Alimentação Saudável

Parlamento Europeu quer proibir expressões como “hambúrguer vegetariano”

A proposta polémica vai a votos no dia 19 de outubro — e pode mudar a história da Humanidade.
Há cada vez mais opções.

O Parlamento Europeu vai votar na próxima semana, mais concretamente a 19 de outubro, as alterações à Politica Agrícola Comum (PAC) que proibiriam as empresas europeias de designar os seus produtos como “hambúrguer vegetariano” ou “salsicha de origem vegetal”. A ideia é também restringir mais a nomeação de alternativas lácteas de origem vegetal, proibindo termos como “estilo iogurte”, “alternativa ao queijo” ou “substituto de manteiga”.

Na prática, isto poderia significar a necessidade de re-etiquar os produtos existentes, de acordo com o novo enquadramento legal, criando incerteza e levando as empresas a incorrer em processos com custos elevados. Caso se torne lei, por exemplo, as salsichas e os hambúrgueres vegetarianos poderiam passar a chamar-se “tubos” ou “discos” vegetais.

O argumento principal de quem propõe estas medidas é o de que serviria para evitar a confusão dos consumidores. No entanto, a proposta não está a ser bem aceite pelos cidadãos ou pela indústria europeia. Já são várias as empresas e organizações que se insurgiram contra estas medidas  — e até há um movimento dos cidadãos para as travar.

As críticas à proposta

Mais de 150 mil cidadãos europeus estão a apelar aos eurodeputados para rejeitarem a proposta que visa proibir as empresas de utilizar termos como hambúrguer, salsicha ou bife para descrever produtos vegetarianos. O movimento tem sido conhecido como o “burger ban”, que, em português, significa algo como a proibição dos hambúrgueres vegetarianos. 

Também várias organizações e empresas europeias se mobilizaram contra estas alterações legislativas. A European Alliance for Plant Based Foods, que inclui empresas como a Nestlé, defende que ambas as emendas são contrárias à direção progressista da União Europeia, nomeadamente a promoção de uma alimentação saudável, como está presente no Pacto Verde Europeu. 

Um estudo recente da Organização Europeia de Consumidores (BEUC) revela que os europeus são favoráveis ao uso destes termos para designar produtos vegetarianos parecidos com carne. O inquérito, realizado em dez estados-membros, apurou que mais de 68 por cento dos consumidores apoiam rótulos de “hambúrguer” e “bife” para designar produtos vegetarianos alternativos à carne — desde que eles estejam devidamente identificados como vegetarianos ou de origem vegetal. 

O vegetarianismo em Portugal

Em Portugal, este setor tem vindo a crescer, sendo que a Associação Vegetariana Portuguesa não concorda com a medida. Nuno Alvim, presidente da organização, defende que as alterações 165 e 171 à Política Agrícola Comum são uma intromissão burocrata na liberdade do mercado europeu, criando restrições desnecessárias para as empresas que procuram inovar no setor alimentar.

No nosso País, existem pelo menos 120 mil consumidores vegetarianos, de acordo com esta associação, sendo que cerca de 764 mil pessoas fazem uma alimentação flexitariana, ou seja, ocasionalmente vegetariana. O mercado vegetariano e vegano aumentou 514 por cento entre 2008 e 2018, um crescimento que acompanha os restantes Estados-Membros europeus.

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