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Tudo o que precisa de saber para ver a nova temporada de “Westworld”

Dois anos depois, a série épica da HBO está de volta com mais dores de cabeça. Os novos episódios estreiam domingo, 26 de junho.

Quando “Westworld” fez a sua estreia em 2016, o primeiro impacto foi confuso. Um mundo onde linhas temporais se cruzavam indistintamente, num mundo futurista onde humanos se confundem com robôs com vida própria. Em 2022, rimo-nos da inocência de quem se queixava das dores de cabeça provocadas pelo argumento de um tal de Jonathan Nolan — sim, o irmão de Christopher — e Lisa Joy.

Seis anos após termos sido apresentados a este fantástico e louco mundo novo, tudo se tornou ainda mais complexo. Pior: os dois anos de pausa entre a terceira e a quarta temporada, que agora se prepara para chegar à HBO, só vieram complicar ainda mais o cenário.

Como se “Westworld” não fosse já difícil de acompanhar, juntemos-lhe um pouco de amnésia pandémica e temos um belo problema para resolver. A produção da HBO é, por si só, o justificativo para invenção dos recaps ou, em português, os chamados resumos.

Felizmente, parece que Nolan e Joy decidiram abrandar o comboio das linhas temporais cruzadas e, com todos os protagonistas bem assentes no presente, temos apenas que nos situarmos nas trocas e baldrocas de identidades. Serão oito os novos episódios desta temporada que traz de volta Evan Rachel Wood, Thandiwe Newton, Ed Harris, Jeffrey Wright, Tessa Thompson, Luke Hemsworth e Aaron Paul.

Do que trata a nova temporada? A sinopse é, sem surpresas, enigmática: “Uma odisseia negra sobre o destino da vida senciente na Terra”. Coisa pouca, portanto. O primeiro episódio chega este domingo, 26 de junho.

Ora, para apanharmos este comboio de alta velocidade, temos primeiro que encontrar Dolores, que arrancou a temporada anterior no mundo real, após uma fuga mirabolante de Westworld. A protagonista tem um plano: aniquilar a humanidade e sabe bem como fazê-lo. Para fugir, Dolores coloca a sua própria mente num corpo semelhante ao de Charlotte, antes de refazer o seu próprio corpo.

Já fora do parque e para conseguir o seu objetivo de lançar a revolução das máquinas, tenta infiltrar-se numa companhia chamada Incite, que graças a uma máquina de inteligência artificial chamada Rehoboam, é capaz de criar um algoritmo que analisa e prevê a vida de todos os seres humanos.

A Insight, no fundo, controla o mundo. Pior: à medida que todas as decisões são tomadas consoante a previsão que o algoritmo faz de cada humano, essas decisões acabam por forçar a que essa previsão se torne uma realidade.

É aí que entra Caleb (Aaron Paul), um ser humano preso num trabalho que odeia. O algoritmo já decidiu que se irá suicidar e, portanto, vê negadas todas as tentativas de subir na vida. Felizmente, ou não, acaba por se cruzar com Dolores que, atingida por um tiro, necessita da sua ajuda.

Os dois acabam por criar uma relação e Dolores recruta- o para a ajudar na sua luta contra a Insight, à medida que se vai aproximando do CEO da empresa, Liam, que é afinal apenas um subalterno do grande chefe, um temível francês chamado Serac — mas já lá vamos.

Na outra ponta do plano de Dolores está o corpo androide de Charlotte — que tem, na sua mente, uma daquelas esferas mágicas trazidas pela protagonista de Westworld — que atua infiltrada na empresa Delos. O objetivo? Abrir a empresa a investimento privado para que Dolores possa assumir o controlo. Precisam apenas dos votos de William, o Homem de Negro, que está num sítio, bem, negro.

A recuperar do trauma de ter assassinado a própria filha, ao confundi-la com um dos robôs do parque, William vive sozinho na sua casa. Charlotte tenta demovê-lo a votar a seu favor, sem sucesso. Consegue fazê-lo mais tarde, ao levá-lo à loucura e a interná-lo num sanatório.

Entretanto, Bernard está também ele longe de Westworld e isolado no meio do campo, graças a Dolores, que o reconstruiu no mundo real. O robô acaba por decidir regressar ao parque, onde se junta ao segurança, Ashley Stubbs que, afinal, é também ele um robô.

No plano deste regresso estava o desejo de Bernard perceber o que Dolores tem planeado, ele que sempre foi um pacifista e recusou a ideia de aniquilar a humanidade por tudo o que fizeram às mentes aprisionadas no corpo de androides. O objetivo? Pará-la antes que seja tarde demais.

