Alimentação Saudável

A história da mãe com três filhos que perdeu 27 quilos em pouco mais de meio ano

Patrícia Silva já tinha tentado outras dietas que só resultavam durante um tempo. Agora foi diferente.
O antes e depois de Patrícia.

Para muita gente, a luta contra o excesso de peso pode demorar anos. As circunstâncias nem sempre são meigas e não é fácil descobrir o que funciona. Mas há também isto: até podemos demorar tempo a acertar o passo, mas quando o fazemos, as coisas podem mudar rapidamente. E de vez.

Patrícia Silva, de 45 anos, vive na Margem Sul com o marido e é mãe de três filhos. O peso não é de toda uma preocupação nova. Foi algo que de uma forma ou outra a acompanhou na sua vida. Mas há momentos decisivos. No seu caso aconteceu já este ano quando atingiu o maior número na balança da sua vida: 98 quilos. Mais do que nunca, era preciso fazer algo.

Dia 25 de fevereiro, teve uma primeira consulta que haveria de ser decisivo. Sete meses depois, a balança aponta agora 71 quilos. São menos 27 quilos neste espaço de tempo e já memórias de verão que não deixou escapar. O que aconteceu para agora tudo ter mudado?

À NiT, Patrícia Silva conta que era “uma miúda gordinha” enquanto crescia. Não era algo especialmente fora fora do comum mas o suficiente para se lembrar daquelas alturas em que evitou ir à piscina com amigas preocupada como se sentiria com o fato de banho.

Nos tempos de faculdade, o peso fazia-se mais sentir nos temos mais stressantes. “Tendia a engordar na altura dos exames”. É daqueles períodos em que o esforço é da cabeça e outras preocupações perdem importância perante a tarefa em mãos. Algo acrescido na altura em que começou a trabalhar e ainda estudava: não sobrava muito tempo.

Não é como se quisesse dar desculpas. As circunstâncias podem ser mais ou menos exigentes, “mas se a pessoa quer e se organizar”, é possível. Demoraria ainda algum tempo a conseguir fazê-lo. Em 2006, a primeira gravidez foi um aviso: chegou a engordar 20 quilos. Seria mãe mais duas vezes. À terceira, há três anos, foi preciso ter especial cuidado.

“Tive diabetes gestacional”, conta-nos. Começou com 86 quilos. Com muito esforço e acompanhamento próximo, chegou ao fim da gravidez com apenas um quilo a mais. Este fator seria importante mais tarde. Já lhe contamos. Antes de mais, uma nota: a foto de antes que pode ver da Patrícia neste artigo foi tirada nesta altura, num casamento. Estava no início da terceira gravidez e a verdade é que mais tarde ganharia mais uma dezena de quilos. A foto do depois é já recente. O vestido é o mesmo. Foi um desafio lançado por uma amiga. Pelo resultado, é fácil de concluir: desafio superado.

“Quando temos excesso de peso, as coisas simples são mais difíceis, os dias são mais cansativos”, reconhece. Ao longo destes anos fez dietas, chegou a trabalhar com nutricionistas. Teve fases em que perdia quilos mas eles voltavam. Como responsável de um centro de explicações, acaba por ter pouca oportunidade de se manter especialmente ativa durante o dia. Com a pandemia, também isto foi agravado, com os dias a ficarem confinados, horas e horas seguidas, ao ecrã. As coisas foram ficando cada vez mais difíceis. Em fevereiro deste ano, com os tais 98 quilos, o momento torna-se óbvio para ela: tinha de fazer algo diferente.

Nessa altura, recorda, já se sentia mais constrangida a olhar-se ao espelho. Mas não foram razões estéticas que a trouxeram até aqui. “Quando se tem diabetes gestacional, aumenta o risco de virmos a ter diabetes mais tarde”. “Claro que sei que o meu marido gosta de olhar para mim com 70 quilos”. Mas a preocupação principal era mesmo a saúde, por ela e por quem lhe estava próximo. “Percebi que era mesmo uma questão de educação alimentar”.

A organização é um fator importante.

Teve a 25 de fevereiro a primeira consulta com a nutricionista Sónia Marcelo. “Houve qualquer coisa de diferente”, recorda. Quem já passou por processos de perda de peso e volta a ganhar quilos, tem tendência a desconfiar mais. Mas cedo sentiu que havia ali razão para ter “esperança”. “Até pode não resultar com toda a gente. Mas a Sónia sabe que palavras usar”. No seu caso, ficaram a ecoar.

Para lá das palavras, havia todo um trabalho para fazer. Passou pela forma como abordava a alimentação, a própria ideia de dieta. Um dos pontos chave foram as estratégias de organização. Pode parecer óbvio mas não é coisa simples: o poder preparar algumas coisas com antecedência evita logo uma série de erros.

Para uma mãe de três filhos, é fácil deixar escapar certas coisas. “A preocupação era os filhos, era pensar no que levavam para o lanche. Mas comecei a pensar mais em mim. Acaba por preparar também”. Uns frutos secos, um queijinho e um pedaço de tosta escolhido a priori pode fazer uma grande diferença no lugar de um snack qualquer pesado para safar o dia.

Passou a estar mais atenta ao que comia, às quantidades. “Foi mudar a minha relação com a comida”. Hoje nota isso em coisas simples. As típicas bolas com creme de praia, por exemplo, antes podiam ser uma grande tentação. Agora até pode dar uma dentada. Mas o mais importante é isto: “nem sinto a mesma vontade”. Há outras coisas mais saudáveis que vão apetecendo.

Com Sónia Marcelo não há o espírito de serem dietas mais restritas com o tal dia para os pecados. O importante na mensagem a passar é que a pessoa tem objetivos que quer cumprir e estes podem ficar mais ou menos difíceis em função do que se faz. No seu caso, passou a estar mais atento aos petiscos. Não abdicou deles por inteiro mas tem outra noção do que está a fazer. Do ponto de vista do exercício não foram mudanças radicais mas ajudaram as caminhadas que fazia na companhia da filha do meio, em tempos de pandemia.

Esta ideia de objetivos funciona especialmente bem para a Patrícia. “Definir metas alcançáveis” é aliás o conselho que deixa a quem enfrenta um processo de luta contra o peso como o seu. Há mudanças de mentalidade, formas diferentes de olhar para o problema, mas também há ganhos curiosos.

“Fiz um investimento em consultas de nutrição mas poupei muito em roupa”, conta-nos divertida. Haia peças no armário à espera de dias melhores e eles chegaram. Este verão, mesmo nos dias de férias em que é mais fácil baixar a guarda, conseguiu ainda perder um quilo. Mas o mais importante é o que já leva consigo. Aquelas brincadeiras em famílias, os jogos que se fazem, Patrícia tem noção de que, há apenas alguns meses, dificilmente conseguiria acompanhar a pedalada dos miúdos. Este verão já conseguiu. São boas memórias que já ficaram. Mais virão.

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