Alimentação Saudável

Quer controlar o peso? Isto é o que precisa de saber antes de subir para a balança

Na hora de controlar o peso, a relação com a balança deve ser a mais natural, “sem peso na consciência”.
O número na balança não diz tudo.

É um degrau muito pequeno, quando se sobe a uma balança. E no entanto há alturas em que aquele simples passinho parece coisa gigante. Há ali um risco de ansiedade, uma antecipação de um número que parece ter capacidade de ditar como a pessoa se deve sentir com ela própria — e com a o seu corpo. Não tem de ser assim.

“A pesagem devia ser encarada como uma boa estratégia de gestão da saúde corporal — algo descontraído e rotineiro”, como destaca a nutricionista Ana Bravo. No seu mais recente livro, “Nutrição com Coração — Equilíbrio Interior para Uma Alimentação”, a nutricionista realça a forma como “muitos de nós somos reféns da balança, ficamos nervosos antes de subir e espreitar o resultado”.

Apesar de até termos consciência deste momento mais nervoso, há muita gente que não evita cair no erro: “fazemo-lo sem parar, muitas vezes no mesmo dia, o que acontece, sobretudo, quando a ânsia de perder peso é grande”.

Antes de olharmos para o tal número mais ou menos redondo, é importante uma pessoa saber pesar-se. “O valor que vemos numa balança convencional corresponde à soma de todos os componentes corporais, ou seja, ossos, músculos, órgãos, tecidos, gordura, líquidos, etc.”.

São muitas variáveis para que um simples número possa esclarecer tudo. “Rapidamente se compreende que, quando nos pesamos numa balança ‘simples’, não temos noção de qual (ou quais) destes componentes variou, sabemos apenas que o total é diferente”, explica Ana Bravo na mesma obra.

Ora, assumindo que as variações dos ossos, órgãos e tecidos “são raras e muito pequenas”, podemos concluir que a mudança está na parte muscular, adiposa (da gordura corporal) e de líquidos corporais. “As mudanças nos tecidos muscular e adiposo são relativamente lentas, mas poderão ser significativas. Mudanças rápidas são apenas as provocadas por alterações de líquidos e/ou toma de refeições”. Ou seja: uma ida à casa de banho, uma refeição algo diferente, e os resultados já podem mudar.

A forma de contrariar isto é tentar replicar da melhor maneira quanto possível as mesmas condições. A nutricionista dá algumas orientações: “sem roupa, sem sapatos, sem joalharia, de manhã, em jejum e depois de ir à casa de banho. Esta é a pesagem mais fidedigna”, sentencia.

Há, no entanto, outro princípio a ter em conta: deve pesar-se sempre na mesma balança — e verificando periodicamente se esta está calibrada. Como? “Coloque qualquer produto que tenha o peso escrito no rótulo e confirme se a balança pesa corretamente”, sugere Ana Bravo.

Acredite: é muito comum uma pessoa pesar-se frequentemente em balanças diferentes e ficar sem saber em que número confiar. E não, nestes casos não ajuda aplicar aquele princípio de “copo meio cheio ou vazio”.

Estes princípios de que falámos anteriormente aplicam-se a todas as pessoas mas no caso das mulheres pode haver mais variáveis a ter em conta, caso a pessoa esteja com o período ou na fase pré-menstruação. “O ideal é pesar-se uma vez por semana ou de quinze em quinze dias. Se o objetivo é testar a variação de gordura corporal, não se pese todos os dias, porque pode criar falsas expectativas ou mesmo causar frustração e desmotivação”, aconselha Ana Bravo.

Cuidado com o sítio onde guarda a balança
Para uma relação mais descontraída.

Algumas balanças mais modernas são úteis por nos darem mais avaliações para lá do tal número dos quilos. Mas não pense que automaticamente tornam a pesagem mais simples ou fácil. “As balanças de bioimpedância já permitem medir a percentagem de gordura corporal, bem como a quantidade de músculo. No entanto, atenção, porque estas medições exigem condições ainda mais apertadas para que o resultado seja válido, nomeadamente, ficar sem comer, beber e treinar umas horas antes”, salienta.

O mais importante

Na hora de controlar o peso, é verdade de La Palisse assumirmos que sabermos o tal valor dos quilinhos é importante. Mas a relação com a balança deve ser não só mais rotineira como descontraída. Afinal de contas, não é um fim em si mesmo.

Na verdade, o importante é mesmo como a pessoa está a progredir, como se sente física e psicologicamente. Daí que se sente que estava no bom caminho, não deve ser um número menos bom num dia a desviar a pessoa do trabalho já feito.

“Já agora, mais um conselho”, escreve Ana Bravo. “Se pretende perder peso, esforça-se e não vê resultados satisfatórios: experimente fazer um registo do seu peso à segunda e à sexta de manhã, em jejum. Será que ao fim-de-semana recupera o que perdeu durante a semana? Queremos eliminar tudo o que pode causar desmotivação, certo?”. Certo. Por isso já sabe: um número não é tudo.

Como reforça Ana Bravo, quando começa a tomar maior controlo e noção das suas escolhas alimentares, “deve confiar e deixar fluir, sem peso na consciência, com toda a confiança em si”. Afinal de contas, uma balança é uma ferramenta. Somos nós que a usamos. Não é ela que manda em nós.

Como realça a nutricionista Maria Gama, “é essencial que se queira perder peso por um estilo de vida mais saudável, pela saúde. Isso irá permitir que seja uma mudança a longo prazo e não apenas para os meses de praia, por exemplo.

A autora do blogue NiT “Põe-te na Linha“ já deu à NiT 9 dicas que vão ajudar a controlar o peso de forma duradoura. Carregue na galeria para as conhecer.

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