A Maratona de Lisboa ficou mais cara este ano. Em 2025, os preços começavam nos 60€ e, em 2026, passaram para cerca de 70€. Atualmente, os últimos bilhetes estão disponíveis por 134€. Mas porquê? A NiT falou com a organização da prova para perceber a que se deve este aumento.
Segundo os responsáveis, a mudança deve-se ao aumento dos custos de realização da prova e à entrada no European Marathon Classic, circuito internacional que reúne algumas das principais maratonas europeias. A competição lisboeta passa a estar ao lado de provas como Londres, Madrid, Roma, Copenhaga, Viena, Varsóvia e Frankfurt, numa mudança que pretende aumentar a presença de atletas estrangeiros e dar mais visibilidade internacional à cidade.
“Temos uma grande evolução a nível da prova porque entrámos no circuito European Marathon Classic”, explica Nuno Azevedo, diretor-geral da Maratona Clube de Portugal, à NiT. A integração implica o pagamento de uma taxa à organização do circuito, cujo valor não pode ser divulgado por estar sujeito a acordos de confidencialidade. No entanto, sabe-se que “são bastantes dezenas de milhares de euros”, revela.
A nova posição no circuito também obriga a Maratona de Lisboa a cumprir um conjunto de critérios relacionados com a experiência dos participantes. Entre as exigências estão alterações na assistência ao longo do percurso, nos abastecimentos, nas casas de banho e nos transportes. “As provas que pertencem a este circuito têm de ter uma casa de banho por cada 50 atletas. Antes, tínhamos uma por cada 100 participantes”, conta Nuno Azevedo.
A diferença também se sente nos abastecimentos. Enquanto o habitual é encontrar pontos de apoio a cada cinco quilómetros, em Lisboa passam a existir a cada 2,5 quilómetros. A organização reforçou ainda a equipa de apoio médico, que envolve cerca de 300 pessoas durante a prova.
O investimento na experiência, contudo, começa antes da partida. A Sport Expo, espaço onde os participantes levantam os dorsais, terá novos dispositivos e ativações. Também foi criado um Guest Lounge e há ainda mudanças nos produtos oferecidos aos atletas, incluindo os géis e as T-shirts. Ao longo da prova de 42 quilómetros, que decorre a 10 de outubro, haverá bandas e DJs a tocar.
Outra das preocupações identificadas pela organização está relacionada com a deslocação dos participantes até à parte. A Maratona Clube de Portugal disponibiliza transportes gratuitos aos atletas mediante a apresentação do dorsal, incluindo metro, autocarros e comboios. “É uma estratégia nossa para trabalharmos na direção da sustentabilidade”, diz Nuno Azevedo.
Apesar do apoio da Câmara Municipal de Lisboa, a organização tem de suportar os pagamentos à CP, ao Metro e aos operadores de autocarros. Com o crescimento do número de participantes, também foi necessário reforçar o número de veículos disponíveis.
A despesa com a segurança representa outra parcela da fatura. Os custos associados à polícia aumentaram desde o ano passado e o reforço necessário para acompanhar a dimensão da prova tem impacto no orçamento. No conjunto, os custos operacionais para organizar a Maratona de Lisboa cresceram entre 35 e 40 por cento nos últimos três anos. “Está tudo a aumentar muito”, resume o diretor-geral.
Há ainda uma nova despesa associada às garrafas de água distribuídas durante a prova. Devido aos 10 cêntimos extra que têm de ser pagos, a organização estima um custo adicional de cerca de 30 mil euros.
A subida do preço das inscrições acontece, por isso, “num contexto de aumento geral das despesas de produção”. Mas o mesmo não acontece nas outras provas da empresa. “Aumentámos o preço da maratona, mas mantivemos os preços nas outras todas, como a Meia Maratona de Lisboa. Não subimos os preços nas provas onde há mais portugueses a participar”, realça.
O valor da inscrição também varia consoante a fase em que é feita. As primeiras inscrições têm um preço mais baixo, que aumenta à medida que se aproxima a data da prova. A organização procura, segundo o responsável, manter diferentes possibilidades de acesso à competição. “Há um preço inicial mais barato e depois vai ficando mais caro, mas há cuidado em tentar ser o mais flexível para que o português não seja tão impactado”.
Esta estratégia está ligada ao perfil internacional que a organização quer dar à prova. Cerca de 3.000 portugueses participam na maratona, enquanto a meta passa por aumentar o número total de corredores e, em particular, captar participantes estrangeiros. No ano passado, a prova reuniu cerca de 15 mil pessoas e a expectativa para este ano é manter um número semelhante. Para 2027, a organização aponta para os 22 mil.
“Se queremos fazer como se faz lá fora, precisamos de 20, 25 mil pessoas”, explica Nuno Azevedo. A diferença está no peso dos atletas internacionais: mais de 70 por cento dos participantes são estrangeiros.
A presença destes corredores tem também impacto fora da própria corrida. A organização estima que cerca de 18 mil estrangeiros se desloquem a Lisboa para participar na Maratona e cada um traz, em média, mais duas ou três pessoas que permanecem na cidade durante um ou dois dias. Feitas as contas, estima-se que haja um retorno económico de 25 a 30 milhões de euros para Lisboa.
O grupo também investe na contratação de atletas de elite. Zablon Chumba, que venceu no ano passado, quebrou o recorde mundial e, por isso, recebeu 100 mil euros — além do cachê acordado entre ambas as partes.
Claro que os patrocínios também têm um papel importante no financiamento da prova, mas não são o suficiente. “Estes valores não aumentam na mesma direção que os custos operacionais”, realça Nuno Azevedo.
O lucro que possa surgir é usado de diferentes formas. Uma parte é destinada às próprias provas, com o objetivo de melhorar a organização e aproximá-la dos padrões das grandes competições internacionais. Outra é canalizada para o clube e para o apoio a atletas jovens que participam em competições. A terceira vertente é solidária, através do trabalho desenvolvido com associações.
Entre as entidades apoiadas está a Liga Portuguesa Contra o Cancro, através da qual já foram angariados mais de 1,2 milhões de euros — principalmente graças à prova Corrida Mimosa Pela Vida, que decorre em março.
As inscrições para a Maratona de Lisboa ainda estão abertas e, nesta fase final, custam 134€.
Se não gosta de competição, carregue na galeria para conhecer alguns trilhos que pode percorrer em Portugal.







