Ginásios e outdoor

O que é que acontece ao nosso corpo quando deixamos de treinar?

Em 10 dias, 15 dias, passado um mês e passado três meses. O personal trainer Paulo Ah Quin explica.

Vamos supor a seguinte situação. Durante três semanas é o mais empenhado da sala de ginásio: não falha um treino, já conhece todos os personal trainers, cumprimenta pessoas na sala de fitness e já sabe de cor o horário de todas as aulas de grupo. Por mais cansado que esteja, ou por mais sono que tenha, não cede e nunca falha um treino. Até ao dia em que surge um imprevisto ou em que a preguiça ganha e decide adiar. O problema começa aqui: o pensamento “amanhã vou” começa a ser recorrente e, de repente, passaram cinco meses sem que tenha posto os pés numa passadeira. E o corpo sente quando deixamos de treinar.

“Todos conhecemos os benefícios do exercício no nosso corpo, que vão desde o controlo do peso à melhoria de estados psíquicos, passando por outros mais concretos ao nível da saúde”, diz Paulo Ah Quin, master trainer doHolmes Place com quem a NiT falou para perceber o que é vai acontecendo ao nosso corpo quando deixamos de treinar.

O PT indicou as consequências repartidas por etapas: passados dez dias, 15 dias, um mês ou três meses. Sabia que deixar de treinar prejudica a memória e que apenas em duas semanas dá-se logo uma diminuição na condição física?

10 Dias: Perda de memória e depressão

“A nossa memória começa a fraquejar”, diz o especialista. Isto acontece porque “o hipocampus, a parte do cérebro envolvida nas emoções e memória, deixa de ser tão irrigado, reduzindo a sua função até 10%”. Além do enfraquecimento desta capacidade, ficamos mais “propensos à depressão”.

15 Dias: tensão e níveis de glicémia pioram

Se ficar sem treinar 15 dias, vai perder toda a evolução da pressão arterial conseguida nesse tempo. Por outro lado, e muito pior, é o facto de perder o equivalente a “oito meses de adaptações de glucose [açúcar armazenado] geradas pelo treino”. Paulo Ah Quin diz que quem sofre de hipertensão arterial ou tem tendência para diabetes “não deve exceder este limite de tempo”.

Além disto, a performance e a condição física começam a mudar, sendo que se perde “até 10% de V02 Max”, que corresponde ao consumo de oxigénio.

4 semanas: menos força, menos resistência

A perda de resistência já diminui a partir das duas semanas, mas, a partir das três pior: “Perdemos de 15% a 21% de VO2 max., que significa uma perda substancial de performance física, como resultado de perda de massa muscular, redução do metabolismo e perda de força”, indica. “Com a perda de massa muscular, a potência, a velocidade, a agilidade e a mobilidade ficam comprometidas”.

5 semanas: massa gorda começa a aumentar significativamente

“Um estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research, de 2012, mostrou que atletas [neste caso específico, nadadores de competição] chegam a ganhar 12% de massa gorda após 5 semanas de interregno do treino”, indica Paulo Ah Quin.

3 meses: perda grave de condição física

“Após três meses de ausência de exercício, o nosso VO2 max. tem perdas superiores a 21%”, dica. A somar a isto, há ainda “uma redução de 50% de enzimas no sangue associadas à resistência.” Ou seja, se conseguia correr dez quilómetros seguidos sem problema, esqueça – vai ser muito mais doloroso.

Conclusão

Paulo Ah Quin, termina a conversa com um alerta: “Se o exercício traz benefícios de saúde e bem estar, começar e manter a atividade física estruturada como parte da sua rotina diária deve ser uma decisão consciente”.

Por isso, seja realista: organize-se e assuma o compromisso, dentro das possibilidades.

“Devemos manter um equilíbrio entre a quantidade de exercício e o tempo que nos permite recuperar de treino para treino, sendo que a qualidade deve preceder sempre a quantidade”, termina.

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