Televisão

Tyra Banks processa Netflix após documentário sobre “America’s Next Top Model”

A modelo afirma que participou numa entrevista com mais de três horas e meia de duração, mas apenas 16 minutos chegaram ao resultado final.

A polémica em torno de “America’s Next Top Model” acaba de ganhar um novo capítulo. A apresentadora e criadora do programa, Tyra Banks, avançou com um processo por difamação contra a Netflix e os realizadores da série documental “Reality Check: Inside America’s Next Top Model”, que estreou na plataforma a 16 de fevereiro deste ano.

A supermodelo alega que as suas declarações foram editadas de forma a transmitir uma imagem completamente diferente da realidade.

Segundo os documentos entregues a 13 de junho num tribunal federal de Los Angeles, Banks afirma que participou numa entrevista com mais de três horas e meia de duração, durante a qual assumiu responsabilidade por algumas das decisões mais controversas tomadas ao longo das 24 temporadas do formato. No entanto, apenas 16 minutos chegaram ao produto final.

Os seus advogados defendem que as imagens foram “cuidadosamente manipuladas para sustentar uma narrativa falsa e prejudicial à reputação da apresentadora”. “A responsabilidade que Tyra Banks assumiu ficou na sala de edição. Existia, mas o público nunca teve oportunidade de a ver”, pode ler-se no processo.

Além de pedir uma indemnização (cujo montante não foi revelado), Banks quer impedir que a sua imagem continue a ser utilizada na promoção da banda sonora oficial do documentário, lançada posteriormente como álbum.

Lançado em 2003, “America’s Next Top Model” tornou-se um fenómeno televisivo, mas nos últimos anos tem sido alvo de uma reavaliação crítica. Entre as acusações mais frequentes estão episódios de humilhação dos concorrentes, manipulação emocional e sessões fotográficas consideradas problemáticas pelos padrões atuais. “A própria Tyra Banks já tinha reconhecido algumas dessas falhas no passado, admitindo que foram momentos insensíveis e decisões que hoje considera inadequadas”, acrescenta.

No entanto, a antiga modelo garante que o documentário da Netflix foi mais longe. O processo acusa os produtores de recorrerem a “edição seletiva, omissões deliberadas e manipulação cirúrgica das imagens” para sugerir que Banks permitiu que uma concorrente fosse vítima de agressão sexual durante o programa, explorando posteriormente o trauma para aumentar as audiências.

Segundo a queixa, a série documental dá ainda a entender que, quando confrontada com o tema durante a entrevista, a apresentadora tentou fugir às perguntas. Os advogados contestam essa versão e afirmam que Tyra Banks nunca foi informada de que seria questionada sobre esse episódio específico.

Outra das acusações prende-se com a falta de contraditório. Banks diz que só teve acesso ao documentário um dia antes da estreia e que nunca foi contactada para verificar factos ou responder às alegações feitas por outros participantes.

O processo refere ainda que alguns antigos jurados do programa colaboraram como consultores editoriais do documentário. Um deles, segundo a equipa jurídica da apresentadora, mantém uma relação tensa com Banks há vários anos.

“Se Tyra Banks soubesse até que ponto estas pessoas estavam envolvidas na construção editorial da série, teria percebido que algo não estava certo. Não teria participado”, defendem os advogados.

Em março, a apresentadora tentou obter acesso à gravação integral da entrevista realizada para o documentário. De acordo com o processo, tanto a Netflix como a produtora EverWonder recusaram o pedido.

Leia o artigo da NiT para conhecer melhor o documentário que originou a polémica.

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