Televisão

Vi a estreia de “Cristina ComVida” e tenho quase a certeza de que Toy se perdeu pelo caminho

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o novo programa de Cristina Ferreira na TVI.
O programa estreou esta segunda-feira.

Esta segunda-feira, 29 de março, estreou “Cristina ComVida”, o novo programa de Cristina Ferreira para os finais de tarde da TVI. Porquê “ComVida”? Porque o cenário é uma casa e Cristina convida pessoas, com vida. Ainda pensaram convidar alguns mortos-vivos mas não dão grandes entrevistados porque são como o Joe Berardo: cospem-se todos e não se percebe nada do que dizem.

Como não estamos a falar de uma Cristina qualquer, esta também não é uma casa qualquer. São 800 metros quadrados de área total e 500 metros quadrados de cenário, no mesmo espaço onde foi construída a primeira casa do “Big Brother”, na Venda do Pinheiro.

Cristina chega à sua nova casa com um saco de compras e quando abre a porta dá de caras com Toy. O cantor está a meter minis no congelador, enquanto canta o seu tema “põe a cerveja no congelador, e vem fazer amor, e vem fazer amor…” Cristina ficou assustada ao ver um homem a mexer-lhe no frigorífico, mas principalmente com a sua proposta de fazer amor, e por isso encontrou uma forma elegante de o mandar dar uma volta.

“Olha, vai comprar uns frangos para o jantar, pode ser? Sobes a rua e cortas à esquerda, não tem nada que enganar.” Cristina fez-me lembrar aquelas tangas que os irmãos mais velhos dão aos mais novos quando querem fumar sem o risco de serem denunciados aos pais. Toy lá foi aos frangos e deve ter um sentido de orientação péssimo, como eu, porque só apareceu no final do programa, passado uma hora e tal. O que vale é que Cristina já tinha convidado o seu afilhado Ruben Correia, que é cozinheiro e que fez o jantar, com o que encontrou no frigorífico. Que era o quê? Frango, pois claro. Há mais frango na casa da Cristina do que na Casa dos Frangos de Moscavide.

Eu adoro frango, mas acho que para a inauguração da casa podiam ter escolhido uma coisa um pouco mais sofisticada. Foi mal lembrado. Em vez de mandar o Toy ir comprar frangos, a Cristina devia ter-lhe pedido aquelas sopas maravilhosas que ele fazia ao pequeno-almoço na saudosa “Casa do Toy”, com pão Bimbo, vinho e mel.  

Entretanto tocam à porta e Cristina começa a sua maratona de saltos altos pela casa. Tenho a sensação de que, só a ir e vir da porta, a apresentadora deve ter feito à volta de 100 quilómetros a andar. A primeira convidada é Célia, uma das concorrentes do primeiro “Big Brother”, que é recebida por Cristina com o seu famoso grito de receção: “É a Céééééééééééliaaaaaaaaa!”. 

Estranhei que tivesse vindo sem Telmo, o seu marido e também ex-concorrente do “BB”, até que o mestre de obras — interpretado pelo Eduardo Madeira – avisa que há uma grua por cima da casa com uma pessoa lá em cima. Depois de algum suspense, percebemos que era Telmo nas alturas. Num ato de coragem e amor – replicando uma das cenas icónicas de Marco Borges, no primeiro “BB” — Telmo atira-se cá para baixo, com um ramo de flores na mão. Desta vez o marido de Célia preferiu invadir por cima em vez de entrar pela guarita, o que me pareceu uma boa opção tendo em conta o horário do programa.

Enquanto estavam no jardim, surgiu uma daquelas avionetas com mensagens que os concorrentes dos reality shows costumam receber. Ainda pensei que pudesse ser o Toy a pedir indicações para encontrar a churrasqueira, mas não. A mensagem dizia “Cristina o sonho começa agora”. A apresentadora emocionou-se com o gesto e eu fiquei sem perceber o que queria dizer aquela mensagem e quem a teria enviado.

Se calhar é um jogo do “Preço Certo” que a Cristina gosta muito de ver àquela hora e o Fernando Mendes não quis deixar de avisá-la. Foi querido. Depois de um pouco de conversa com o casal “BB” sobre filhos e outros “fight divers” — como diria Telmo — voltam a tocar à porta. Cristina faz mais seis quilómetros e lá abre a porta com grande surpresa por estarem ali dois rapazes que dizem ser padres. “Padres com essa carinha?”, pergunta Cristina desconfiada, já a achar que devia ser um esquema para lhe extorquir dinheiro. Mas, afinal, Antoninho e Pedro são mesmo padres, apesar de estarem vestidos como se fossem sair para a discoteca Bliss.

Os sacerdotes e irmãos são também cantores e por isso levaram uma guitarra e criaram um momento musical no sofá da Cristina. O tema “Tu és o Senhor” fazia lembrar o estilo dos D.A.M.A — se os D.A.M.A. fossem religiosos virgens — mas a música até tinha piada, sendo que estava à espera que a qualquer momento um deles começasse a rappar: “Yo, Tu és o Senhor / eu louvo-Te a cantar / indica o caminho ao Toy / que nós queremos jantar”. 

Entretanto juntou-se à festa um dos concorrentes do “All Together Now”, o Miguel, que fez um enorme sucesso no programa, com a sua interpretação de uma música de Pedro Abrunhosa. Por falar nele, a campainha toca mais uma vez e lá vai Cristina montada nos seus saltos altos abrir a porta ao cantor portuense. Pedro senta-se ao piano e juntamente com Miguel cantam “Para os braços da minha mãe”.

O miúdo é um artista dos pés à cabeça e merece este destaque porque tem tudo para ser um dos grandes. Foi um momento incrível e até o próprio Pedro Abrunhosa confessou ficar “emocionado com a interpretação dele”, e eu também fiquei. Não por causa da música, mas porque só imaginava o Toy, perdido algures na Venda do Pinheiro, a tentar encontrar a casa dos frangos e a chorar porque ninguém se lembrou de tirar as minis do congelador. 

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