Televisão

“All Together Now”: quem é o concorrente que conquistou todos os 100 jurados?

João Mendonza já cantou para o Papa Francisco no Vaticano e também atuou no casamento de Toy. É de Setúbal e tem 29 anos.
João Mendonza tem 29 anos.

No segundo programa de “All Together Now”, o novo formato de Cristina Ferreira na TVI, um concorrente levantou todos os 100 jurados (num episódio especialmente competitivo). João Mendonza interpretou “Caruso”, de Lucio Dalla, um tema que dedicou ao avô falecido, vítima de Covid-19 (apenas alguns dias antes da gravação do programa). Emocionado, depois de cantar, quis também homenagear os profissionais de saúde.

Tendo em conta as várias versões do programa que já existiram em diferentes países, são poucos os casos de concorrentes que conseguiram conquistar todos os jurados. Natural de Setúbal, esta foi a primeira participação de João Mendonza, de 29 anos, num programa de talentos — apesar de ele não ser propriamente um anónimo.

O cantor tenor decidiu participar em “All Together Now” numa fase em que as salas de espetáculos estão encerradas e a indústria da música ao vivo está parada — o objetivo também terá passado por conquistar visibilidade e chegar a públicos diferentes.

João Mendonza é mais conhecido por integrar o grupo Passione, que começou há cerca de seis anos como um trio e que agora é uma dupla — além de João, faz parte o pianista Carlos Barreto Xavier. O grupo sempre tentou levar músicas pop para o canto lírico, como fazem lá fora artistas como Andrea Bocelli e os Il Divo.

Em 2018, tiveram o momento mais especial do seu percurso, quando cantaram para o Papa Francisco no Vaticano. Tudo começou um ano antes, quando o Papa veio a Portugal, ao Santuário de Fátima, no âmbito do centenário das aparições.

João Mendonza e os seus Passione enviaram para a Conferência Episcopal Portuguesa, a partir da capela do Rato, em Lisboa, o CD que tinham gravado — que incluía uma versão sua de “Ave Maria”. O disco foi selecionado para fazer parte das oferendas oficiais de estado aquando da sua visita e foi o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quem entregou o CD dos Passione ao Papa Francisco.

Vários meses depois, a capela do Rato recebeu uma carta com o selo do Vaticano. Ligaram para João Mendonza, que, surpreendido, largou tudo o que estava a fazer e dirigiu-se à capela. A carta enviada pelo ministério dos negócios estrangeiros do Vaticano era um agradecimento assinado pelo Papa em relação à oferta do CD. Depois, receberam um convite para fazerem uma pequena atuação no Vaticano.

A 31 de outubro de 2018, os Passione foram recebidos pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro, onde trocaram algumas palavras em português. No dia seguinte, fizeram uma pequena atuação na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma (onde interpretaram a tal versão de “Ave Maria”).

João Mendonza foi criado com uma educação católica — cantou no coro da capela do Rato, aliás — e por isso este encontro com o Papa e a presença no Vaticano foi um momento muito especial no seu percurso.

Num contexto completamente diferente, um ano depois foi convidado para interpretar a mesma “Ave Maria”, na versão de Schubert, no casamento de Toy, enquanto a noiva, Daniela, caminhava para o altar. São ambos de Setúbal e Toy é um amigo próximo da família de João Mendonza. Os pais têm uma ourivesaria na cidade e Toy sempre foi cliente habitual.

João Mendonza lembra-se de Toy desde que era criança e por isso havia essa ligação. Aliás, em encontros de amigos e eventos privados, os dois já cantaram juntos em várias ocasiões — mas sempre de forma espontânea.

Depois de ter cantado para o Papa, os Passione deram um concerto em Goa, na Índia, e foi nessa viagem que tentaram chegar até outro grande líder espiritual, Dalai Lama. Viajaram para o norte da Índia e foram até à sua residência oficial, mas não conseguiram chegar a ele. Deixaram-lhe, no entanto, o CD — e mais tarde um representante de Dalai Lama confirmou a receção através de um email.

O seu grande sonho é precisamente viajar pelo mundo a cantar, em grandes tours internacionais. Quando não consegue tocar — e o último ano tem sido muito difícil para o setor da cultura no geral —, João Mendonza vai trabalhando noutros projetos. Tem uma guest house em Setúbal, abriu com a irmã um pequeno bar de rua a pensar no público turista (que de momento não existe) e ainda colabora com a agência imobiliária onde o pai também trabalha.

Tal como tantos outros músicos, começou a cantar quando era criança. Frequentou o Conservatório Regional de Setúbal e depois o Conservatório Nacional, em Lisboa. Terminou o curso de Canto aos 22 anos. Em simultâneo, estava a tirar um curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Lisboa. Ainda trabalhou durante algum tempo na área do marketing, apesar de não ser a sua paixão.

A primeira vez que cantou em público tinha 11 anos — interpretou um príncipe numa ópera infantil. A avó foi uma das pessoas que mais o encorajaram. Tinha um piano em casa e disse ao neto João que, se ele aprendesse a tocar, podia ficar com ele — e hoje em dia é o piano que João Mendonza tem em casa, onde continua a tocar e a cantar, para treinar a voz, mesmo quando não é possível dar concertos.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT