Televisão

Tudo o que precisa mesmo de saber antes de ver “Os Anéis do Poder”

A saga de JRR Tolkien está de regresso. A série mais cara de sempre estreia na Amazon Prime Video, esta sexta-feira, 2 de setembro.
Sabe quem é?

Aos 69 anos, J.R.R. Tolkien viu o seu nome ser incluído na pequena lista de potenciais vencedores do Nobel da Literatura. Seria a consagração máxima para o autor britânico, muito graças à nomeação feita pelo seu amigo C.S. Lewis, autor de “As Crónicas de Nárnia”.

O prémio, contudo, acabaria por ser entregue ao jugoslavo Ivo Andrić. Tolkien, a mente por detrás do complexo mundo de “O Senhor dos Anéis”, foi rejeitado porque “a sua capacidade narrativa não era da mais alta qualidade”, revelaram documentos confidenciais da Academia, divulgados em 2012.

Se Tolkien morreu sem deitar a mão ao prémio máximo da literatura, também não pôde regozijar-se com outras metas que, até ver, nenhum dos seus colegas de época conseguiu cumprir. O seu mundo fantástico é, mais uma vez, fonte de uma das mais ambiciosas produções da indústria do entretenimento.

Depois de o seu “O Senhor dos Anéis” ter dado origem a uma oscarizada trilogia que bateu recordes de bilheteira, viu “The Hobbit” seguir um percurso semelhante — embora apenas com nomeações, mas sem estatuetas. Agora, quase cinco décadas após a sua morte, a sua obra dá origem à série televisiva mais cara de sempre.

“Os Anéis do Poder” preparam-se para varrer, pelo menos, o recorde de custo por episódio. Se “Stranger Things” surpreendeu com os perto de 28 milhões por cada um dos nove capítulos da mais recente temporada, os perto de 450 milhões de euros que alegadamente a produção da Amazon terá custado, elevam a fasquia para os 45 milhões por episódio. Um custo necessário para oferecer o realismo e o luxo que o mundo detalhado de Tolkien pede.

Há, contudo, outro pequeno detalhe: enquanto que as duas anteriores trilogias se baseavam numa obra do autor britânico, “Os Anéis do Poder” não o pode fazer. A narrativa leva-nos numa viagem no tempo, milhares de anos antes dos acontecimentos descritos nos filmes. A série é, portanto, uma prequela.

Os eventos de “The Hobbit” terão acontecido entre 2941 e 2942, na Terceira Era da linha temporal descrita por Tolkien. Já os acontecimentos de “O Senhor dos Anéis” terminam em 3019.

“Os Anéis do Poder” leva-nos à Segunda Era de Middle Earth e foi algures nesses 3441 anos, que terminam com a derrota de Sauron, que os 19 anéis foram forjados pelos Elfos, algures em 1500. Os especialistas na saga estimam que os acontecimentos retratados na série possam situar-se entre os anos 3429 e 3441 da Segunda Era.

Para os fãs de Tolkien, também este é uma espécie de território desconhecido. Sem suporte documental para guiar grande parte da história, a produção teve que tomar ainda mais liberdades criativas do que Peter Jackson nas trilogias da saga.

Tanto quanto se sabe, o argumento inspirou-se nos pequenos detalhes e narrativas que pontuavam os contos de Tolkien, sobretudo os que compõem “The Silmarillion”, uma coletânea de histórias publicada em 1977, quatro anos depois da morte do autor e editada pelo filho, Christopher Tolkien.

Apesar das dificuldades, a era representada na nova série da Amazon já teve direito a uma espécie de recriação. Na trilogia de “O Senhor dos Anéis”, é possível assistir a vislumbres da gigantesca batalha final entre Sauron e os exércitos de Homens e Elfos.

Ao ecrã deverá chegar a história de como Sauron ascendeu ao poder como o Lorde Negro de Mordor e como foi criado o Anel do Poder, que sustenta grande parte da saga de Peter Jackson. O facto de Tolkien ter apenas descrito esta era de forma mais abrangente, implica um trabalho mais minucioso para que “Os Anéis do Poder” possam contar histórias novas, condizentes com o estilo do autor — e esse será, talvez, a maior aposta (e maior risco) da Amazon.

Tolkien abstém-se de descrever personagens em detalhe, para lá dos grandes reis, líderes e comandantes de exércitos. No entanto, os fãs podem contar com a aparição de algumas personagens conhecidas — aquelas que, pela sua natureza, conseguiriam sobreviver milhares de anos, entre as eras separadas pela série e os filmes. Falamos, claro, dos imortais elfos.

De regresso está Galadriel, a governante de Lothlórien, interpretada em 2001 por Cate Blanchett — haveria de voltar para a trilogia “The Hobbit”. Agora, a personagem terá papel principal em “Os Anéis de Poder”, um cargo que ficará nas mãos da atriz galesa Morfydd Clark.

Na série, Galadriel é protagonista de uma cruzada para eliminar os servos de Morgoth, o grande vilão em “The Silmarillion” — e que tem, como seu grande seguidor, o temível Sauron. Nesta encarnação, a personagem enverga armadura e espada, numa versão mais guerreira do que aquela que já se conhece.

De volta estará também Elrond, o Elfo interpretado por Hugo Weaving na trilogia original. É ele o responsável pela composição da Irmandade do Anel em Rivendell, terra que comanda. A versão mais jovem de Elrond fica nas mãos do ator Robert Aramayo, que irá interpretar um “político ambicioso” que acaba por casar com a filha de Galadriel.

“Os Anéis do Poder” trazem também de regresso Isildur, o humano que consegue arrancar o Anel do Poder a Sauron, mas que o guarda em vez de o destruir. A personagem, originalmente interpretada por Harry Sinclair, ficará agora a cargo de Maxim Baldry. Isildur regressa agora como marinheiro e com um problema: para surgir lado a lado com Galadriel e Elrond, terá que haver um enorme salto no tempo — o que pode sugerir que a série poderá exibir várias linhas temporais e narrativas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT