Ginásios e outdoor

A antiga escola primária que se transformou num ginásio completamente gratuito

Fica no concelho de Bragança e pretende proporcionar a todos os idosos um envelhecimento mais saudável e feliz.
Abriu no início do mês.

A antiga escola primária da aldeia de Casario, no concelho de Bragança, tem agora uma nova vida. Desde o início do mês de maio que se transformou num ginásio totalmente gratuito, uma ideia tida a pensar especialmente nos mais idosos.

“Estava inativa há mais de 15 anos, por fora estava quase a cair e nós decidimos dar-lhe um novo uso, quase uma segunda oportunidade. Em 2018, para que a população mais velha pudesse começar lá a ter aulas de grupo de ginástica juntámos as duas salas separadas que existiam, porque antigamente as raparigas e os rapazes tinham aulas separados, era assim que funcionava. O que fizemos foi transformar tudo num grande espaço e enchê-lo de alegria, desta vez com os mais velhos em vez de ser com os mais novos”, começa por contar à NiT Manuel Fernandes, presidente da Junta de Freguesia de Aguieiras.

Decorridos alguns anos, o objetivo de proporcionar uma vida mais ativa, com mais saúde e com mais convívio a todos os idosos escalou para outro nível. “A ideia de criar o ginásio surgiu como tantas outras. Candidatei-me ao cargo porque queria fazer o bem e melhorar as condições de todas as pessoas. Penso sempre de forma mais carinhosa nos idosos, é quase um compromisso comigo mesmo, quero dar-lhes uma maior qualidade de vida.”

Na freguesia moram cerca de 200 pessoas e grande parte delas já tem acima dos 70 anos. Atualmente a frequentar o ginásio estão 18 (dentro dos 45 aos 75 anos), número que tem crescido todas as semanas.

Embora a iniciativa tenha sido pensada para os mais velhos, nós não fechamos as portas a ninguém. Todas as idades são bem-vindas e todas as pessoas que morarem nas nove aldeias que pertencem à junta de freguesia serão sempre recebidas de braços abertos.”

“Quando inicialmente falámos nesta possibilidade do ginásio, os idosos não acharam muita piada. Diziam que não era para eles, só para os mais novos, e que não iam ter capacidades. Depois começaram a gostar e são os próprios que já têm iniciativa. Em alguns dias até me pedem para fazer máquinas em vez de termos aulas”, conta à NiT Elodie Reis, a professora de fitness.

Neste momento, de um lado são dadas as aulas de grupo, que podem ser de vários tipos: mobilidade, porque algumas das pessoas já têm mais dificuldades motoras; cardíacas, como dança, corrida ou caminhada acelerada; fortalecimento muscular e de dinâmica de grupo, onde são feitos jogos e dinâmicas de convívio.

Do outro ficam as já dez máquinas disponíveis para a prática desportiva. “Inicialmente só tínhamos seis, mas rapidamente se revelaram insuficientes para a adesão que tivemos. Pedimos ajuda aos ginásios aqui da zona e o José Pina, do Ginásio Clube de Mirandela ofereceu-nos mais quatro aparelhos”, ressalva o presidente. Sendo assim, disponíveis para uso estão passadeiras, bicicletas, remos, elípticas, spin e uma multifunções.

A instrutora já acompanhava alguns dos utentes nas sessões de fitness e agora está mais disponível para os ajudar a fazer todos os exercícios e tirar dúvidas. “A verdade é que muitos nunca tinham experimentado, nem sequer visto máquinas destas. No início fizemos aulas mais de observação. Algumas pessoas acabam por ainda ter receio de utilizar os aparelhos, principalmente a passadeira, mas com o tempo vamos lá.”

O mais difícil acaba por ser a necessidade das aulas se adequarem a todas as pessoas, todas com características e limitações diferentes. Algumas acabaram de ser operadas, outras já estão mais limitadas ou até têm incapacidades, mas no final todas gostam do que fazem.

“Nota-se que as pessoas estão felizes e que se sentem bem. Há muitos meios mais isolados que também precisam deste tipo de iniciativas. É bom podermos ajudar quem precisa. Por exemplo, temos cá uma rapariga com uma deficiência que tem evoluído muito bem. Ela praticamente não andava sem ajuda, os médicos nunca tinham percebido o porquê. Pelos vistos era simplesmente falta de reforço muscular, porque já se está a conseguir mexer autonomamente.”

Atualmente o ginásio funciona quatro dias por semana. Às terças e quintas são os dias das aulas, que acontecem sempre pelas 19 horas e duram 45 minutos, e às quartas e sábados é quando as pessoas podem utilizar livremente as máquinas de musculação (sempre com a supervisão da professora).

Brevemente, o presidente da Junta tem previsto começar a abrir um dia por semana para habitantes que não sejam da freguesia, para que também possam usufruir do espaço se assim pretenderem.

Carregue na galeria para ver mais imagens da escola que ganhou uma segunda vida.

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