Outro regresso na terceira temporada foi o de Maeve, que foi transferida para outro parque que recria a II Guerra Mundial. É lá que se reencontra com Hector, que a ajuda a tentar escapar. Ao fim de várias divertidas e frustrantes tentativas, percebe que vivia numa simulação dentro de uma simulação.

Após um final trágico, Maeve acorda no seu corpo mas noutro local: a casa do mega-vilão, o tal francês Serac, que controla o mundo através do seu Rehoboam, mas percebe que Dolores esconde algo ainda mais poderoso, os dados recolhidos em Westworld. Serac força Maeve a juntar-se a si nesta luta e a tentar roubar os dados de Dolores.

Esta chantagem dá origem a uma série de batalhas épicas entre Maeve e Dolores, que envolvem até uma luta de katanas no meio dos mafiosos da Yakuza. Dolores assume quase sempre a vantagem, até porque se descobre mais tarde que todas as esferas mágicas que trouxe consigo eram cópias da sua própria mente, espalhadas por vários diferentes corpos que agora a auxiliam na sua luta no mundo real.

Caleb e Dolores acabam por conseguir aceder ao Rehoboam e divulgar ao público todos os dados recolhidos sobre milhões e milhões de pessoas. O escândalo provoca uma espécie de revolução nas ruas.

De forma sorrateira, Serac antecipa-se e compra a Delos antes que a falsa Charlotte e Dolores consigam deitar as mãos a todas as ações. Isto antes de Dolores se confrontar com mais problemas, depois da sua cópia no corpo de Charlotte começar a ter dúvidas sobre a sua identidade.

Entretanto, Dolores e Caleb continuam na sua luta, agora para libertarem os humanos da opressão ditada por algoritmos, ao invés de simplesmente deixarem que as máquinas aniquilassem a humanidade. Acabam por descobrir o protótipo do Rehoboam num armazém secreto.

É lá que descobrem que Serac e o seu irmão criaram a máquina para tentar controlar os humanos e evitar que destruíssem o mundo. Seria essa a única forma de criar um mundo perfeito, não fosse o problema de existirem demasiadas pessoas imprevisíveis. A solução? Interná-los e tentar fazer-lhes uma lavagem cerebral. Caleb, descobre mais tarde, foi uma dessas cobaias.

Uma nova batalha entre Maeve e Dolores acaba com as duas destruídas. Caleb consegue recuperar a memória de Dolores e recolocá-la num novo corpo de reserva. Enquanto tudo isso acontece, Bernard continua o seu plano, que passa por tentar resgatar William do manicómio, um passo que Dolores antecipou.

Para a sua fase final, Dolores decide tentar elevar Caleb a líder da revolução humana contra o controlo da Incite e dos algoritmos. Num cocktail explosivo que envolve mais uma batalha com Maeve e a intervenção da falsa Charlotte Hale, Dolores acaba por ficar nas mãos de Serac, que procura na sua memória os dados de Westworld.

Dolores tinha tudo calculado: os dados estão, afinal, guardados na mente de Bernard, que está bem longe de toda esta ação, a mergulhar num mundo virtual.

No edifício da Incite, Serac tem também em cativeiro Caleb, que tenta convencer a parar a sua revolução, ao mostrar-lhe que, sem o algoritmo, a humanidade se vai autodestruir. Mas, num golpe de teatro, Maeve e Dolores fazem as pazes numa sessão virtual, antes de se unirem para parar Serac.

Graças à ação de Maeve, o controlo é colocado nas mãos de Caleb, que dá a ordem ao Rehoboam de apagar toda a informação que guarda e terminar, de vez todo o controlo da Incite. O problema? Ao mesmo tempo que isso acontecia, Dolores perde também toda a sua memória, num sacrifício poético com o objetivo de ajudar a tornar possível um novo mundo para humanos e robôs. Na liderança deste novo projeto ficam Caleb e Maeve.

À boa moda de “Westworld”, a história não se podia ficar pelos créditos e havia umas quantas surpresas guardadas. Numa das cenas extra, vemos William a entrar num edifício da Delos no Dubai, onde Charlotte Hale lhe mostra uma versão robótica do Homem de Negro, que acaba por assassinar o verdadeiro.

Por fim, vemos Bernard, ainda no hotel onde se ligou à realidade virtual, mas agora coberto de poeira, como se anos se tivessem passado. O que poderá ser? Não fazemos a mais pequena ideia. Agora é esperar pelos oito episódios de loucura que Nolan e Joy prepararam. Pelo aspeto do trailer, vem aí mais uma dor de cabeça.

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