Alimentação Saudável

O regime alimentar que quer salvar a sua saúde e a do planeta

A climaterian diet, como é conhecida, foca-se em produtos cuja produção tem o menor impacto possível para o ambiente.
Está cada vez mais popular.

Há quem ande sempre atrás de uma nova dieta para seguir, na tentativa de encontrar aquela que, finalmente, lhe trará os resultados que procura sem grandes sacrifícios.

Se descobrir o regime alimentar perfeito pode ser um desafio — para o qual deve contar com a ajuda de um profissional de saúde, de modo a garantir que não corre nenhum tipo de risco —, a situação piora quando as preocupações vão além dos benefícios que pode trazer ao organismo.

Na hora de escolher o que pôr no prato, cada vez mais pessoas se preocupam, igualmente, com o impacto que a forma como comemos pode ter no ambiente, devido às alterações climáticas e às suas consequências. Este tipo de cuidado levou ao aparecimento da climaterian diet, que visa reduzir a pegada de carbono de quem a pratica.

“Ao contrário da maioria dos planos de refeições, que dão prioridade à saúde pessoal, o foco principal da climaterian diet é reduzir os efeitos das alterações climáticas e melhorar a saúde do planeta. Faz isto ao priorizar os alimentos locais e orgânicos, em detrimento dos que contribuem para a disrupção ambiental. Como uma vitória adicional, acontece que também é saudável para si”, escreve a nutricionista e dietista Cynthia Sass na “Health”.

Em que consiste?

Acima de tudo, os adeptos desta dieta preocupam-se “em comer alimentos que não contribuam para prejudicar o ambiente”, o que os torna “altamente conscientes sobre a forma como estes são produzidos, processados e transportados”, começa por explicar a profissional.

Este conhecimento leva-os a evitar produtos que, por exemplo, exijam grandes quantidades de recursos naturais para serem produzidos — seja terra ou água —; contribuam para a poluição; aumentem o nível de acidez dos oceanos, o que pode causar danos às plantas e animais aquáticos; emitam gases com com efeito de estufa, que levam ao aquecimento global; e utilizem embalagens excessivas ou não biodegradáveis, enumera.

Ao proteger o ambiente, a climaterian diet protege também a saúde, não só de quem a segue, mas de todos. “A degradação ambiental é um dos principais fatores de risco para a saúde pública, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC)”.

Cynthia Sass menciona ainda um artigo, publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America”, para corroborar esta ideia. Ao analisar 15 grupos alimentares, os autores concluíram que “os alimentos com menor impacto ambiental também reduzem o risco global de morte de uma pessoa e de uma ou mais doenças crónicas”, do cancro colorretal à diabetes.

Diferenças em relação a outras dietas

A especialista clarifica ainda que, apesar de muitas pessoas que optam por dietas veganas ou vegetarianas também partilharem preocupações ambientais, há diferenças claras com a climaterian. Esta última não defende, por exemplo, a exclusão total da carne, até porque acredita que a eliminação de grupos alimentares inteiros pode afastar potenciais interessados.

Argumenta, inclusive, que a eliminação de grupos alimentares inteiros pode dificultar a adesão de muitos à dieta. “Como resultado, alguns simplesmente promovem um menor consumo de carne, o que ainda pode ter um impacto significativo no ambiente”.

Além disso, também reduzem a ingestão de alimentos à base de plantas que tenham uma grande pegada ambiental, seja por estarem fora da época ou por serem embalados em plástico.

O que escolher

Produtos sazonais, locais e frescos são os preferidos de quem segue este regime alimentar, porque minimiza “a necessidade de processamento de alimentos, embalagem, transporte e poluição”. Outra vantagem, destaca Cynthia, é que os produtos cultivados localmente viajam menos quilómetros para chegar ao prato de cada um, pelo que também é menos provável que se estraguem.

Leguminosas como feijões, lentilhas, ervilhas secas e grão-de-bico, que “enriquecem naturalmente o solo com nutrientes e melhoram a sua estrutura geral, o que significa que uma parcela de terra pode produzir mais culturas, de acordo com as Nações Unidas (ONU)”, também estão no topo das preferências. Para melhorar, em comparação com outras fontes de proteínas, exigem menos água para crescer.

Grãos inteiros — do arroz castanho à aveia e cevada — que emitem menos CO2, e cogumelos, capazes de crescer nos desperdícios de outras culturas, como cascas de amêndoa, espigas de milho e cascas de algodão, são outras opções.

Por outro lado, carnes vermelhas, laticínios, óleo de palma, açúcar e alimentos altamente processados devem ser evitados.

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