Alimentação Saudável

Não precisa de ser vegetariano a tempo inteiro — isso tem mais vantagens do que imagina

Em certos casos, é prática mais antiga do que se pensa e até tem um nome bem atual: flexitarianismo.
Vegetariano em part-time? É possível.

Na era das redes sociais, há debates que ganharam toda uma nova dimensão (e até extremismo). Isso é bem visível quando falamos de temas de nutrição. Mas, às vezes, as fronteiras são menos rígidas do que imaginamos. E em certos casos temos mais a ganhar com isso.

É bem possível que já tenha ouvido ou lido a expressão flexitarianismo, ou dieta flexível. Não é, no entanto, apenas mais uma dieta da moda, que arrisca ser coisa passageira. Na verdade, “este é um termo ainda pouco utilizado, mas que já é muito posto em prática”, explica à NiT a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida.

O termo aplica-se a uma alimentação variada, baseada em hortofrutícolas e cereais integrais, e que incentiva o aumento do consumo de alimentos fonte de proteína vegetal e à diminuição do consumo de alimentos de origem animal. Há, no entanto, uma margem para incluir pontualmente o peixe e a carne.

A ideia aqui é que não é preciso restringir por completo a proteína animal. Há, no entanto, benefícios a ter em conta, não só para o organismo mas em termos de sustentabilidade. Esta margem de manobra faz com que esta dieta seja cada vez mais escolhida “como estratégia, principalmente por pessoas que pretendem começar uma alimentação vegetariana, mas que não querem eliminar radicalmente o consumo de carne e peixe”, explica a autora do blogue “Loveat”.

Antes de vermos o que acontece no prato, é importante perceber que existe uma dinâmica em larga escala a acontecer. O Relatório de Perspectivas Agricolas da União Europeia para 2020-30, publicado pela Comissão Europeia no final do ano passado, já estimava que a próxima década seria marcada para uma diminuição do consumo de carne.

Essa ideia reflete possíveis tendências e desafios na agropecuária, mas também uma mudança nos consumidores, que estão mais atentos não só aos nutrientes do que comem mas ao possível impacto ambiental.

Há benefícios para a saúde e não só.

Mafalda Rodrigues de Almeida realça que, uma alimentação vegetariana, quando feita de forma completa e equilibrada, “parece apresentar vários benefícios para a nossa saúde, assim como para o meio ambiente”. A dúvida, portanto, não é tanto se o flexitarianismo pode apresentar vantagens para quem não é vegetariano (já vamos ver que sim), mas se também o poderá ter para quem é vegetariano.

“Na alimentação vegetariana duas das principais dificuldades são o aporte de vitamina B12, existente apenas em alimentos de origem animal, e conseguir atingir as necessidades proteicas completas”, destaca a nutricionista. Neste aspeto, uma dieta flexível “pode ser um auxílio para possíveis défices nutricionais” na fase inicial de transição para uma dieta 100 por cento vegetariana.

Já para quem não é vegetariano, vale a pena ter em conta o lado bom para a saúde, mas que deixa a tal margem para continuar, pontualmente, a saborear carne e peixe. “Como apresenta um maior consumo de hortofrutícolas, ricos em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes, e um menor consumo de carne e peixe, a dieta flexível contribui para a melhoria do nosso estado de saúde, assim como para a diminuição do impacto ambiental”, refere.

Além do mais, “como não apresenta alimentos proibidos, leva a uma melhor adesão e socialização”, acrescenta a especialista. “Nesta alimentação, ou melhor, estilo de vida, é privilegiado o consumo de produtos locais, sazonais e sustentáveis”, o que é sempre um extra a ter em conta.

Contudo, se as tais classificações são importantes, apesar de ser uma dieta que incentiva à diminuição do consumo de carne e peixe, o flexitarianismo não é reconhecido como um tipo de vegetarianismo. Lá está: é em part-time. Mas pode bem merecer a mesma dedicação.

Está à procura de algumas alternativas vegetarianas mas não sabe por onde começar? A nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida sugere entradas, refeições principais, doces e até snacks. Carregue na galeria e descubra seis receitas vegetarianas que pode fazer em casa.

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