Alimentação Saudável

O casal que ajuda as mulheres a “emagrecer com saúde e sem voltar a engordar”

Ela é formada em nutrição. Ele em neurociências. Criaram uma comunidade onde mais do que perder quilos depressa, o objetivo é perder peso e manter-se saudável.
Tudo começou na pandemia.

Sara Sá, portuguesa de 29 anos, e Henrique Fratta, brasileiro de 28, decidiram começar a trabalhar juntos na altura da pandemia, quando ainda não eram um casal. Ela é formada em nutrição e ele em neurociência. “Quando começou a Covid-19, as pessoas estavam mais em casa e comiam mais, por isso decidimos unir as duas áreas e começar a fazer lives que combinavam a alimentação com a parte da saúde mental”, conta à NiT Sara Sá.

Em setembro de 2020, Sara decidiu ir para o Brasil. “O Henrique não conseguia entrar em Portugal devido às restrições e das fronteiras fechadas”, explica. “Não era viável trabalharmos afastados.” Em junho do ano seguinte criaram a Comunidade Sempre Magra, um projeto que já conta com mais de quatro mil alunas.

“Uma coisa que vi sempre desde o início é que as mulheres que queriam emagrecer iam em busca de dietas. Mas as dietas não são suficientes para manter o emagrecimento a longo prazo, porque não trabalham a parte emocional e não ensinam a questão alimentar em profundidade”, explica Henrique, considerando que “as dietas não são tão saudáveis”.

“Por isso, a nossa comunidade tem essa pluralidade de conhecimento que une as duas áreas: a nutrição e a psicologia. Através da plataforma, as nossas aulas podem tirar dúvidas e partilhar o dia a dia delas. Este ambiente não existe em mais nenhum lugar. Esta questão de proximidade é muito importante para não se sentirem sozinhas durante o processo”, refere.

No que toca à nutrição, Sara esclarece que o essencial é “aprender a comer”. “Faço uma nutrição mais funcional e não apenas uma dieta qualquer. Ensino a aluna a comer, dou-lhe independência e liberdade para que consiga lidar com os excessos, com as refeições fora de casa e nas férias.”

Grande parte das alunas da comunidade têm doenças metabólicas, autoimunes, cancro ou diabetes, por isso é “importante fazer uma abordagem funcional e ajudarmos também nas questões de saúde”. “Não se trata apenas de emagrecer para ficarem mais saudáveis, mas sim emagrecer com saúde sem voltar a engordar”, frisa Henrique, que tem como principal função “dar um apoio psicológico”. “Dou conselhos mais a nível emocional e da saúde mental para que saibam tomar melhores decisões para ficarem mais saudáveis.”

“O nosso foco não é criar um plano alimentar para cada uma das alunas. É ensiná-las a criar um estilo de vida que consigam manter ao longo dos dias, mesmo com as mudanças de rotinas, aos fins de semana ou nas férias em que comem coisas diferentes. Ou quando estão mais cansadas, adaptar o estilo de vida a essas condições, ou seja, fazer a escolha certa para sustentar o autocontrole, a energia e a saúde mental”, explica Henrique.

Para o brasileiro, a luta do emagrecimento “é muito mais a luta de conseguir criar um estilo de vida saudável e não apenas saber o que comer”. “O maior segredo não é sobre o que eu vou comer ou não — a forma como eu quero viver a minha vida faz a diferença. Isto porque a maioria das nossas alunas, quando entram na comunidade, estão ansiosas e depressivas, e é por isso que estão com excesso de peso, doentes, com stress e falta de energia.”

A Comunidade Sempre Magra numa das iniciativas presenciais, em Lisboa.

O primeiro passo de quem chega à Comunidade Sempre Magra é um “programa de emagrecimento inicial” que conta com três etapas: alimentação, detox, queima de gordura e saúde mental. “Ensinamos a organizar horários, listas de compras, fazemos uma reeducação alimentar para incluírem alimentos saudáveis e evitarem os industrializados, mesmo que sejam lights, diet ou zero açúcar. Depois passamos para a rotina do dia a dia: ensinamos a organizar o dia delas para diminuir o stress e sobrecarga. Muitas delas não têm uma rotina previsível, acordam atrasadas, fazem tudo à pressa, comem tarde e dormem tarde, por isso é essencial ajustar a base da rotina.”

Na parte emocional, “o importante é saber como lidar com os momentos mais difíceis, de compulsão alimentar, por exemplo”. Além deste programa inicial de emagrecimento, à base da alimentação e da saúde mental, há ainda outras aulas com workshops de receitas e desafios como o “secar a barriga” ou “operação biquíni”. “Queremos suprir todas as necessidades das mulheres, para conseguirem viver uma vida mais saudável e com menos stress.”

Sara e Henrique garantem resultados logo nos primeiros meses. “Varia muito. Temos mulheres que perdem 20 quilos em cinco ou seis meses, mas em 30 ou 60 dias já conseguem perder, em média, entre dois e dez quilos. O objetivo não é o quão rápido vai aparecer o resultado, mas sim quanto é que o resultado vai durar.”

 
 
 
 
 
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As aulas são dadas ao vivo através da plataforma, mas os vídeos ficam sempre gravados para quem não tem disponibilidade total. “As sessões são pensadas para todo o grupo, para todas elas adquirirem o conhecimento. Depois, cada uma aplica a teoria no seu dia a dia. Por exemplo, cada uma monta o seu prato e pode partilhá-lo na comunidade para depois nós avaliarmos e ajustarmos o que for preciso. Analisamos centenas de pratos por dia”, diz Sara.

O programa de emagrecimento inicial é “mais intenso”, com uma aula de segunda a sexta-feira, todos os dias, durante três semanas. Depois, passa a ser apenas uma aula por semana.

“O mais comum é aparecerem cheias de medo e ansiosas. Querem aprender tudo e questionam-se se vai funcionar, porque já tentaram tanta coisa e nada funciona. Estão cansadas, ansiosas, depressivas, desmotivadas para seguir uma alimentação saudável, fazer exercício físico e até trabalhar”, afirma o casal. “Mas têm muita vontade de mudar”, asseguram.

Uma vez inscritas na comunidade, o acesso fica disponível durante seis meses, algo que pode ser renovado anualmente. “Mesmo no final das três semanas iniciais, não parecem as mesmas, têm mais energia, a qualidade de sono melhora e há uma mudança no semblante.” A comunidade é “mesmo um organismo vivo” — Sara e Henrique estão sempre atentos às dificuldades e problemas das alunas para que os desafios sejam sempre adaptados.

As inscrições para a Comunidade Sempre Magra não estão sempre abertas, mas há novas vagas a partir desta segunda-feira, 25 de março. “O nosso foco são as mulheres, mas a verdade é que elas já influenciam os maridos e também os homens gostam e mudam o seu estilo de vida. Já tivemos casos de homens que perderam 20 quilos à conta da influência das suas mulheres”, dizem.

O perfil das alunas é entre os 30 e 60 anos, mas a maioria “já tem uma família estruturada e estão entre os 40 e 45 anos”. “A mais nova terá por volta dos 23 anos e a mais velha 85.” O preço para se inscrever nesta comunidade de emagrecimento saudável é de 397€ (pelos seis meses). E já sabe: no final pode sempre renovar a inscrição por mais um ano.

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