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“The Voice”: o momento meme da noite foi a desafinação da guitarra de Coastel

Dino D’Santiago esqueceu-se que tinha o microfone ligado. O humorista Miguel Lambertini analisa a última gala da 10.ª temporada.
Coastel foi um dos finalistas.

Este domingo, 22 de janeiro, assistimos A final da décima temporada do programa “The Voice Portugal”, da RTP1.  Foi uma noite emocionante, com algumas surpresas e muita música. O grande vencedor foi nada mais nada menos que o concorrente Gustavo Reinas, com apenas 16 anos, tornando-se assim o mais jovem de sempre a conseguir tal feito. Não sei o que é que dão a estes miúdos hoje em dia, mas são realmente incríveis. 

Gustavo começou a cantar e a tocar guitarra aos seis anos e aos oito iniciou-se em peças de teatro musicais. Além disso, frequentou o conservatório de música clássica, fez o terceiro grau de piano e o quarto de guitarra, e fez workshops de canto. É muito animador ver como a nova geração está cada vez mais talentosa.

Estes rapazes e raparigas tocam e cantam como se não houvesse amanhã e dizem coisas como “é possível tocar o coração de alguém, por mais frio que possa parecer”. “E só é preciso sentir para conseguir passar uma mensagem de uma música. Acho que a arte tem essa magia.” Palavras do Gustavo que, apesar de ter conquistado o programa, assumia há uma semana que não tinha “quaisquer expetativas de ganhar”. Esta malta mais nova tem uma serenidade invejável. 

Prova disso foi um dos momentos meme da noite em que o concorrente Coastel, ao perceber que a sua guitarra estava desafinada, simplesmente interrompeu a atuação. Foi uma decisão arriscada, mas correta e totalmente compreensível. O seu mentor, Dino D’Santiago, dirigiu-se a ele e sugeriu que substituísse o instrumento ao mesmo tempo que agradecia o apoio do público, que aplaudia o gesto. 

Enquanto nos bastidores tentavam resolver o problema, o direto seguia e Dino, sem se perceber que o seu microfone continuava ligado, comentou com Marisa Liz: “Ontem esta guitarra já ‘tava toda f%did@”. Vasco Palmeirim, em modo ilusionista, apressou-se a surgir para tentar desviar as atenções e controlar a emissão: “Chama-se o quê a isto? Chama-se direto, chama-se música…” No fundo chama-se “falar português” e, pensando bem, antes a guitarra do que a garganta do concorrente ou outra parte qualquer do corpo. 

A noite, porém, foi mesmo do vencedor Gustavo Reinas. E ele é apenas a ponta do icebergue quando falamos desta geração Z, porque a sensação que me dá é que são surpreendentemente dedicados para a idade. Lembro-me que, quando tinha 16 anos, só pensava em convencer os meus pais a comprarem-me uma Sega Saturn. Nesse tempo as coisas eram mais básicas. 

Na minha infância, rede social era a porteira da frente. Não era preciso psicólogos, porque não havia bullying. Quer dizer, havia, mas chamava-se levar calduços. Quando era pequeno, tinha um corte de cabelo à tigela e a vida resumia-se a duas coisas: andar de skate e ficar à espera de ver a Pamela Anderson em “Baywatch”, a correr em câmara lenta com aquele par de… olhos lindos que ela tem.

Ao contrário do meu eu adolescente, com apenas 16 anos, Gustavo já tem a voz e presença de palco de um veterano experiente, por isso, não é surpresa que tenha vencido. O que é mesmo surpreendente é que ainda não tenha idade suficiente para poder conduzir o carro que ganhou como prémio.

Leia também o artigo da NiT sobre a trajetória de Gustavo Reinas.

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