Alimentação Saudável

Toda a verdade sobre a soja

Há prós e contras sobre o consumo desta proteína de origem vegetal, considerada na China como “o grão divino”. A nutricionista Sofia Pinto ajuda a tirar dúvidas sobre este alimento.

É uma das leguminosas mais cultivadas no mundo, fonte de proteína vegetal, isoflavonas e outros nutrientes como o fósforo, o potássio, as vitaminas B e E, o ferro, o zinco e o cálcio. A soja é um alimento rico em fibra e pouco calórico.

Original da China, de onde faz parte da dieta alimentar há mais de 3 mil anos, pertence à família botânica das leguminosas — como o grão de bico, a lentilha, o feijão, a ervilha — e é conhecida pelo nome comum de soja, mas também como feijão-soja ou feijão-chinês. Na China chamam-lhe também “grão divino”. Reza a lenda que o feijão de soja surgiu espontaneamente há milhares de anos, num momento em que a China enfrentava uma fome terrível. O responsável pela dádiva foi o deus chinês da agricultura, Hou-tsi, que ofereceu a planta ao imperador chinês.

A partir do século VII começou a ser conhecida no resto do mundo: primeiro no Japão, um dos países que atualmente mais consome esta leguminosa; depois na Europa, no século XVII e no século seguinte nos Estados Unidos.

Vantagens
A riqueza em proteínas vegetais de elevada qualidade, torna a soja uma mais-valia para pessoas em regimes vegetarianos, aparecendo como substituto da carne, mas não só. Segundo a nutricionista Sofia Pinto, quando em formato de leite ou iogurtes, por exemplo, é um excelente substituto do leite de vaca, não só para os vegetarianos, como para quem sofre de intolerância à lactose, ou para quem simplesmente excluiu o leite da sua alimentação.

Possui a capacidade de reproduzir algumas hormonas femininas como o estrogénio, o que ajuda a estabilizar a parte hormonal, especialmente na fase da menopausa, diminuindo os sintomas da mesma e até da tensão pré-menstrual.Quando comparada com outras leguminosa, a soja apresenta uma maior concentração de proteínas e gorduras boas (mono e polinsaturadas).

Desvantagens
Pode causar reações alérgicas da mesma forma que o leite de vaca; muitas das bebidas de soja, consumidas como substituição do leite de vaca, não contêm uma quantidade de cálcio significativa, a não ser que sejam enriquecidas. Mesmo assim, a quantidade é sempre menor que a do leite de vaca.

Outra nota negativa vai para a forma como consumimos soja hoje em dia: através de alimentos processados como a bebida de soja, soja granulada, molho, iogurtes -— pelo que tem sempre os malefícios dos produtos processados, como conservantes e outros aditivos.

Mas a questão mais negativa é o facto de a maioria, hoje em dia, ser transgénica, ou seja, geneticamente modificada — recordemos que ainda não se conhece muito, nem se sabe, o que os produtos transgénicos podem ou não fazer a longo prazo no organismo.

Como qualquer alimento, a soja, tem os seus benefícios e malefícios, pelo que se devem pesar os prós e os contras e chegar a uma conclusão individual, recomenda a nutricionista. Segundo a mesma “as evidências até ao momento sobre a soja são reconfortantes, e desde que se tenha uma alimentação variada e equilibrada, não haverá risco maior”.

Em que produtos a devemos incluir e excluir
Para Sofia Pinto, a soja pode ser incluída no dia a dia sob a forma de bebida vegetal, iogurtes, creme vegetal, grãos e rebentos de soja, tofu e soja granulada. Por outro lado deve ser evitada no em forma de natas, óleo, molhos, almôndegas, salsichas ou hambúrgueres. Estes últimos alimentos são mais ricos em gorduras.

Há ainda a possibilidade de a incluir no quotidiano através de suplementos alimentares disponíveis com este composto, sendo que aqui os níveis de soja podem variar consideravelmente de produto para produto.

“É sempre aconselhável recorrer a fontes orgânicas, em detrimento de outras, para usufruir de todos os seus benefícios de uma forma natural”, explica Sofia Pinto.

A nutricionista deixa também o alerta “para quem tem hipersensibilidade ou alergia à soja, uma vez que hoje em dia é também muito utilizada pela indústria alimentícia como ingrediente de vários alimentos processados que não estaria à espera que tivessem soja, como bolachas, cereais”.

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