Televisão

“WandaVision” é a produção mais arriscada da Marvel em muitos anos

Trata-se da primeira série da marca para a Disney+. É um formato de sitcom cujos dois primeiros episódios já estão disponíveis.
Tem nove episódios.
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Estamos numa nova era da Marvel. Depois das séries que estrearam na Netflix (e que depois foram canceladas, uma após a outra), o universo de comics está de volta em força ao streaming, naquilo que é uma aposta clara da marca. Agora a casa para estas personagens passa a ser a Disney+ e as séries estão a ser produzidas pelas mesmas equipas responsáveis pelos filmes.

“WandaVision” inaugurou a fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) na sexta-feira passada, 15 de janeiro. Não era para ser o grande cartão de visita — esse papel ficaria para uma série de super-heróis mais convencional, “The Falcon and the Winter Soldier”, que foi adiada por causa da pandemia, e que agora está prevista para março.

A NiT já assistiu aos dois primeiros episódios de “WandaVision” — no total são nove, cada um com cerca de meia hora, sendo que todas as semanas vai estrear um novo capítulo.

Esta é uma série inusitada, arriscada, criativa e visionária. Cruza o universo que bem conhecemos dos super-heróis — que transformaram a Marvel numa fábrica de blockbusters desde 2008 — com o formato tradicional das sitcoms americanas, com gargalhadas de reação a cada piada, imagens a preto e branco e até pistas que deixam a entender que está um público a assistir ao vivo.

A narrativa acompanha Wanda Maximoff — a Feiticeira Escarlate — e o seu marido Vision. A história passa-se, supostamente, depois de “Vingadores: Endgame”, mas os fãs da Marvel sabem que estas duas personagens já não tinham sobrevivido à “Guerra do Infinito”. Portanto, não sabemos bem o que se passa com eles, mesmo depois de vermos a primeira dupla de episódios.

Ambos estão a tentar levar uma vida suburbana comum sem dar nas vistas. Tentam fingir que são humanos normais, apenas mais um casal naquela comunidade cheia de mexericos e onde as aparências de boa vizinhança são o mais importante. O objetivo é integrarem-se. Para isso, recebem o chefe num jantar em casa ou participam no concurso de talentos local.

E é desse choque, entre os super-heróis e o retrato satírico aos subúrbios americanos de classe média de outras décadas, que nascem os melhores momentos cómicos de “WandaVision”.

Temos muito mais perguntas do que respostas em relação ao que se passa com estes dois. É uma série que merece ser vista com a paciência necessária — e antevemos que não falta muito para que o mistério central comece a ser desenvolvido e explorado, tendo em conta a estranheza de algumas personagens secundárias e as pequenas pistas que nos levam mais para o universo da Marvel.

Elizabeth Olsen e Paul Bettany, apesar de terem performances ligeiramente exageradas e superficiais, próprias deste formato de sitcoms, fazem exatamente aquilo que lhes é pedido nestas circunstâncias e têm uma enorme química como parceiros no crime.

Acima de tudo, faz sentido valorizar esta aposta da Marvel. Tendo em conta o formato, estética e os contornos de “WandaVision”, é natural que grande parte do público deste universo não fique a adorar esta série.

É uma aposta arriscada nesse sentido, mas que se há alguém que a pode fazer é a Marvel e a Disney. É ótimo que haja esta diversificação nos conteúdos do MCU, que possa agradar a vários tipos de audiência, que sejam formatos mais exigentes — mesmo que “WandaVision” seja bastante leve, no geral. Há, no entanto, alguma melancolia à espreita, que suspeitamos que só vá ficar mais intensa à medida que a história evoluir.

Não é a série mais ambiciosa do ponto de vista de produção, apesar de ter ótimos (e sublimes) efeitos especiais, nem é incrível — mas cumpre aquilo a que se propunha e consegue marcar a diferença num género que muitas vezes é consumido por uma imensa repetição de cenas de ação, poderes e explosões, num registo homogéneo e rapidamente se torna aborrecido. Que haja mais projetos com esta ousadia no mundo da Marvel. Agora, se é uma série que vai acrescentar algo a quem não é, por norma, fã deste universo? Não me parece que seja.

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