Televisão

Will Smith diz ter visto a sua “vida destruída” em entrevista com David Letterman

Os novos episódios de “O Próximo Convidado Dispensa Apresentações” chegaram à Netflix e o ator é um dos convidados.
Foi gravada dois meses antes dos Óscares

Na tentativa de matar à nascença qualquer potencial controvérsia, um dos novos episódios de “O Próximo Convidado Dispensa Apresentações” apresenta um aviso logo nos seus primeiros segundos. Letterman precaveu-se e mandou afixar o seguinte: “Este episódio foi gravado antes da cerimónia dos Óscares de 2022.”

O convidado que dispensa apresentações é nem mais nem menos do que Will Smith, o ator que, pouco tempo depois das gravações, seria protagonista do momento mais inusitado de sempre na história dos Óscares. De certa forma, a entrevista com David Letterman teve um efeito premonitório.

Enquanto recordava um dos episódios em que ingeriu uma droga alucinogénica, o ator revelou ter tido visões da destruição da sua carreira e de toda a sua vida. Foi um dos momentos altos da entrevista que durou quase uma hora e que chegou à Netflix esta sexta-feira, 20 de maio.

Ao lado de Will Smith, a lista de convidados da quarta temporada da série que arrancou em 2018 é longa. Além de Smith, Letterman senta-se frente a frente com Billie Eilish, Ryan Reynolds, Julia Louis-Dreyfus, Kevin Durant e Cardi B.

Nenhum convidado terá, contudo, tanto impacto quanto Will Smith, que acaba por percorrer alguns dos momentos mais importantes da carreira e da vida. Notoriamente ausente desta conversa estará, pois claro, a agressão a Chris Rock na cerimónia dos Óscares — tema que não será debatido, mas que, como se vê, ensombrou toda a entrevista, vista agora sob o prisma do ato violento e amplamente condenado.

A antevisão do futuro feita pelo próprio tem sido um dos momentos mais comentados. Tudo terá acontecido num ritual de ayahuasca, uma erva ilegal e com propriedades alucinogénicas, cujo objetivo passa pelo indivíduo percorrer uma viagem de autoconhecimento.

Segundo o ator, durante o espaço de dois anos, terá tomado a droga alucinogénica por pelo menos 14 vezes. Uma delas foi “a experiência psicológica mais infernal” da sua vida.

“Bebi e aquilo normalmente demora cerca de 45 minutos até fazer efeito. Estava sentado e acabas sempre por pensar: ‘Bem, desta vez talvez não vá fazer efeito.’ Lá bebi, aguardei sentado e de repente começo a ver todo o meu dinheiro a desaparecer, a minha casa, a minha carreira a desvanecer-se.”

“Vi toda a minha vida a ser destruída”, explicou o ator, que confessou ser esse um dos seus maiores medos. A meio da visão, terá ouvido a voz da filha, Willow, a chamar por si.

“De repente [ao ouvi-la], deixei de me preocupar com o dinheiro. Só queria ver a Willow. Deixei de me preocupar com a casa, com a minha carreira.”

Apesar de ter sido uma “experiência infernal”, Smith explicou que a viagem o ajudou a constatar que “seria capaz de lidar com qualquer coisa que acontecesse” na sua vida. “Consigo lidar com qualquer perda de pessoas, consigo lidar com qualquer coisa que corra mal. Consigo lidar com o meu casamento, tudo o que esta vida tenha para me dar.”

O testemunho do ator a David Letterman não deixa de ser curioso, agora que todos sabem o que viria a acontecer dois meses mais tarde na cerimónia dos Óscares.

O cenário montado pelo icónico apresentador é muito diferente, pelo menos aos olhos de hoje. Descreve Smith como “o amigo da América”, antes de receber dicas de pugilismo do próprio — ou quando Smith ameaça Letterman em tom de brincadeira, assim que o tema da conversa passa a ser a mãe do ator. “Não te atrevas a dizer nada sobre a minha mãe, Dave”, brinca.

O ator de 53 anos toca também noutros temas, como alguns dos momentos mais sensíveis da sua autobiografia, “Will”. “A primeira linha do primeiro capítulo diz: ‘Sempre pensei em mim próprio como um cobarde’”, explica. “Quando tinha nove anos, vi o meu pai bater na minha mãe e eu não fiz nada. Isso deixou-me com a traumática imagem de mim próprio como um cobarde.”

A experiência de reviver estes traumas através da escrita permitiu-lhe “desbloquear” uma parte de si “como ator”. “A vida neste momento é, para mim, muito excitante, porque consigo chegar a diferentes tipos de pessoas de forma distinta, mais do que nunca, graças à dor de que padeci”, nota. “Estou realmente pronto a mergulhar no meu coração de uma forma que espero ser proveitosa para mim mas também proveitosa para a família humana.”

A sua família foi, claro, outra larga faceta da entrevista. “A proteção e a segurança são uma ilusão”, explica o ator. “Tens que aprender a viver com a realidade de que, a qualquer momento, tudo pode desaparecer num segundo. Perante essa realidade, como é que podes estar presente? Como é que podes ser feliz e estar presente?”

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