Alimentação Saudável

Três nutricionistas grávidas revelam os truques (e receios) desta fase

Lillian Barros, Maria Gama e Mariana Abecasis juntaram-se para falar com a NiT, enquanto cozinhavam receitas saudáveis.
Lillian Barros, Maria Gama e Mariana Abecasis (da esquerda para a direita).

Lillian Barros, Maria Gama e Mariana Abecasis estão grávidas de nove meses. As três esperam rapazes. São nutricionistas, fazem parte da comunidade de blogues NiT e aceitaram o desafio de cozinhar snacks saudáveis para o pequeno-almoço ou lanche no período da gravidez.

Estamos a 24 de maio, uma sexta-feira. Os ponteiros marcam as 9h30 e as três já conversam na copa da nossa redação. Trocam impressões, receios e partilham a forma como estão a fazer a transição para deixar as consultas temporariamente.

Todas estão entre as 37 e as 39 semanas e esperam os respetivos bebés no início do mês de junho. Maria, 32 anos, e Mariana, 33 anos, vão ser mães pela primeira vez. Já Lillian, 36, espera o irmão para a sua filha de um ano e meio.

São agora 9h45 e as três começam a cozinhar. Maria, autora do blogue “Põe-te na Linha“, traz um pudim com farinha de aveia, banana e ovo para fazer no microondas. Mariana, autora do blogue homónimo, pensou numa papaia recheada com iogurte de coco e sementes de chia. Lillian, criadora do blogue “Santa Melancia“, começa a fazer um gelado de banana e manga sem açúcar.

Entre ingredientes falam de alimentação saudável, claro, e dos cuidados a ter na fase da gravidez. Nenhuma das bloguers NiT é imune à toxoplasmose (infeção causada por um parasita) e, por isso, os cuidados têm sido redobrados. De fora têm de ficar as saladas mal lavadas, o peixe cru ou a carne mal passada. Mas arranjam-se sempre soluções.

“Sou um bocado taradinha por saladas. Já levei a Amukina [produto desinfetante para vegetais e frutas] comigo e pedi aos restaurantes para amukinarem e eles são impecáveis”, conta Mariana.

Para os bifes mal passados também há alternativas. “Se congelares por mais de 30 dias, consegues neutralizar qualquer bactéria, mesmo que a carne estivesse contaminada com o toxoplasma”, explica. “Então tens um desejo de um bife mal passado e um mês depois podes comê-lo”, acrescenta Lillian.

A fase da gravidez é delicada mas nem por isso requer um grande aumento calórico. “Diz-se bastante que quando se está grávida é preciso comer por dois mas não é verdade. Temos é de procurar comer mais nutrientes e mais ricos e não mais quantidade”, refere Lillian. “No primeiro trimestre as necessidades calóricas de uma mulher grávida e de uma mulher não grávida são exatamente as mesmas. No segundo e terceiro as necessidades aumentam apenas uma média de 300 calorias”, acrescenta Mariana.

Quando questionadas sobre o principal conselho a dar a uma grávida, as três respondem quase em simultâneo: “Equilíbrio. Mas isso é para grávidas e também para não grávidas. E bom senso, claro”. Neste momento já as receitas estão quase prontas — mas a conversa continua a fluir.

Mariana Abecasis é especialista na área de alimentação na gravidez e recuperação pós-parto. Conta que ganhou mais sensibilidade e juntou agora a prática à teoria. Contudo, os conselhos que dá às pacientes continuam a ser os mesmos. Já Maria Gama é praticante assídua de exercício físico e nesta fase ainda o inclui na sua rotina, embora tenha de fazer adaptações. Acredita que as grávidas devem procurar não só um especialista em nutrição, como um profissional de exercício físico. Já Lillian teve de parar qualquer prática desportiva, já que a primeira gravidez foi de risco e foram agora necessários cuidados redobrados.

Os desejos fazem parte, claro, mas dizem que existem dois tipos: aqueles que estão relacionados com a gula e os que têm a ver com as necessidades do corpo.

“Uma coisa a que eu assisto imenso em consulta são grávidas que chegam e dizem: ‘Eu não bebo leite, sou intolerante.’ De repente, durante a gravidez, têm necessidade de beber litradas. Isto, provavelmente, vem da necessidade de cálcio, da proteína do leite”, diz Mariana Abecasis.

Saber ouvir o próprio corpo é também fundamental — e o mesmo se aplica à amamentação. As três nutricionistas planeiam seguir o conselho da Organização Mundial de Saúde e amamentar até aos seis meses. Porém, é essencial que o processo seja calmo. Caso contrário, se não for possível continuar, o melhor é desistir.

“É preferível um biberon com serenidade do que tentar dar peito com stress, à força, com um sofrimento enorme por parte da mãe e que o bebé inevitavelmente vai sentir”, refere Mariana Abecasis.

Para voltar à rotina no pós-parto aconselham manter uma alimentação saudável, assente em escolhas conscientes e equilibradas. É natural que o apetite aumente por causa da produção de leite mas é fundamental reforçar a alimentação com escolhas saudáveis. A chave é a organização, tal como em qualquer outro plano alimentar de sucesso. Para isso, pode-se, por exemplo, deixar refeições congeladas e ter uma lista de compras pronta para os dias em que não for a mãe a ir ao supermercado.

Até lá, contam-se os dias até aos nascimentos. E para poder comer sushi e beber vinho também. “Eu confesso que já tenho saudades de sushi”, revela Maria. “No meu caso, é mais da sangria que sinto falta”, conta Mariana. Já Lillian tem saudades de “um bom copo de vinho tinto”.

Apesar de serem nutricionistas, as bloguers NiT têm as suas tentações. A autora do blogue “Santa Melancia” adora pizzas e feijoada; Mariana Abecasis gosta imenso de “batata frita, mas não chip”; e a criadora do blogue “Põe-te na Linha” aponta a pizza como o seu guilty pleasure.

Estão grávidas de nove meses.

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