Alimentação Saudável

Agora as mudanças foram a sério: Fábio perdeu 28 quilos no último ano e meio

Na sua pior fase, chegou a pesar mais de cem quilos. Está com 70 neste momento, quase todos perdidos durante a pandemia.
Começou em fevereiro de 2020.

Em fevereiro do ano passado, estava a pandemia prestes a começar por cá, Fábio Belo pesou-se e registou 98 quilos e um índice de massa corporal (IMC) de 31,6 que já apontava para obesidade. Um ano e meio depois,chega agora ao fim do verão com 70 quilos (e um IMC de 22,6). Esta não foi a sua primeira luta contra o peso. Mas foi de longe a mais eficaz.

A crescer, o peso nunca fora uma preocupação na sua vida, conta à NiT. Foi assim até ao final da adolescência, por volta dos 16, 17 anos. A adolescência pode ser etapa ingrata na auto-estima e para Fábio foi nessa fase que começou a olhar para si de forma diferente. “Via um corpo descuidado”.

Nos 10 anos seguintes a preocupação foi tomando mais parte da sua vida. Experimentou dietas, tentou com apoio de nutricionistas, chegou a experimentar drenantes, comprimidos. Houve uma fase em que chegou a perder 10 quilos mas com o tempo voltou a ganhá-los — e um pouco mais, como tantas vezes acontece quando se entra na chamada fase de “dietas iô-iô”.

Na sua fase mais pesada, chegou a ter 104 quilos. Aquele vai-vem com o peso também era emocionalmente desgastante. E depois havia esta dúvida que persistia, e que ainda demoraria algum tempo a resolver, sobre como conseguir mudanças que viessem para ficar. Curiosamente, parte dela começou por outras mudanças na sua vida.

Há três anos, Fábio, natural de Alpalhão, Nisa, deixou o jornalismo e passou a dedicar o seu tempo à criação de conteúdos. Montou o seu blogue, aventurou-se no Instagram e foi explorando outros temas que lhe interessavam. “Ao início era blogue de lifestyle mas como as receitas tinham alguma audiência, fui apostando mais nisso. Os leitores do blogue iam-me desafiando e foi a partir daí que começou”, recorda.

O tema interessava-lhe, as receitas saudáveis eram um novo prazer mas havia coisas por resolver. “Achei que para ser correto com quem me segue, era importante ir além das receitas e ter mesmo um estilo de vida mais saudável”, conta-nos. Foi aí que o esquema mental começou a mudar. Para as mudanças no peso perdurarem era preciso fazer as coisas de forma diferente e não apenas controlar o que comia durante um tempo.

O antes e o depois de Fábio.

“Noutras dietas que fiz era tudo muito restritivo”, afirma. Fritos, doces, açúcares refinados, refrigerantes, tudo isso deixou de ser opção. Passou a estar mais atento ao que comia (e às quantidades). Pelo meio, experimentou também fazer jejum intermitente.

À NiT, a nutricionista Bárbara de Almeida Araújo já havia explicado que há um certo mito em torno do jejum intermitente e o emagrecimento. A autora do blogue NiT, “Loveat”, que nos explica que o jejum intermitente é, na verdade, uma estratégia para que o nosso corpo esteja mais ativo a regenerar-se e a estar mais atento e alerta.

Há diferentes abordagens para o jejum intermitente. No caso de Mafalda, sempre que aconselha este método em consulta, usa-o como estratégia de compensação e não como método de emagrecimento. É o tipo de estratégia que pode funcionar mas que depende de a pessoa se sentir bem a praticá-lo, sem sintomas associados a uma quebra glicémica (o que poderia levar a sentirmo-nos mal, maior irritabilidade, fadiga e stress). Combinando com outros cuidados, pode trazer benefícios desde que vá sendo adaptado a cada pessoa (e a cada corpo).

No caso de Fábio, atualmente com 27 anos, estas mudanças fizeram-se acompanhar de maior propensão para o exercício. As caminhadas são já parte habitual da sua vida. Juntou-lhes corridas (nada de demasiado extenso, cerca de três ou quatro quilómetros) e algum trabalho mais localizado de força.

“Sempre tentei fazer exercício físico. Mas antes se calhar fazia três quilómetros e parecia que estava a fazer uma maratona. Ficava mesmo cansado”. Agora já não. Na comida também já nota diferenças, o que também permite alguma margem para pontuais abusos. Parecendo que não, a margem para pequenos excessos pode não ser contra-producente se encontrarmos aí motivação.. “Agora durante a semana vou sendo sempre saudável e ao sábado e domingo tenho uma refeição onde estou à vontade”.

“Já tinha tentado tanta vez fazer dieta e não corria bem. Percebi que tinha mesmo de adotar um novo estilo de vida e ir partilhando”. Não foi assim desde o início, atenção. Foi primeiro em casa e com a família mais próximo que anúncio do que ia mudar chegou.

“Ao início acho que não me levaram a sério”, ri-se agora a contar. Afinal de contas, já tinha outras tentativas no passado que também acabaram por não resultar. “Era aquilo do ‘lá vai ele tentar mas depois se calhar farta-se’, mas não.

Em março deste ano, já após cumprir um ano de mudanças, partilhou com quem o seguia nas redes sociais uma imagem que dava conta das mudanças. “Surpreendeu um pouco a reação”, conta. “Nessa altura recebi muitas mensagens e e-mails a perguntar o que tinha feito, como estava a fazer. Expliquei que ainda não era a altura certa”. Queria ter a certeza de que funcionava. Quando decidiu que era altura de responder à tal questão sobre que mudanças fez, decidiu pôr mãos à obra.

Juntou algumas imagens, o seu relato, mudanças mais marcantes e complementou com algumas das receitas saudáveis da sua autoria e lançou um e-book (3,5€). Chamou-lhe “Sem Desculpas”, mensagem que acaba por ser um pouco o que disse a si próprio quando percebeu que podia ter mudanças mais duradouras.

Claro que há coisas que deixam saudades. Mas é engraçado ver como, com o tempo, o corpo também vai aprendendo algumas coisas que podem ajudar. “O mais difícil de deixar foram as batatas fritas. Também gosto de doces mas desde que faço receitas saudáveis que quando dou duas ou três dentadas num bolo menos saudável fico logo enjoado”.

A nutricionista Sónia Marcelo já deixou noutras alturas o  alerta à NiT: “ser saudável e emagrecer não passa por restrições, sacrifícios e isolar-se do mundo”. Há, no entanto, algumas dicas e estratégias que podem ajudar na hora de começar este processo. A grande mudança não passa por aquilo que deixa de comer, mas pela forma como pensa. Portanto, a primeira alteração deve ser psicológica. No total, a nutricionista partilha sete passos simples e eficazes que vão fazer a diferença.

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