Alimentação Saudável

Desta vez Cláudia conseguiu perder peso a sério. E já lá vão 10 quilos

Foram anos de dietas até finalmente encontrar o resultado que esperava. Um caso de Covid-19 serviu de alerta mas a chave foi o que aprendeu entretanto.
Cláudia Silva já perdeu mais de 10 quilos.

Por vezes, quando se fala sobre dietas, a pessoa cai num “vai, não vai”. Há aparentes sucessos que acabam por não se prolongar no tempo. Essa tinha até sido experiência de Cláudia Silva, de 33 anos, psicóloga da formação. Já não é.

Quem já tentou perder peso, por vezes, depara-se com uma montanha que parece crescer. Há medos e expetativas que fazem com que uma nova tentativa pareça ser ainda mais difícil. Mas é possível vencer a tal montanha. Cláudia é exemplo disso mesmo.

Em bebé chegou a ser bem gordinha, conta à NiT. Curiosamente: “Em criança, por incrível que pareça, o problema era aumentar o peso. Costumo brincar lá por casa que aquelas mezinhas que davam às crianças para ganhar apetite só fizeram efeito já adulta”.

“Nasci em Portugal mas com quatro meses a minha família foi para Zurique. Lá nas escolas não se comia pão, nem bolachas. O que estão agora a tentar incutir mais cá era um cuidado que já tinham lá”. A primária já fez cá. “Lembro-me de chegar a Portugal e dizer à minha mãe que vi meninos a comer pão no recreio da escola” — e a mãe até estranhava.

Lá por casa, onde cresceu, em Vale de Cambra (e onde ainda hoje em dia faz boa parte da sua vida), não abundavam bolos e refrigerantes. A Coca Cola costumava ser a exceção. “Mais por culpa do meu pai”, conta. Na adolescência e início de vida adulta o peso nunca foi propriamente uma preocupação.

Cláudia fala de si como tendo sido sempre algo “roliça” mas de uma forma ou outra nunca deixou de ser uma pessoa ativa. Mas a dada altura começou a sentir que as coisas já não eram como dantes. E as tentativas que fazia acabavam por não ser eficazes.

Foi já quando trabalhava que o desafio iria aumentar. Primeiro pela rotina, depois por um problema de saúde que a dada altura a obrigou a tomar cortisona diariamente. Puxando pela memória, há cinco, seis anos terá atingido o peso mais elevado da sua vida, já nos 78 quilos. O peso estabilizou um pouco abaixo disto, por volta dos 75, mas sempre acima do desejável.

Pelo meio, Cláudia não deixou de ter diferentes dietas, incluindo com nutricionistas. Por vezes obtinha resultados, mas não demorava muito tempo até sentir que voltava a perder força na luta contra o peso.

Cláudia confessa com algum humor que, até aos 30 anos, mal tocava em sopa. As exceções foram raras, como canja e algumas sopas de peixe. Mas aqueles caldos mais tradicionais, abundando de vegetais, não. “Chegava a fazer sopa e depois acabava por deitar fora”. Foi algo que corrigiu nos últimos anos mas ainda com regras: tem de ser ela a fazer a sopa, à maneira dela.

“Nunca me neguei a nada”, confessa sobre os seus hábitos. As jantaradas lá faziam das suas, a rotina voltava a ser exigente e muitas vezes era difícil conciliar o que lhe pediam em consulta com a sua vida. Cláudia acredita que havia alguma rigidez em certos planos nutricionais que não funcionavam tão bem. “Acabava por desmotivar. Em parte por culpa minha mas desmotivava com o tipo de método”.

Sabia que queria mudar algo mas houve um momento específico que veio mudar as coisas, já em dezembro do ano passado. Perguntamos se a pandemia teve algo a ver com isso. Teve. E não foi pouco. “Foi mesmo na altura em que estive infetada”.

