Alimentação Saudável

O fenómeno da tribo na Amazónia que tem os melhores cérebros do mundo

Estudo recente mostra um cérebro mais saudável em comparação com europeus e americanos. O segredo está no estilo de vida.
Fotografia: Tsimane Health and Life History Project Team.

É no norte da Bolívia, em plena selva da Amazónia, que o povo indígena Tsimane vive há incontáveis gerações. A natureza é casa e fonte de alimentação. E isso parece explicar porque é que os cérebros destes indígenas são diferentes dos nossos.

No dia 26 de maio, foi publicado na revista científica “Journal of Gerontology” um estudo liderado pela Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA. Ao todo, os investigadores avaliaram tomografias cerebrais de 746 adultos deste povo, com idades entre 40 e 94 anos. Quando comparados com europeus e norte-americanos da mesma idade, estes indígenas têm uma diminuição 70 por cento mais lenta do volume cerebral. Esta diminuição é um processo que acompanha o nosso envelhecimento e que pode ser sinal de alerta em processos de evolução de demências, por exemplo. Mas parece ser um processo bem mais lento entre os tsimanes.

O estudo é tão fascinante pelas conclusões como por todo o processo. Para que pudessem ser avaliados em exame, os participantes do estudo tiveram de levar a cabo uma viagem desde a sua região, na Amazónia, até à cidade de Trinidad. A viagem pode durar dois dias, dividindo-se entre trajetos de estrada e de rio.

As explicações para as diferenças encontradas, quando comparados exames de europeus e norte-americanos de meio idade e seniores, estará no estilo de vida. Não há dúvida de que em termos de acesso a medicamentos e medicina, as possibilidades são maiores em países industrializados. No entanto, estes indígenas são mais ativos fisicamente do que o europeu ou norte-americano médio. Além do mais, consomem dietas ricas em fibras, que incluem vegetais, peixe e carnes magras, espécies também elas presentes na natureza. Não há qualquer alimentação processada no seu estilo de vida, ao passo que europeus e norte-americanos têm maior probabilidade de ter uma alimentação com alto nível de gorduras saturadas, além de um risco maior de um estilo de vida sedentário.

Foi isso mesmo que destacou Hillard Kaplan, coautor do estudo, citado pela imprensa internacional. “O nosso estilo de vida sedentário e dieta rica em açúcares e gorduras podem estar a acelerar a perda de tecido cerebral com a idade, tornando-nos mais vulneráveis ​​a doenças como a Alzheimer”, admitiu o investigador.

Os investigadores observaram ainda que os tsimanes têm altos níveis de inflamação, algo que normalmente é associado à atrofia cerebral em ocidentais. Mas o estudo sugere que a inflamação elevada não tem um efeito pronunciado sobre os cérebros deste povo da Amazónia.

De acordo com os autores, os baixos riscos cardiovasculares dos tsimane podem superar o risco inflamatório causado por infecções, levantando novas questões sobre as causas da demência. Uma possível razão admitida pelos autores do estudo é que, nos ocidentais, a inflamação está associada à obesidade e a causas metabólicas. Para este povo, no entanto, tal será causado por infecções respiratórias, gastrointestinais e parasitárias. As doenças infecciosas são, aliás, a causa mais importante de morte entre esta população.

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