Ginásios e outdoor

A nova academia de street arts de Lisboa fica em Benfica (e tem muita dança)

Mais do que um projeto social, é um espaço que quer ser o palco de várias artes performativas para todas as idades.
Os três complementam-se.

Dança de rua, música, artes plásticas, audiovisuais ou até medicina chinesa. Pode parecer confuso, mas há um novo spot em Benfica que junta tudo isto num só local. Vítor Fonseca, mais conhecido como Cifrão, Noua e Vasco Oliveira são as caras da Arcade Dance Center, que fica junto do Palácio Baldaya, na zona de Benfica, em Lisboa, e que junta 25 pessoas na equipa.

“Os nossos amigos, que dançam connosco há mais de 15 anos, são também outras coisas. Uma delas é médica de medicina chinesa e abriu a própria clínica”, revela à NiT Vasco Oliveira. Foi com o grupo de amigos que surgiu a ideia de criar um espaço que juntasse diferentes áreas que se complementassem.

Tudo começou há dois anos quando o grupo de três amigos começou a falar em criar uma escola, mas foi apenas há seis meses que o sonho começou a tornar-se uma realidade. “Conseguimos entrar em contacto com a Junta de Freguesia de Benfica e eles mostram-nos este espaço incrível que estava abandonado”, explica Cifrão.

As obras começaram há apenas um mês e meio e o espaço, que era anteriormente uma clínica veterinária, já está aberto. “Acabámos às cinco e meia da manhã de sexta-feira e abrimos no dia a seguir às nove da manhã”, acrescenta Noua.

A escolha do local não foi aleatória. “A freguesia de Benfica é das que apoiam mais a cultura, seja a música, a street art ou a dança. Eles tinham muita vontade de ter uma escola de dança com alguma importância na zona”, explica Vasco. A academia situa-se dentro do Palácio de Baldaya, que, além de um café e exposições regulares, recebe também eventos culturais com regularidade, como concertos. 

“Queremos promover uma vida ativa e saudável, fundamental para o desenvolvimento das pessoas, em qualquer faixa etária”, afirma Carla Rhotes, vogal da Junta de Freguesia de Benfica. Com a academia colocam à disposição dos moradores “um maior leque de ofertas desportivas”. “Asseguramos que crianças, jovens, adultos e seniores com mais dificuldades socioeconómicas podem ter acesso a atividades que, de outra forma, não seria possível.”

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As aulas decorrem com todo o cuidado.

“A experiência que nós temos de tudo o que correu mal no nosso percurso e de tudo o que correu bem, tentamos colmatar aqui”, explica Cifrão. O trio quer que o resultado seja o melhor possível, quer a nível de condições das salas ou da qualidade dos professores. 

Há mais do que um objetivo, mas o principal é “privilegiar o ensino do street dance e também trazer para aqui os bailarinos, fazendo disto um hub criativo para uma área que não tem tanto espaço”, justifica Cifrão. A academia é um espaço de várias artes, sendo um projeto “onde tudo foi orgânico”, mas também onde não há nada que não faça sentido.

A dinâmica do trio e a abertura em tempos de pandemia

Responsável, talentoso ou até mesmo irresponsável, são estes os adjetivos que o trio de fundadores utiliza para se descrever. “Cada um complementa o outro”, é assim que Noah caracteriza a relação entre o grupo de amigos.

“A Noua é a mais hábil para as contas, o Vasco tem um sentido diferente sobre a forma como organiza as aulas aqui, e eu coloco tudo a funcionar e faço com que todas as peças se juntem”, explica Cifrão. 

Ainda que a pandemia possa ter colocado as carreiras de vários artistas em suspenso, não deixa de ser complicado gerir um espaço como este e estar envolvido noutros projetos. Ainda assim, nenhum dos três considera que isso venha a ser um problema. “Como nós os três fazemos na prática as mesmas coisas, basta um de nós não estar e outro sabe responder rapidamente a tudo. Na realidade, não estamos presos aqui”, explica Noua.

Além disso, os responsáveis trouxeram vários projetos pessoais para a academia. “Tudo o que são as nossas agências, espetáculos, trouxemos até aqui”, acrescenta Vasco. Há duas empresas parceiras com espaços nesta academia, que são a Bagua, que trouxe as terapias de medicina chinesa e de osteopatia, e a Moving Pictures, da área audiovisual. 

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Há uma sala para a medicina chinesa.

Abrir um espaço numa pandemia tem os seus desafios, mas isso não desanima os três fundadores. “Se antes podíamos aproveitar que saíamos mais cedo para ir a uma aula, agora temos que ver se ainda podemos reservar”, aponta Noua como uma das limitações. “Quando tu reduzes o grupo, a própria tendência da aula começa a ser cada vez mais discutida”, acrescenta Vasco. 

“Não está tudo como queremos, na realidade. Os três temos muitas ideias, mas organicamente hão de acontecer muito mais coisas”, afirma Noua. Para já, ficam apenas as modalidades com que abriram o espaço. No entanto, no futuro pode surgir outro tipo de atividades. Não há limites. 

O espaço que abriu no passado fim de semana já tem uma mão cheia de modalidades diferentes que todos podem experimentar. Ainda assim, em tempos de pandemia, é preciso ter todos os cuidados possíveis. À entrada todos têm de utilizar máscara e quando chegam aos estúdios podem tirá-la assim que estiverem num dos lugares marcado no chão.

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A dança está em destaque.

 

Além disso, precisam de desinfetar as mãos à entrada e trocar as sapatilhas. “Neste momento estamos a utilizar dois estúdios. Quando temos uma aula num deles, a atividade seguinte é no outro. Dessa forma, o estúdio fica a respirar e a ser desinfetado”, afirma Cifrão. A academia tem quatro estúdios, mas apenas dois estão a ser utilizados — os outros vão ser para os ensaios. 

É possível comprar packs de aulas que ficam reservadas para o mês todo. Por exemplo, se o cliente optar por comprar duas aulas por semana — ou oito ao mês — essas sessões ficam reservadas e a vaga está sempre garantida.

A Arcade Dance Center tem também o pack combo, com dez aulas por semana ou até mais (conforme a disponibilidade). Os preços para as mensalidades começam nos 40€ e vão até aos 80€, mas pode experimentar uma aula sem qualquer custo.

Os moradores de Benfica vão usufruir de 20 por cento de desconto no ato de inscrição, visto que um dos objetivos é promover a prática da atividade física e colocar à disposição dos cidadãos o maior leque de ofertas desportivas no bairro.

As aulas variam todos os meses e para já é apenas conhecido o calendário de outubro. Às segundas pode experimentar aulas de barra no chão, isto é, um exercício que se baseia em técnicas de ballet executadas no solo, com Laura Lima, uma atleta de alta competição de ginástica rítmica. 

Todas as terças há aulas de popping, que é um estilo de dança que mistura dança urbana e dança de funk original, dadas por Sílvio Ferreira, que já tem experiência na área. Pode ainda experimentar aulas de hip hop ou de dance. Todo o programa pode ser consultado na conta de Instagram da academia. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Estr. de Benfica 701A, 1500-087 Lisboa
    1500-087 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda a sábado das 10h às 23h
  • Encerra ao domingo
PREÇO
40€-80€
TIPO
Ginásio

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