Alimentação Saudável
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Alimentação Saudável

Os alimentos de outono ideais para dar um empurrão ao sistema imunitário

Os alimentos de outono têm tudo o que o corpo precisa para se preparar para o frio. A nutricionista Lilian Barros explica porquê.

À medida que as folhas caem e os dias ficam mais curtos, a natureza muda e aquilo que cresce na terra também. O outono não traz apenas novas cores à paisagem, traz também os alimentos certos para o momento. Nada disto é uma coincidência. “A natureza está bem desenhada”, garante a nutricionista Lilian Barros.

Nesta altura do ano, o corpo começa a pedir mais conforto, energia e proteção contra o frio. E a resposta pode (e deve) vir da comida. Os alimentos da época ajudam a reforçar o sistema imunitário, regular a temperatura corporal e preparar o organismo para os meses que se seguem.

No outono, dominam as cores quentes: laranja, castanho, vermelho. E isso não é só uma questão estética. Tem tudo a ver com nutrição. “A romã, o dióspiro, a abóbora e a batata-doce têm o pigmento laranja que está associado aos betacarotenos”, explica a especialista. Estes compostos funcionam como uma pró-vitamina A que, segundo a nutricionista, ajudam na resposta imunitária e “na proteção das mucosas e da pele, mais exposta ao frio”.

Além disso, os pratos tornam-se mais quentes, mais ricos e reconfortantes. “Podemos aquecer o corpo através de pratos mais quentes como as sopas”, aconselha, como uma alternativa fundamental para continuar a consumir legumes sem depender apenas de saladas.

“O conforto vem também dos estufados, as confeções de tacho ou de forno.” Uma boa gordura, como o azeite, é parte importante dessa fórmula.

Mesmo a fruta ganha outra vida. E há quem se esqueça que também pode ser comida quente. “A maçã cozida, a pera assada e o marmelo” são alguns dos exemplos apontados por Lilian Barros, ideais para esta altura em que o corpo precisa de energia extra.

A ligação entre a estação do ano e os produtos disponíveis não acontece por acaso. “As condicionantes ao nível do clima, solo e humidade dão aos alimentos as características nutricionais que mais precisamos”, explica. E esse alinhamento entre o que a terra dá e o que o corpo precisa sente-se logo à primeira dentada: “Vamos ter mais prazer ao nível de sabor e mais nutrição a nível da composição”.

A verdade é que este equilíbrio tem-se perdido. As estufas e a produção intensiva permitem encontrar quase qualquer fruta durante todo o ano e isso tem consequências. “Posso ir ao supermercado e comprar morangos o ano inteiro devido à produção intensiva e estufas”, diz. O problema? “As condições não são as ideais e por isso o mais importante é comermos local e da época, o que significa ser colhido naturalmente sem necessidade de manipulações”.

O sabor e os nutrientes estão intimamente ligados ao respeito pelo tempo de crescimento natural. “Se comermos na época, produzido de forma exterior, tem um sabor mais concentrado e apelativo”, garante. “Se nos sabe bem, certamente foi respeitado o ciclo da natureza”.

A preocupação vai além da saúde. É também cultural. “As crianças não sabem qual é a altura do morango, da laranja e da melancia porque existem todo o ano”, lamenta a especialista.

É um problema que, segundo Lilian Barros, está também ligado ao afastamento da dieta mediterrânica, um património alimentar classificado pela UNESCO. Esta base alimentar valoriza produtos locais e da estação “porque nós produzimos esses mesmos produtos”. É, como recorda, “a mais anti-inflamatória, a mais saudável a nível de prevenção”. No entanto, está a perder-se “por comodismo e porque a vida é acelerada”.

Carregue na galeria para conhecer algumas receitas que pode fazer com legumes e frutos desta época.

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