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Vivia numa cave com aranhas e baratas. Agora ganhou o botão dourado no “Got Talent”

Nuno Couto dedicou a atuação no programa à mãe, que sempre foi "uma lutadora" — apesar das dificuldades.
Foi o grande destaque.

Nuno Couto sempre viu na mãe a sua maior força e uma “rocha”. Fazia todo o sentido, então, que lhe dedicasse a atuação no “Got Talent Portugal”. O artista apresentou-se no palco do programa da RTP neste domingo, 4 de fevereiro, e foi um dos grandes destaques da noite — recebeu um botão dourado de Inês Aires Pereira, que ficou extremamente comovida com a atuação.

“Até ontem não acreditava que isto tinha acontecido. Não me lembro de nada e pensava que tinha sido um sonho”, conta o jovem de 24 anos à NiT. Confessa que sempre que se apresenta à frente de um público, fica “com o sistema nervoso muito ativo” e, quando sai do palco esquece-se de tudo o que acabou de acontecer.

Por outro lado, há duas coisas que estão sempre presentes na sua memória: a admiração que tem pela progenitora e a paixão pela música. Começou a escrever as próprias letras quando tinha apenas oito anos. “Na escola não fazia o que os professores mandavam. Em vez de fazer os exercícios que estavam no quadro, fazia canções. Depois, quando ia para casa, continuava”, recorda.

Quando era miúdo, queria ser ator, mas o destino tinha planos diferentes para quem brincava nas ruas de Paredes. Rapidamente, Nuno descobriu que através dos seus temas conseguia mostrar as suas diferentes emoções e, de certa forma, representar.

Apesar de estar noutra fase da vida, continua a inspirar-se nos momentos mais difíceis da sua infância. Quando nasceu, os seus pais vendiam pão de porta em porta. Para ter algum dinheiro extra, o patriarca da família tinha um segundo trabalho noturno como segurança. Apesar de terem uma casa mobilada, normalmente dormiam na cave do café que acabaram por adquirir pouco antes do nascimento de Nuno.

“Éramos quatro numa só cama [tem uma irmã que é cinco anos mais velha]. Aquilo lá em baixo tinha aranhas e baratas. Tive uma infância muito dura, mas a minha mãe conseguiu superar e continuou a lutar. Ela ensinou-me que a vida é feita de altos e baixos”, afirma.

Por tudo isto, Nuno cresceu demasiado revoltado com a vida. Tratava mal os pais (algo que se arrepende até hoje) e era muitas vezes expulso das aulas. Toda a gente dizia que era hiperativo, o que não era verdade. “Era apenas um transtorno emocional devido a tudo o que tinha passado. Nem eu sabia disso”.

Os versos que escrevia eram mantidos em segredo. Só começou a mostrá-los quando tinha 15 anos a pessoas com as quais se identificasse. “Chegou a uma altura em que vi que a música era o que mais gostava de fazer.”

Este sonho tornou-se possível graças ao seu próprio esforço. Atualmente, faz transporte de mercadorias, um trabalho que lhe ocupa a semana, e 80 por cento do ordenado vai para a gravação dos seus temas. No início da carreira, fazia-o “em estúdios básicos”. Gravava-os e guardava-os, porque ainda não se sentia preparado para os apresentar a Portugal inteiro.

Quando houve um concurso de talentos em Paredes, decidiu participar — apesar dos nervos que sentia. Acabou por ser a melhor decisão que podia ter tomado, pois tornou-se o grande vencedor. “Foi a força de que precisava para começar a apostar ainda mais na música”, garante. No ano passado, teve cerca de 25 concertos na zona em que vive.

Participar no “Got Talent Portugal” surgiu por mero acaso. Estava deitado, de férias, quando viu uma publicação do programa no Google. Ainda não estava 100 por cento confiante das suas capacidades, mas decidiu inscrever-se. “Passado uma semana ligaram-me a dizer que tinha sido selecionado”, recorda.

Dedicar a atuação à mãe parecia-lhe óbvio. Apesar de Nuno ter mantido escondida esta parte da sua vida, a progenitora foi uma grande apoiante quando a descobriu. “Ela sempre foi uma força e inspiração para que eu continuasse a lutar pela música, porque não é uma vida fácil. Esta foi uma forma de lhe provar que estou mudado e de a honrar”.

Atualmente, quando dá concertos, Adília está sempre presente. Isto apesar de o seu estilo ser o rap, um género que pensava que não seria “bem recebido por todos”. “Mas os meus pais gostaram de como eu me expresso”, afirma com alívio.

Nuno garante que a sua próxima atuação no programa vai ser  melhor. Desde o dia do botão dourado que começou a levar tudo ainda mais a sério. As palavras de Inês Aires Pereira também o influenciaram. “Tira tudo o que tens aí dentro”, disse a atriz. 

Logo na viagem de Lisboa para Paredes começou a compor uma nova canção. Gravou-a e preparou um videoclipe, que será divulgado no dia em que subir ao palco mais uma vez. Também está a ter aulas de canto para ter uma atuação ainda mais profissional. “Quero mostrar uma evolução da minha parte e, claro, trazer o prémio para casa”.

 
 
 
 
 
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