Ginásios e outdoor

A história do português que já fez mais de 600 corridas de bandeja na mão

Carlos Ferreira, mais conhecido como Carlos Bandeijas, corre sempre com o fato de empregado de mesa vestido. A NiT entrevistou o português de 57 anos.

Uma lenda na Amadora.

Sapatilhas coloridas, leggings, calções e T-shirts com tecidos que permitam respirar. Normalmente, este é o equipamento ideal para uma corrida. Porém, nas provas que acontecem em Lisboa, entre a multidão, há sempre uma figura que troca esse conforto por um fato de empregado de mesa vestido e uma bandeja na mão com uma garrafa de água Vitalis e um copo de vidro. Estamos a falar do português Carlos Ferreira, mais conhecido como Carlos Bandeijas (Bandeijas com “i” é o seu nome de atleta).

Tem 57 anos, mas corre desde os 12. Foi com essa idade que integrou os iniciados do Benfica de Luanda, em Angola. Embora adorasse correr lá, acabou por vir para Lisboa, mais concretamente para a Amadora, onde se dedicou à restauração. Atualmente, é gerente do restaurante Os Cunhados, em Benfica, onde também trabalha como empregado de mesa e balcão, mas não é por isso que corre com o seu fato de trabalho.

“Houve um ano, ainda antes de 2000, em que fui ver a São Silvestre da Amadora e reparei num indivíduo, que também se chamava Carlos Ferreira, a correr de bandeja na mão. O pessoal que o estava a ver adorava aquilo e dizia se o homem da bandeja não participasse as corridas não tinham piada”, conta à NiT Carlos Bandeijas.

Por curiosidade, acabou por o abordar e, mais tarde, correr junto a ele, criando uma ligação.

“No fundo, continuei o legado dele. Há muitas corridas em que sou convidado para estar presente, porque querem que o homem da bandeja esteja lá.”

O português de 57 anos começou a correr com a bandeja na mão em 1993. Ou seja, quando tinha 25 anos. O conjunto foi sempre o mesmo: colete, camisa, laço e calças. Inicialmente, levava sapatos calçados. Porém, não era confortável e havia pisos mais escorregadios em que se tornava perigoso correr com eles. Cerca de dois anos depois conseguiu encontrar umas sapatilhas de corrida da Nike em preto que também “fica bem na fatiota”.

“Lembro-me de ouvir mães a dizerem aos filhos “toca na mão do senhor da bandeja que dá sorte” e achava muita graça”

Na bandeja leva sempre a garrafa de água da marca Vitalis, sendo que há um motivo para isso. Carlos explicou à NiT que quando começou a correr as inscrições eram bastante caras. Como trabalhava no ramo da hotelaria e tinha contactos, a marca começou a ajudá-lo nessa parte. Durante todos estes anos recebeu vários convites para correr com outras marcas de águas e até bandejas, mas decidiu continuar sempre com a Vitalis.

“Mas a garrafa de água e o copo vão colados à bandeja, certo?” — pergunta inocentemente a NiT. Pois bem, a resposta foi “não” acompanhada de alguns risos.

“Vai tudo solto e só deixei cair o copo uma única vez. Isso aconteceu numa Meia Maratona de Lisboa com a confusão, mas ainda o consegui apanhar no ar”, conta.

Carlos tem noção de que aquilo que opta por usar nas corridas torna as provas ainda mais difíceis. Afinal, o fato provoca imenso calor e a bandeja requer maior equilíbrio. Entre os momentos mais complicados que já passou destaca a Corrida Fim da Europa, que vai até ao Cabo da Roca.

“Apanhei uma parte em que subia e subia e estava uma ventania tremenda. Deixava inclinar o corpo para um lado para não cair nada.”

Há uns anos a preparação era essencial. Agora, correr de bandeja na mão já é um hábito. Lembre-se que o dia a dia do português no restaurante é esse. Portanto, juntou “o útil ao agradável”.

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