Esteve duas semanas de baixa. Sentiu-se mal, esteve à beira de ser hospitalizada mas conseguiu ir recuperando em casa. Até perdeu um pouco de peso com a falta de apetite que a Covid-19 trouxe. Mas houve mais.

“Deu-me forte [a Covid], como costumo dizer. E serviu de alerta”. Sentiu as dificuldades respiratórias, o peso no corpo. Quando estava a começar a recuperar, começou a ler mais sobre nutrição. Pesquisou e chegou a Sónia Marcelo através do Instagram e marcou consulta com a nutricionista. “Foi a 16 de dezembro. ‘Boa, Cláudia, mesmo antes de Natal’”, brinca agora olhando para trás.

O que é que foi diferente desta vez? “A capacidade de empatia e de ajustar às necessidades ao estilo de vida da pessoa”. Cláudia não teve aquela sensação de que o acompanhamento era “chapa 4”. Não se sentiu julgada quando havia algum deslize. Houve uma abordagem ao longo do tempo que sentiu que era diferente.

O antes e o depois de Cláudia.

À NiT, a nutricionista responsável pelo projeto “Dicas de uma Dietista” conta que um dos primeiros elementos que percebeu que teria de trabalhar com Cláudia era “o medo”. É a tal desmotivação que paira como sombra quando já tentámos algo e não conseguimos.

Já lá vão dez quilos desde esta nova fase. Está nos 64, 65 quilos — e mais descansada no dia a dia. E houve lições que fizeram a diferença: “Eu até comia coisas saudáveis mas o problema muitas vezes era a quantidade. Isso e a combinação de alimentos”. Dá-nos até exemplos: “As papas de aveia. Até podem serem saudáveis, mas eu comia uma dose que se calhar eram duas porções e eu nem tinha noção”.

Uma das dificuldades práticas que tinha e conseguiu corrigir foi no dia a dia. Como profissional e técnica de recursos humanos, está habituada a dias longos. Podem começar cedo e acabar tarde, com reuniões, formações, e com uma hora para almoço onde nem sempre é fácil tomar decisões.

“Por exemplo, num os locais de trabalho tenho acesso a cantina. Eu neste momento vejo a ementa e, OK, se quiser como na cantina, se não quiser levo na marmita. Mas já tive pessoas a dizerem-me: ‘não, agora nunca come na cantina’. Nem sempre é fácil. E nisto foi recebendo cada vez mais dicas de como se orientar no labirinto que pode ser um dia cheio. Com Sónia Marcelo, aprendeu mesmo a definir como organizar melhor as refeições, muitas vezes resolvendo ao fim de semana eventuais percalços que o resto da semana poderá trazer.

Pelo meio deixou assentar outros ensinamentos. “Antigamente se pudesse comer pizza dois dias seguidas, fazia-o. Agora tenho mais essa consciência de que não o devo fazer”. E ganhou até mais soluções na hora de se vestir.

“Voltei a vestir alguma roupa. Antes optava mais por peças de cima que ajudavam a esconder também um pouco as pernas. Já não gostava de usar calções”. Pode parecer coisa simples mas há também um ganho nisto, de poder olhar para o roupeiro e sentir as suas opções mais em aberto.

Quando lhe perguntamos o que há agora de diferente, que dá mais confiança para o futuro, responde com facilidade: “É o mindset. É a minha relação com a comida. Esta questão de muitas vezes a fome poder ser emocional, é o parar para pensar se estou com vontade de comer porque preciso de o fazer ou se há algo que estou a tentar compensar com comida”.

Na prática, há uma maior consciência do que ganha e perde com diferentes opções. A vantagem é que não é preciso abdicar de certos prazeres. O tal chocolate, por exemplo, pode perfeitamente continuar a fazer parte da vida. A vantagem é que agora sabe melhor o quando e o quanto. Uma dieta não é uma infelicidade. Na verdade, quando percebemos que está a funcionar connosco, é exatamente o contrário.

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