Alimentação Saudável

Alimentação Saudável

Débora pesava 137 quilos e mal conseguia levantar-se da cama. Decidiu mudar pela filha

Trocar as bolachas por uvas é um dos truques que mantém até hoje — e que a ajudou a perder 60 quilos.

“Não quero viver assim. Não quero que esta seja a vida que a minha filha conhece.” Foi isto que Débora Rodrigues pensou quando subiu à balança, na primeira consulta da gravidez, e viu que pesava 137 quilos. Tinha 23 anos e estava prestes a tornar-se mãe. Hoje, aos 26, já perdeu 60 quilos e consegue fazer coisas que durante anos lhe pareceram impossíveis: correr, praticar desporto, acompanhar a filha e até atar os próprios sapatos.

Até aos 15 anos, a jovem de Lagos, no Algarve, tinha um peso considerado normal para a idade e nunca sentiu uma preocupação especial com o corpo. Era, pelo contrário, muito ativa. Percorria a pé os cerca de três quilómetros entre casa e a escola, usava a bicicleta para visitar amigos e adorava patinagem, voleibol, basquetebol, corta-mato e futebol.

“Muitas vezes preferia simplesmente pegar em mim e ir a pé ou de bicicleta para casa do que esperar pelos horários dos autocarros”, conta à NiT a dona da BeeLight, uma marca que produz roupa, puzzles, canecas e artigos para casamentos.

A mudança arrancou em 2016, altura em que começou a namorar. “Ele conseguia comer praticamente tudo sem engordar e a nossa alimentação era muito baseada em fast food e alimentos processados”, recorda.

Em 2019, outra alteração teve impacto na rotina: arranjou emprego como nail designer. “Trabalhava sentada e dediquei-me por completo ao trabalho. Chegava a passar 12 a 14 horas sentada, praticamente sem pausas.”

A alimentação, claro, não ajudava. Por vezes comia apenas uma vez por dia e, quando o fazia, optava por quantidades exageradas de comida. “Podia ser, por exemplo, um quilo de lasanhada acompanhado de Coca-Cola e gelado”, revela.

E continua: “A comida tornou-se o meu conforto. Era a minha pausa e a minha recompensa depois de um dia de trabalho.”

A gravidez foi o ponto de viragem, mas não foi o único motivo. “Conheci uma pessoa que acabou por me fazer olhar para mim de outra forma e, pouco tempo depois, descobri que estava grávida. Foi uma mistura que mudou completamente a minha perspetiva: o amor que estava a construir naquela relação e a chegada da minha filha.”

Nos primeiros seis meses depois do parto, concentrou-se na alimentação. Retirou de casa sumos, fritos, alimentos processados, refeições pré-confecionadas, molhos, batatas, pão e açúcar. A mudança aconteceu sem um plano de exercício nessa fase.

A introdução alimentar da filha acabou por reforçar a nova rotina, já que Débora começou a preparar para si refeições semelhantes às que dava à menina. “Se ela comia brócolos com frango, então eu também ia comer brócolos com frango”, explica.

Os pratos passaram a ter poucos temperos, sem molhos e com alimentos que considerava mais saudáveis. Nos dois primeiros anos, perdeu 37 quilos sem frequentar o ginásio. A alteração estava centrada na alimentação e na construção de novos hábitos dentro de casa.

 
 
 
 
 
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Mais tarde, procurou acompanhamento para continuar o processo. O antigo médico de família tinha-a encaminhado para consultas de risco metabólico, onde chegou a ser avaliada a possibilidade de uma cirurgia bariátrica. Depois de perder os primeiros 37 quilos, foi chamada para uma consulta no Serviço Nacional de Saúde. Nessa altura, a cirurgia deixou de fazer sentido para a equipa que a acompanhava.

Foi-lhe proposto o Mounjaro como auxílio no processo. Débora tomou o medicamento durante sete meses, ao mesmo tempo que decidiu aumentar a atividade física. Começou a treinar com o personal trainer Paulo Piedade e passou a frequentar o ginásio três vezes por semana. Nos restantes dias, experimentava modalidades como badminton, Padel e corrida, além de Vortex. “Tornei-me uma verdadeira doida pelo desporto, quase como quando tinha 10 ou 14 anos”.

O percurso também envolveu acompanhamento de outras áreas. Débora procurou psicólogo, psiquiatra e nutricionista. Também passou a juntar-se a amigos que praticavam desporto. Para ela, a combinação desses elementos foi importante para manter a motivação ao longo do tempo.

O esforço reflete-se agora nos 60 quilos perdidos em três anos. Mas a diferença que mais valoriza não está na balança. Antes, levantar-se da cama podia exigir que se sentasse e recuperasse o fôlego. Atar os sapatos era uma tarefa que muitas vezes dependia do companheiro e ir ao supermercado a pé era evitado por antecipar o cansaço. Comprar roupa também podia transformar-se numa dificuldade.

“Hoje consigo fazer coisas que antes pareciam banais, mas que para mim eram enormes obstáculos”, conta à NiT.

A atividade física voltou a ocupar um espaço central na vida de Débora. “Consigo andar, correr, praticar desporto, brincar, acompanhar a minha filha e viver sem estar constantemente a pensar no meu corpo como uma limitação”, afirma.

A jornada também passou para as redes sociais. No Instagram, conta com mais de 20 mil seguidores. No início, publicar os progressos servia como uma forma de criar um compromisso consigo própria. Mesmo quando os vídeos tinham poucas visualizações, manter as promessas públicas ajudava-a a não abandonar os objetivos.

A comunidade que entretanto se formou acabou por ganhar importância no processo. Débora recebe mensagens de seguidores que a acompanham nos dias em que está motivada e também quando sente que está a falhar. O apoio tornou-se mais uma razão para continuar. “Hoje posso dizer que não desisto de mim por nada. Faço isto por mim, pela minha família e também por todas as pessoas que me seguem e acreditam em mim”, diz.

Para quem está a tentar perder peso, Débora não defende mudanças radicais de um dia para o outro. A própria experiência levou-a a procurar diferentes formas de acompanhamento e a começar por mudanças pequenas. “Não é preciso começar a correr 10 quilómetros ou passar duas horas no ginásio”, destaca. “Por vezes é simplesmente começar por levar o lixo a pé, caminhar 10 minutos por dia ou tirar as bolachas de casa e substituí-las por uvas, o que continua a ser um dos meus maiores truques até hoje.”

O principal conselho? “O mais importante é não desistirmos. Eu comecei por querer ser um exemplo para a minha filha e, pelo caminho, percebi que também precisava de aprender a ser um exemplo para mim.”

Carregue na galeria para ver algumas imagens de Débora durante este período de transformação pessoal.

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