Alimentação Saudável

Hábitos alimentares depois da pandemia: vamos conseguir voltar ao normal?

A nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida partilha com a NiT aquilo que se deve fazer.
Comece a mudança agora.

Por mais vezes que se vejam fotografias, reportagens e testemunhos nas redes sociais sobre algo tão real como a pandemia, ainda parece que estamos a viver um sonho. Ou, neste caso, um pesadelo. Já se passou um ano e tudo aquilo que entendíamos como a nossa realidade mudou — até a forma como nos alimentamos.

Segundo um inquérito realizado pela Direção-Geral de Saúde (DGS) no âmbito da alimentação e atividade física em contexto de contenção social, no final do primeiro confinamento, 45,1 por cento dos inquiridos afirma que os seus hábitos alimentares sofreram alterações durante este período e praticamente 42 por cento considera que foi para um padrão alimentar menos saudável.

Destaca-se o aumento do consumo de snacks salgados, alimentos pré-preparados, refrigerantes e refeições take-away. Além disso, 30,1 por cento alterou o número de refeições diárias. Por outro lado, 29,7 por cento considera ter aumentado o consumo de fruta e 21 por cento mencionam os hortícolas. 

“Estas mudanças devem-se a vários fatores mas, sobretudo, às modificações do horário de trabalho e a toda a gestão familiar em teletrabalho, ao stress e à ansiedade que toda a situação envolve”, começa por explicar a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”.

Segundo a especialista, até a forma como a compra de alimentos passou a ser feita — o boom de compras online ou compras de produtos locais (cabazes alimentares com entrega ao domicílio) — teve impacto.

“Os hábitos alimentares devem ser consistentes a longo prazo, daí a importância de serem adaptados ao estilo de vida de cada pessoa”

“Todas estas alterações que foram acontecendo na rotina das pessoas, causadas pela pandemia, criaram a necessidade de cozinharem mais e naturalmente, consumirem mais refeições em casa. Além disso, uma eventual preocupação em melhorar a alimentação e, consequentemente, as defesas imunológicas do organismo pode também ser válida”, diz à NiT.

A questão que agora se impõe é a seguinte: estas mudanças vieram para ficar? Vamos conseguir retomar os hábitos alimentares pré-pandemia quando tudo passar? A especialista diz que é possível melhorar, ainda que possa requerer algum trabalho.

“É fundamental aumentar a literacia alimentar, ou seja, capacitar a população em geral com conhecimentos que sejam sustentáveis e adequados às dinâmicas do quotidiano”, começa por dizer. Mafalda Rodrigues de Almeida destaca também a necessidade de aliar o planeamento de refeições semanais à lista de compras, um hábito que  evitará adquirir produtos desnecessários.

Além disso, deverá tentar optar por ter legumes lavados, cortados e prontos a usar para uma refeição rápida ou ter snacks saudáveis, práticos de levar e prontos a consumir. Tudo isto facilitará a vida na hora de fazer escolhas mais nutritivas, aumentando a probabilidade de deixar de lado refeições pré-prontas, fast food e take-away.

“Os hábitos alimentares devem ser consistentes a longo prazo, daí a importância de serem adaptados ao estilo de vida de cada pessoa”, acrescenta.

Começar esta mudança ainda durante o confinamento é algo em que se deve apostar. Para ajudar, a especialista sugeriu à NiT 12 snacks saudáveis que pode comer enquanto está em teletrabalho.

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