Alimentação Saudável

Trocar a carne vermelha por sardinhas pode ajudar a salvar 750 mil vidas até 2050

São uma "alternativa promissora" para evitar doenças coronárias, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e cancro do intestino.
Boas notícias para os portugueses.

Portugal é o país da União Europeia onde se consome mais peixe per capita, ocupando o terceiro lugar em termos mundiais. Excluindo o bacalhau, a sardinha é uma das espécies mais consumidas (e pescadas) por cá. O pico acontece nos meses dos Santos Populares e se já está a sonhar com as que pretende começar a devorar, temos boas notícias. 

Comer mais peixe forrageiro — como a sardinha, o carapau, a cavala, o arenque ou a anchova —, e menos carne vermelha pode salvar entre 500 a 750 mil vidas até 2050. Os benefícios para a saúde do consumo destas espécies podem ajudar a reduzir significativamente as mortes e doenças relacionadas com a alimentação, avança um estudo publicado esta terça-feira, 9 de abril, na revista “BMJ Global Health”.

As sardinhas e outras espécies forrageiras — ou seja, que servem de alimento a peixes maiores e outros animais marinhos, e desempenham um papel importante na manutenção da ordem da cadeia alimentar — “são uma alternativa promissora à carne vermelha” para evitar doenças coronárias, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e cancro do intestino.

Contudo, devido à oferta limitada, só podem substituir uma fração — cerca de oito por cento — da carne vermelha mundial. A investigação sugere o aumento do consumo global diário per capita de peixe para perto do nível recomendado. Para a população portuguesa em geral o consumo deverá ser entre quatro a sete vezes por semana, aponta a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária.

Esta alteração na dieta seria “especialmente útil” em populações de países de rendimento baixo e médio, onde estes peixes são baratos e abundantes, e a prevalência de doenças cardíacas é elevada. O consumo de carne vermelha e processada é associado a um risco mais elevado de patologias não transmissíveis (como as relacionadas com a alimentação). Em 2019, este tipo de doenças foram responsáveis por cerca de 70 por cento de todas as mortes em todo o mundo, sublinham os autores.

Os peixes forrageiros são ricos em cálcio, vitamina B1 e em ácidos gordos ómega-3. Estas gorduras saudáveis, com ação anti-inflamatória, ajudam a regular o colesterol e protegem contra doenças cardiovasculares — como já lhe contámos neste artigo.  

 

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