Colbert assumiu o programa em 2015, após a saída de David Letterman. Destacou-se pelo humor político e pelas críticas diretas à presidência de Trump. Tornou-se uma das vozes mais influentes da televisão americana.








