Ginásios e outdoor

Alessandra: a bodybuilder que começou a viver aos 40 anos (e que já ganhou tudo)

A brasileira nunca faltou a um treino e todo o seu dia é cronometrado. A disciplina e a organização são duas regras absolutas.
Tem 45 anos e ainda ganha campeonatos.

Alessandra Pinheiro treina há quase 30 anos e apaixonou-se pelo ginásio quando tinha apenas 16 anos. Hoje, 30 anos depois, ganhou todas as competições de bodybuilding em que participou e quer chegar ao topo da carreira no palco do Mr. Olympia. A atleta vive um dia a dia cronometrado ao minuto e revela à NiT que nunca faltou ou chegou atrasada a um treino no ginásio.

Foi a primeira campeã da categoria Wellness, em todo o mundo. E foi precisamente nesta categoria que se tornou atleta profissional. 16 anos depois quer voltar a competir onde começou e ganhar um lugar no Mr. Olympia — a derradeira prova para todos os bodybuilders.

Alessandra tem mais de 400 mil seguidores de Instagram e 100 por cento das suas alunas e clientes são mulheres, de todo o mundo. “Quero ajudar as mulheres de 40 e 50 anos a entenderem que a vida não acaba aos 40. A sua vida começa aos 40 anos e é a segunda infância”, explica à NiT.

Alessandra tem 45 anos e compete com várias raparigas de apenas 20 anos, mas isso não a assusta: “É um elixir de juventude.”

Quando é que começou a interessar-se pelo desporto?
Desde os cinco anos que faço desporto. Aos 14 entrei numa academia para fazer ginástica local, mas era ao lado de um ginásio de musculação. Aqueles pesos encantaram-me. Com 16 entrei no ginásio e nunca mais parei. Já treino há quase 30 anos.

Sempre gostou de bodybuilding?
Sim, principalmente pelo estilo de vida que os atletas têm: treinar e comer de forma saudável. Desde criança que gostava de desenhos animados de guerreiras com corpos mais treinados. Nunca me interessei por bonecas. Na adolescência ia acompanhando o pouco que podia sobre o desporto. Na altura em que comecei, não tínhamos o acesso à informação que temos hoje. Tentava aprender o máximo que eu pudesse sobre a modalidade através dos próprios atletas de competição e instrutores fitness.

Quando é que começou a competir?
Tinha 29 anos, em 2005, exatamente quando estreou a categoria Wellness no Rio de Janeiro, no Brasil. Sou a primeira campeã da história da categoria Wellness em todo o mundo. Hoje a categoria é internacional e profissional, mas já passaram 16 anos. Fui mudando de categoria porque naquela época o Wellness não era internacional, nem profissional, e o meu objetivo era ser uma atleta profissional. Depois de sete anos consecutivos como campeã nesta categoria, mudei para a Body Fitness. Fui bicampeã estadual, brasileira, Americana e mundial. Mas já participei em várias competições e categorias e fui ganhando quase tudo em que competi. Em 2012 tornei-me numa atleta profissional de bodybuilding.

Como é que é o dia a dia de uma atleta profissional?
Independente de palco ou não, sou sempre a mesma pessoa e tenho sempre a mesma rotina. Há 16 anos que não como nenhum tipo de açúcar, fritos, industrializados ou enlatados. Não bebo nenhuma bebida alcoólica, não fumo e durmo cerca de sete ou oito horas por noite. Faço uma hidratação de três litros de água por dia.  Ao que as pessoas chamam de dieta, para mim é apenas comida saudável. 

Treina todos os dias?
Dou muita prioridade ao descanso, ou seja, não treino todos os dias. Deixo sempre no mínimo um dia de descanso. Além de que normalmente não treino mais do que uma hora e meia dentro de um ginásio. Se num dia não tiver de treinar, cumpro com o descanso, mas se for para treinar, nunca falto. Mas nunca aconteceu ter de faltar a um treino ou atrasar-me por causa de algum outro compromisso. Treino sempre à mesma hora e programo o meu dia sempre a pensar nisso. 

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por ALESSANDRA PINHEIRO IFBB PRO (@alessandrapinheiroifbbpro)

Como é que faz nos jantares de grupo?
Sem o meu pote não sou ninguém. Ando sempre com a minha comida porque sou adepta de uma alimentação de três em três horas. Sei que há outros tipos de estratégia nutricional e dietas, mas funciono muito bem desta forma. Se vou à praia, cinema, viagens, tenho sempre a minha comida comigo. Sei a forma como preparo e faço-o da forma mais saudável possível. Peso a minha comida, por isso sei exatamente quanto estou a comer de calorias e macronutrientes. Se for jantar com amigos num restaurante, vou tentar da forma mais saudável possível escolher uma opção do menu. Mas 90 por cento dos casos tenho a comida comigo.

E há tempo para tudo?
Temos de ter muita organização e disciplina. Uma coisa fundamental para que as coisas aconteçam na sua vida é se for uma pessoa extremamente organizada e disciplinada.  Claro que existem fatores que são inerentes à nossa vontade e no dia a dia acontecem coisas que não controlamos, mas depende de mim e do meu controlo fazer as coisas porque têm de ser feitas. Por isso é que o dia funciona. Mas claro que nem sempre dá tudo certo, e é nesse momento que o fator resiliência é ainda mais importante. Até tenho essa palavra tatuada porque é muito importante para mim.

Como arranja motivação para fazer bodybuilding há tantos anos?
As pessoas prendem-se à motivação, mas a motivação está relacionada com a emoção e sentimento. Se estão bem vão treinar, se estão mal já não vão. Não nos devemos prender à motivação porque pode falhar. O que me faz seguir não é a motivação, mas a disciplina. Fazer o que tem de ser feito. Nem todos os dias acordamos motivados, mas independente disso, se formos disciplinados e treinados mentalmente para conseguir fazer aquilo que tem de ser feito, fazemos. É o resultado da disciplina que nos faz ficar motivadas. 

O que é que falta ganhar?
Já ganhei tudo em que participei. Todas as categorias em que competi, fui campeã. O objetivo agora é estar no palco do Mr Olympia, na categoria em que me iniciei no desporto, a Wellness. Sou uma atleta muito realizada. Poder competir com meninas 20 anos mais novas que eu é muito bom para mim. É um elixir de juventude. 

Como é que vê o seu futuro?
Nunca vou parar de estudar nas minhas duas áreas, educação física e nutrição. Quero sempre saber e ensinar mais. Além de continuar com o que tenho feito e ajudar as mulheres de 40 e 50 anos a entenderem que a vida não acaba aos 40. Na minha opinião, a sua vida começa aos 40 anos e é a segunda infância. O meu trabalho é levar o treino, alimentação e vida saudável para a vida dessas mulheres. 

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT