Alimentação Saudável

Parecem e sabem a carne, mas não são carne: será que estes substitutos são saudáveis?

Muitos consumidores têm reduzido o consumo de produtos de origem animal com produtos que se apresentam como alternativas.
Podem parecer saudáveis.

A redução do consumo de produtos de origem animal é, cada vez mais, uma das preocupações dos consumidores na hora de decidirem o que escolher para encher o frigorífico e a dispensa. O resultado desta exigência dos clientes não podia ser diferente: as empresas começaram a adaptar-se e a apresentar opções que correspondam às novas expectativas. Todos os dias chegam aos supermercados novas alternativas à carne. Porém, serão realmente bons substitutos?

Consumir menos produtos de origem animal ou excluí-los de vez da alimentação é uma tendência que tem vindo a crescer um pouco por todo o mundo, e Portugal não é exceção. Entre 2007 e 2017, o número de vegetarianos quadruplicou, sendo que, em 2019, nove por cento dos portugueses já tinha uma alimentação à base de plantas, entre veganos, vegetarianos e flexitarianos (pessoas que consomem ocasionalmente carne, peixe e outros produtos de origem animal).

Se já houve uma altura em que a dieta vegetariana significava uma alimentação à base de vegetais e leguminosas, hoje é possível encontrar alternativas no mercado onde os ingredientes de origem animal são substituídos de uma forma quase impercetível. Neste momento, a oferta disponível para quem segue este tipo de regime alimentar já inclui opções em que o sabor, a textura e o cheiro são muito semelhantes à carne verdadeira.

Nas arcas frigoríficas dos supermercados é possível encontrar produtos com nomes iguais aos que levam proteínas animais, como bifes, carne picada, almôndegas, hambúrgueres, nuggets ou bacon feitos de vegetais. Porém, segundo a nutricionista Sónia Marcelo “nem sempre são boas opções”.

A especialista em nutrição explicou à NiT que a qualidade nutricional destes produtos “é um pouco subjetiva”, sobretudo a avaliar pela enorme lista de ingredientes que os compõem — o que significa que são altamente processados.

“Muitos desses produtos têm imensos aditivos alimentares (conservantes, corantes, emulsionantes…), muita gordura, farinhas e… açúcar. Se a ideia é substituir a carne, deveriam conter um teor de proteína interessante e nem sempre o têm.” E especifica, comparando os valores nutricionais: “a carne tem cerca de 20 gramas de proteína por cada 100 gramas. Alguns destes produtos têm valores que variam entre os oito e os 10 gramas por cada 100 gramas. Ou seja, cerca de metade”.

“Claro que será difícil chegarem aos 20 gramas, pois não são feitos unicamente com proteína, mas deviam estar próximos desse valor, e apostando em ingredientes naturais na sua composição”, sublinha a nutricionista. Sónia Marcelo reforça que a maioria destes produtos são muito processados e, portanto, “não são nada saudáveis”. Esta diferença torna os produtos menos interessantes do que outras alternativas vegetais à proteína animal.

Carregue na galeria para conhecer algumas receitas saudáveis e com alternativas à carne.

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