Alimentação Saudável

Afinal o que devemos procurar fazer quando emagrecemos: perder peso ou gordura?

Nutricionista Lillian Barros explica à NiT qual a diferença entre os conceitos e o que deve fazer para emagrecer em segurança.
É este o foco

Não há uma fórmula de sucesso e raramente nos damos por satisfeitos. Seja porque vem o verão e toda a gente quer estar em forma para o biquíni, seja porque tem um evento — agora menos — e quer vestir determinada roupa ou porque não está satisfeito com a imagem que vê no espelho, principalmente depois de dois confinamentos no espaço de um ano, a verdade é que a maior parte das pessoas está em constante busca por formas de perder peso.

Será mesmo isso que queremos? Queremos realmente perder peso ou gordura ou volume ou só emagrecer, no geral? Essa diferença é vista no espelho, na roupa ou na balança? Para responder a todas estas dúvidas, a NiT falou com a nutricionista Lillian Barros, do blogue “Santa Melancia”.

“Na verdade perder de peso pode — ou não — significar perda de gordura. Podemos perder peso por diminuição da massa magra, mais concretamente por perda de músculo e/ou fluídos. Podemos aumentar de peso porque bebemos dois copos de água ou comemos dois pratos de sopa antes de nos pesarmos ou perder peso na balança porque fomos à casa de banho ou ainda porque nos pesamos a horas diferentes do dia e nada ter a ver com descida ou subida de massa gorda”, começa por explicar.

É por isso que muitas vezes os dois conceitos — perder peso e perder gordura — são confundidos. Na realidade, até é possível perder gordura e aumentar de peso, por exemplo, se começar a treinar ou aumentar a frequência ou a intensidade do treino, porque vai aumentar a massa muscular.

“Estamos muito agarrados aos valores da balança para nos classificarmos e avaliarmos”, diz a nutricionista, sublinhando que, apesar de ser uma referência, não deve ser um parâmetro avaliado sozinho. “É importante reforçar que perder peso pode não querer significar emagrecer, visto que poderá ser à custa de perda de músculo e água”, frisa.

Não pode apenas focar-se no peso da balança

Por razões como estas é que as dietas bruscas que muitas vezes se encontram na Internet, por exemplo, não são recomendáveis. Tudo porque, em grande parte das vezes, o que se perde nesse curto espaço de tempo é massa isenta de gordura.

“Estamos a falar em emagrecimento e perda de peso, mas da mesma forma, um indivíduo poderá ter baixo peso e ser um ‘falso magro’, na medida em que pode ter massa muscular reduzida e um percentual de massa gorda elevado — como a gordura é menos densa que o músculo, o indivíduo pode na mesma ter um peso baixo e aparentar ser magro.”

Daí ser tão importante ter sempre o acompanhamento de profissionais de confiança, que possam avaliar o seu caso concreto e estabelecer um plano personalizado.

Peso versus gordura

Será então preferível perder peso ou perder gordura? Lillian Barros defende que “se o objetivo é emagrecimento, então o foco é na perda de gordura, claro”. Ainda assim, há casos específicos onde o objetivo pode ser perder água, devido a um excesso de retenção de líquidos e edemas — ou até em alguns desportos de combate, onde o objetivo é conseguir encaixar em determinada categoria de peso e para isso é preciso perder algum num curto período de tempo para uma prova.

“O princípio para perder gordura é ingerirmos menos calorias que aquelas que gastamos, ou seja, criando uma restrição calórica. Assim, o nosso corpo terá de utilizar as suas reservas de gordura para produzir energia.”

Isto deve ser sempre feito com acompanhamento profissional, claro, porque se não for feito corretamente poderá levar a perda de músculo em vez de gordura. Exatamente o oposto daquilo que se pretende, que será manter a massa magra e perder apenas a gorda. Para ajudar em todo este processo, deve também complementar a alimentação adequada com algum exercício físico.

“Independentemente do músculo ser mais denso ou provisoriamente camuflar a real perda de gordura. É importante explicar ao paciente os passos que estamos a seguir para que compreenda e mantenha a motivação, pois sentirá as diferenças no corpo, no volume e na saúde”, acrescenta.

Detalhes a ter em atenção

Neste processo de perda de gordura, que será o objetivo real da maior parte das pessoas, uma das formas de controlo mais utilizada é a balança. Na utilização deste objeto tão útil deverá ter em consideração alguns aspetos para que os resultados sejam o mais fiáveis possível.

“Se nos pesarmos de manhã, em jejum, depois de irmos à casa de banho, certamente teremos um peso mais baixo do que aquele com que terminamos o dia. Aquilo que ingerimos ao longo do dia somado ao inchaço frequentemente associado à ingestão de alguns alimentos, bem como a presença de urina e fezes, vão pesar na balança”, lembra a nutricionista.

A fita métrica e a roupa são boas ajudas

Isto pode ser somado à retenção de líquidos — que acontece muitas vezes quando consumimos alimentos ricos em sal e ingerimos poucos líquidos. Não quer dizer que estejamos mais gordos, simplesmente essa água vai ser retida no organismo e vai pesar mais na balança. Entre os fatores que influenciam o peso que vemos na balança também estão as noites mal dormidas, o stress ou as alterações hormonais no caso das mulheres.

“Na prática não existe na verdade um valor de referência para a percentagem de massa gorda ideal. Apenas existem intervalos de referência consoante a idade, género e nível de atividade física praticada.”

Para ajudar, pode também estar atento a sinais como a roupa — cuja folga é fácil de perceber — ou medir os perímetros abdominais e da cintura com uma fita métrica, por exemplo. Sim, Lillian aponta que “a distribuição da gordura é um indicador de risco cardiovascular, sendo a gordura abdominal a que comporta maiores riscos, pelo que é importante fazer esta medição”.

Portanto, nem sempre é fácil avaliar o seu estado real em relação a peso, massa magra e massa gorda e estar mais leve na balança nem sempre significa estar mais magro. Daí a importância do acompanhamento profissional.

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