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Mito Vs. realidade: a água com gás pode mesmo causar osteoporose?

A nutricionista Magda Roma explica exatamente o que está em causa e quais os perigos e vantagens deste tipo de bebida.

“Cuidado, que isso descalcifica os ossos.” Esta é uma frase que muitos de nós já ouvimos ao longo da vida após abrirmos uma garrafa de água com gás. A ideia tem contribuído para realçar os malefícios desta bebida, ao longo de gerações, mas, na verdade, tudo pode não passar de um mito popular.

A origem desta crença é desconhecida. Parece ter sido criada no século XX, passando de boca em boca até aos dias de hoje. Contudo, segundo alguns especialistas de nutrição, esta ideia errada ter nascido a partir de algumas pesquisas científicas realizadas com bebidas gaseificadas à base de aditivos de açúcar e sódio, como os refrigerantes — e que levaram à conclusão de que podiam estar na origem de casos de osteoporose. Porém, embora também tenham as chamadas “bolhas”, não são em nada semelhantes.

Antes de avançar neste tema, é preciso esclarecer que existem diferentes tipos de água com gás. “Há gasocarbónicas e gaseificadas”, começa por explicar à NiT a nutricionista Magda Roma.

Qual é a diferença? “As primeiras são as chamadas água com gás natural porque contém dióxido de carbono e são obtidas a partir de fontes subterrâneas. Por outro lado, as artificiais são feitas através da introdução das ‘bolhas’ de forma controlada em ambiente industrial.”

No entanto, não precisa de se assustar. A nutricionista garante que ambas são seguras para consumo, desde que “ingeridas com moderação”. Ainda assim, algumas podem ser mais ácidas do que outras, o que contribui “para a erosão do esmalte dentário”. O ideal é ler sempre o rótulo da bebida e verificar o pH. No final, opte por embalagens com níveis acima de 7, ou seja: neutro a alcalino.

Desmistificar o ditado popular

A maior preocupação, todavia, está relacionada com a quantidade de sódio que este tipo de bebida tem e que dá origem à crença popular. “Quando é consumida em excesso, pode acabar por originar alguns problemas, nomeadamente a eliminação de cálcio”, afirma Magda Roma. E explica: “Um alto consumo de sódio pode aumentar a excreção de nutrientes pela urina, nomeadamente o cálcio, o que pode originar a diminuição da densidade óssea a longo prazo”.

Porém, não há motivo para alarme. Como reforça a nutricionista, o sódio está presente na nossa alimentação de várias formas — seja no sal de cozinha, alimentos industrializados, snacks, bebidas, entre outros. “Não será apenas a água com gás que estará associada ao possível aumento de eliminação do cálcio”, sublinha.

A par da eliminação deste nutriente, o sal tem também impacto na tensão arterial e no funcionamento do aparelho digestivo. “Caso apresente problemas a nível de refluxo ou doença intestinal, o gás poderá contribuir para uma pioria do estado clínico, quer seja pela acidez da água, quando esta for ácida, quer seja pelo efeito de efervescência.”

Desfeitos os mitos, é importante enaltecer que este tipo de água também tem benefícios. “É essencial para o correto funcionamento do nosso organismo. Ajuda-nos a mantermo-nos hidratados, regula o trânsito intestinal e elimina toxinas.” Outra vantagem — que já não é segredo nenhum: é uma excelente aliada da perda de peso.

Nos supermercados existem várias opções, com ou sem sabor. No entanto, é preciso estar atento, porque estas bebidas têm açúcar na sua composição. “Muitas são até semelhantes aos refrigerantes”, diz a nutricionista Lia Faria.

“Atualmente, a maioria das águas com gás com sabores não incluem açúcar adicionado, sendo adoçadas artificialmente com edulcorantes”, explica a especialista em nutrição. Isto faz com que apresentem um valor energético negligenciável. Ainda assim, é importante destacar que isto “não quer dizer que possam ser consumidas à vontade”.

Lia Faria deixa um alerta: “O consumo destas bebidas deve ser feito com moderação, tal como nos refrigerantes zero, e nunca como substituto à ingestão de água natural”,

Se raramente resiste às águas com sabores quando vai às compras ao supermercado, a NiT diz-lhe quais são as 15 piores, numa análise feita por cada 100 mililitros. Carregue na galeria para conhecer a lista negra.

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