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“Vigilante”: a história real por trás da nova série arrepiante (e sinistra) da Netflix

Estreou esta quinta-feira e é de um dos criadores de “Dahmer”. A narrativa é bizarra e misteriosa — envolve a compra de uma casa.
Bobby Cannavale é um dos atores.

Ryan Murphy, o criador de “Glee” ou “American Horror Story”, parece imparável. Depois de “Dahmer – Monstro: A História de Jeffrey Dahmer”, há um novo projeto da sua autoria a estrear na Netflix. Falamos de “Vigilante”, que estreou a 13 de outubro na plataforma de streaming.

Tal como “Dahmer”, relata uma história sinistra e real. Desta vez não é um serial killer que está em destaque, mas sim um misterioso stalker que começou a atormentar uma família. Na série, Naomi Watts e Bobby Cannavale são os protagonistas. Sendo que o elenco inclui ainda nomes como Luke David Blumm, Jennifer Coolidge, Mia Farrow, Terry Kinney ou Michael Nouri.

A narrativa baseia-se num artigo da “New York Magazine”, escrito por Reeves Wiedeman em 2018, que relata o que aconteceu. Tudo começou em junho de 2014. Derek e Maria Broaddus, casal com três filhos, fecharam o negócio para comprarem a sua casa de sonho em Westfield, no estado americano de Nova Jérsia. Tinha seis quartos, muito espaço, uma agradável área exterior.

Derek Broaddus estava na propriedade a fazer uns trabalhos de reparação quando encontrou no correio uma carta dirigida à sua família — endereçada ao “Novo Dono”. “Permitam-me que vos dê as boas-vindas ao bairro. O número 657 Boulevard tem sido assunto para a minha família há décadas e à medida que se aproxima do seu 110.º aniversário, fiquei encarregue de vigiar e esperar pela sua segunda vinda. O meu avô vigiou a casa nos anos 20 e o meu pai vigiou nos anos 60. Agora é a minha altura. Conhecem a história da casa? Sabem o que está nas paredes do 657 Boulevard? Porque estão aqui? Vou descobrir.”

Seguiram-se outras cartas, também assinadas pelo Vigilante. Nalgumas, a pessoa falava dos três filhos dos Broaddus, e chegou mesmo a deixar implícitas várias ameaças. “Precisam de preencher a casa com o jovem sangue que eu pedi? Melhor para mim. A vossa antiga casa era muito pequena para a vossa família em crescimento? Ou foi ganância de me trazerem as vossas crianças? Assim que souber os seus nomes vou chamá-los e atraí-los para mim.”

A família fez queixa à polícia e contactou o casal que lhes tinha vendido a casa por cerca de 1,3 milhões de dólares. Os vendedores admitiram que também tinham recebido uma carta daquelas alguns dias antes de saírem da propriedade. 

Nas semanas seguintes, enquanto os Broaddus iam fazendo mais algumas pequenas remodelações antes de se mudarem — e a empresa de mudanças ia trazendo algumas coisas — receberam mais e mais cartas arrepiantes. O Vigilante alegava saber os nomes, alcunhas e as idades dos miúdos. Aquela pessoa também parecia saber bastante sobre a disposição da casa, tendo em conta as descrições pormenorizadas que fazia das divisões. Chegou a escrever que as crianças não deveriam brincar na cave, uma vez que os pais não conseguiriam ouvir os seus gritos.

Derek e Maria Broaddus, claro, começaram a ter muitas dúvidas sobre o que deveriam fazer. Estiveram algum tempo sem ir à casa. Ponderaram seriamente se não deveriam cancelar tudo. Acabaram por instalar uma série de câmaras e passaram várias noites, munidos de binóculos, a tentar perceber onde poderia estar — e quem poderia ser — este Vigilante. Não estavam satisfeitos com a atuação da polícia, que já tinha entrevistado alguns vizinhos mas não tinha chegado a qualquer conclusão. Acabaram por também contratar um detetive privado e pelo menos um antigo agente do FBI.

Seis meses depois de terem comprado a casa, puseram-na à venda. Sem nunca se terem realmente mudado para lá. Os rumores em torno da propriedade fizeram com que fosse muito difícil arranjar um comprador interessado. Além disso, os Broaddus fizeram questão de contar toda a verdade, mostrando as cartas aos potenciais interessados. Isso fez com que muitos desistissem da ideia, claro. 

Já em 2016, acabaram por conseguir arrendar a habitação. Mas outras cartas sinistras foram deixadas na caixa de correio. “Questionam-se sobre quem é o Vigilante? Olhem para trás, idiotas. Talvez até tenham falado comigo, um dos supostos vizinhos que não fazem ideia de quem é o Vigilante.” Outra falava de vingança e deixava bastantes ameaças explícitas: “Talvez um acidente de carro, talvez um incêndio. Talvez uma pequena doença que nunca parece ir embora mas que te faz ficar doente dia após dia após dia. Talvez a morte misteriosa de um animal de estimação. Os entes queridos subitamente morrem. Aviões, carros e bicicletas têm acidentes. Ossos partem-se.”

Acabaram por conseguir vender a casa em 2019, mesmo que por menos 400 mil dólares do que o valor da aquisição em 2014. Nunca descobriram, contudo, quem era o Vigilante. Inicialmente pensaram que poderia ser uma das outras pessoas que queriam ficar com a casa. Mas perceberam que, das outras duas ofertas que os antigos donos tinham recebido, num caso tinham ficado com outra habitação; e noutro tinham desistido por motivos de saúde.

Em relação aos vizinhos, nunca houve qualquer suspeita específica. Os Broaddus chegaram a enviar uma carta a diversos vizinhos a dizer que planeavam destruir a casa — de forma a tentar obter mais pistas sobre o Vigilante, mas sem sucesso. Os especialistas que contrataram concluíram que, tendo em conta a escrita, o Vigilante poderia ser alguém já com alguma idade, e que não seria muito másculo. Um teste a uma das cartas encontrou vestígios de ADN feminino. Várias vizinhas foram submetidas a testes de ADN, mas não houve qualquer correspondência. 

Talvez a maior suspeita tenha recaído sobre uma mulher que ficou parada num carro durante bastante tempo em frente da casa. A polícia identificou a viatura e descobriu que era namorada de um vizinho. Curiosamente, esse homem gostava de jogar videojogos com uma personagem chamada Vigilante. Contudo, nunca conseguiram reunir provas. Talvez a nova série possa trazer mais atenção sobre o caso — e levar à descoberta de mais indícios. Alguns vizinhos chegaram a alegar que foram os próprios Broaddus a escrever as cartas.

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