Alimentação Saudável
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Alimentação Saudável

Barato e versátil. Este alimento pode ajudar a prevenir o cancro

Os brócolos também têm nutrientes que contribuem para o reforço dos mecanismos naturais de defesa do organismo.

Todos os anos, mais de 10 milhões de pessoas morrem de cancro. Existem várias formas de tentar prevenir este desfecho, quer seja através de exames frequentes ou da adoção de um estilo de vida mais ativo. A alimentação, contudo, pode ser um dos fatores mais importantes — e há um alimento que pode ser uma arma secreto. Os brócolos têm vindo a ganhar destaque na investigação científica pelas suas possíveis propriedades protetoras contra a doença oncológica, sendo cada vez mais apontados por especialistas em nutrição como um produto relevante numa alimentação preventiva.

Segundo o que a nutricionista Filipa Costa conta à NiT, os benefícios desta crucífera estão sobretudo associados à presença de glucosinolatos, compostos naturais que, após metabolização no organismo, dão origem ao sulforafano — uma substância amplamente estudada pela comunidade científica. É este mesmo composto que tem demonstrado potencial na redução do risco de desenvolvimento de alguns tipos de cancro, podendo atuar tanto ao nível preventivo como, possivelmente, na progressão da doença.

“O sulforafano tem vindo a ser cada vez mais investigado precisamente pela sua capacidade de interferir em mecanismos celulares associados ao desenvolvimento tumoral”, explica a especialista. 

O impacto deste composto resulta da sua ação em diferentes processos biológicos essenciais. O sulforafano contribui para ativar enzimas responsáveis pela desintoxicação do organismo, ajudando a eliminar substâncias potencialmente carcinogénicas, ao mesmo tempo que regula processos inflamatórios e influencia a forma como as células crescem e se renovam. Estes mecanismos parecem estar ligados à inibição do crescimento tumoral e à proteção contra alterações celulares.

“Não estamos a falar de um alimento milagroso, mas sim de um conjunto de interações bioquímicas que ajudam o organismo a defender-se melhor”, realça. “A alimentação funciona como um terreno que pode favorecer ou dificultar o desenvolvimento da doença.”

Além do possível papel na prevenção do cancro, os brócolos apresentam efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios relevantes. Estes nutrientes ajudam a reduzir o stress oxidativo — um processo associado ao envelhecimento celular e ao aparecimento de várias doenças — e contribuem para reforçar os mecanismos naturais de defesa do organismo. A proteção do DNA contra danos celulares é outro dos benefícios apontados.

“Quando conseguimos diminuir o stress oxidativo e regular a inflamação, estamos a atuar numa das bases da prevenção de várias patologias crónicas”, destaca Filipa Costa. “O impacto não se limita ao cancro. É, sim, uma melhoria da saúde como um todo.”

Os benefícios estendem-se a outras áreas do organismo. O consumo regular de brócolos pode contribuir para a saúde cardiovascular, ajudar no controlo dos níveis de açúcar no sangue e melhorar o funcionamento gastrointestinal graças ao elevado teor de fibra. Além disso, são uma fonte relevante de vitaminas e minerais essenciais.

“A vitamina K presente nos brócolos tem um papel fundamental na saúde óssea, porque participa na ativação de proteínas responsáveis por fixar o cálcio nos ossos”, acrescenta. “Mesmo não sendo o alimento mais rico em cálcio, a sua biodisponibilidade é interessante.”

A forma de confeção é, contudo, determinante para preservar os compostos benéficos. A nutricionista alerta que cozinhar excessivamente o alimento pode comprometer a formação do sulforafano, reduzindo parte do seu potencial protetor.

“O ideal é consumi-los crus ou ligeiramente cozinhados a vapor durante poucos minutos”, aconselha. “A cozedura prolongada destrói a enzima necessária para formar o sulforafano.” A forma como comemos também tem um papel essencial neste processo. “Quanto melhor mastigamos, maior é a ativação destes compostos benéficos.”

Quanto à quantidade recomendada, não existe ainda uma dose universal definida pela ciência, embora a evidência aponte para vantagens claras no consumo regular de vegetais crucíferos. De forma geral, recomenda-se a ingestão de três a cinco porções semanais, sendo cada porção equivalente a cerca de 80 a 100 gramas.

“Mais importante do que consumir grandes quantidades ocasionalmente é manter uma ingestão consistente ao longo do tempo”, salienta. “É a regularidade alimentar que produz efeitos reais na saúde.”

Os brócolos não são, contudo, o único alimento associado à prevenção do cancro. Entre os alimentos recomendados encontram-se outras crucíferas, como a couve, a couve-flor e a couve-de-bruxelas, bem como frutos vermelhos ricos em polifenóis, tomate, alho e cebola, chá verde, leguminosas e cereais integrais.

“A prevenção do cancro não depende de um único alimento, mas sim de padrões alimentares consistentes. Quanto maior for a diversidade de compostos protetores na dieta, maior será o apoio que damos ao organismo para funcionar de forma equilibrada.”

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