Ginásios e outdoor

Alice Trewinard tem uma relação amor-ódio com o exercício físico — e está tudo certo

A influencer tem um bebé de quase sete meses e revela que a parte mais complicada foi a amamentação.
O exercício físico durante a gravidez foi importante.

Alice Trewinnard é uma das mais conhecidas influenciadoras portuguesas no Instagram. A luso-britânica, que vive em Portugal, tornou-se um sucesso nas redes sociais em pouco tempo. A também youtuber de 31 anos já faz disso o seu trabalho a tempo inteiro, mas continua a estar fortemente ligada ao curso que tirou — dietética e nutrição.

Ficou conhecida pelo seu projeto “Golden Locks”, que se divide entre um blogue, o Facebook e o Instagram, onde sugere vários penteados e dicas para o cabelo. Em 2015, reproduziu parte desse trabalho no livro “Alice no Mundo das Tranças e dos Penteados“. Nele vai encontrar 60 penteados passo a passo, desde a trança básica ao apanhado mais complexo, para que os possa fazer sem ter de sair de casa.

Já nessa altura tinha um canal no YouTube, em que mostrava alguns desses penteados. Agora, o espaço continua a existir mas em nome próprio. Soma mais de 186 mil subscritores. Mas é no Instagram que a influenciadora partilha o seu dia a dia com os quase 290 mil seguidores e aborda temas como a nutrição, aalimentação saudável, cabelos e penteados e, claro, o exercício físico.

A 17 de maio de 2021 foi mãe de uma menina e a rotina de Alice deu uma volta de 180 graus. Vera é uma bebé adorável e Alice recuperou rapidamente a forma física anterior à gravidez. “A amamentação foi o processo mais duro do pós-parto”, conta em entrevista à NiT.

Como é que descreve a sua relação com o exercício físico?
Amor-ódio. Sempre fui um pouco preguiçosa, mas sempre quis treinar por causa dos benefícios do exercício. Até mesmo por uma questão de saúde, auto-estima e aspeto físico também, claro. Mas custa e não parto sempre cheia de vontade treinar. Mas no final do dia compensa sempre. Noto logo imediatamente no meu humor, fico outra pessoa. 

Quando é que começou a praticar?
Desde os seis anos que faço desporto com regularidade no meu dia a dia e já fiz muitas coisas diferentes. Tenho fases. Tanto estou mais focada no treino de força, como mudo para cardio ou aulas de grupo. Antes de engravidar treinava num ginásio com personal trainer. Gosto de ir variando. 

Durante a gravidez que exercício físico praticou?
Comecei a praticar Pilates. A primeira vez que fiz esta modalidade foi no início, logo no primeiro trimestre. Um Pilates funcional e pensado para quem está à espera de bebé. E também fiz muitas caminhadas.

Sempre se sentiu bem com o seu corpo?
Já tive fazes da minha vida em que me olhava ao espelho e não gostava tanto do que via, mas mantive sempre a minha rotina de treino. O meu objetivo é cumprir aquilo a que me proponho. Fazer com que todas as semanas me mantenha ativa. Esforço-me mais por cumprir esse objetivo do que atingir determinado peso.

No processo pós-parto, foi uma preocupação voltar rapidamente à atividade física?
Não senti esse tipo de pressão. Só Voltei aos treinos quando tive a autorização do médico e mais porque sentia falta de estar ativa. Não que sinta falta da atividade em si, mas preciso de mexer o corpo. Aí senti alguma saudade, mas não estava com pressa de recuperar a minha forma física. Isso nunca foi o meu objetivo.

Que tipo de modalidades quer retomar agora no pós-parto?
Mantenho o Pilates semanalmente e gostava de recomeçar com o cardio de impacto, como correr e aulas com saltos, agachamentos, HIIT. Tive de parar durante a gravidez, mas gostava de voltar. Não é o que mais gosto de treinar, mas é aquilo que resulta melhor comigo. 

Qual é a sua preocupação com a alimentação?
É um bocadinho como com o exercício físico, se bem que tenho muito mais prazer em comer. Acima de tudo quero manter-me saudável. Com o meu background e o que fui aprendendo ao longo do curso, nem sequer faz sentido para mim não ter cuidado com a alimentação. Nunca fui extremista e claro que, volta e meia, gosto de comer coisas menos saudáveis. 

Porque é que partilha vídeos onde mostra o que come durante o dia?
Nunca partilhei com a intenção de que fizessem o que eu faço. As pessoas interessam-se mais por esse tipo de conteúdo porque sabem que tenho alguma competência na área e levam mais a sério as dicas e receitas que faço. Não é o meu objetivo dar a entender que é aquela a forma correta de comer. São apenas as escolhas que faço. 

Fez alguma mudança alimentar quando engravidou?
Não. Apenas tive cuidado com a prática regular de exercício físico, mais até do que com a alimentação. Em relação à minha fase antes da gravidez, até acho que fui menos cuidadosa. Não foi uma coisa descontrolada, nem tive desejos de grávida, mas também não fui particularmente regrada. Só tive os cuidados inerentes à gravidez para não pôr o bebé em risco. Sem excessos.

No dia a dia, quais são os principais cuidados que tem com a alimentação?
Procuro comer comida real. Não gosto de alimentos muito processados e industrializados. Gosto de comer aquilo que a natureza nos dá. Não sou vegetariana, nem vegana e apenas não como camarão porque sou alérgica. Nunca contei calorias, mas quando como um alimento com uma densidade mais calórica ao jantar, tento fazer uma refeição mais leve ao almoço. No dia a dia evito os açúcares adicionados, os bolos e doces, mas se me apetecer um chocolate, um gelado ou uma bola de Berlim na praia, aí mimo-me sempre.

No pós-gravidez fez alguma adaptação na alimentação?
Mantenho tudo igual. Atualmente tenho menos tempo e não faço tantos pratos elaborados, mas não mudei nada. A Vera está a explorar a comida e ao longo do tempo quero ir introduzindo aquilo que nós normalmente comemos no dia a dia.

Que cuidados vai ter com a alimentação da Vera?
Ainda estamos numa fase muito inicial, mas a minha ideia é que coma essencialmente sopa, fruta e nunca industrializados, processados e muito menos com adição de açúcares. Mas por outro lado, quero que ela experimente o máximo de coisas possível e que não seja esquisita com a comida. Para ter uma boa relação com a comida e com os alimentos e ao mesmo tempo experimentar várias texturas e sabores. Mas não fazer disso regra.

O que é que foi mais complicado no pós-parto?
Em termos físicos, o meu corpo recuperou muito facilmente. Provavelmente por me ter mantido ativa até ao parto e porque não aumentei muito o peso. O mais complicado foi a novidade de ser mãe, o quarto trimestre. Além de que o processo de amamentação foi duríssimo. Dói bastante e tive imensas feridas que demoraram a cicatrizar. Tive toda a ajuda possível, mas nada melhorou a amamentação. Acho que não há ninguém que não tenha sofrido, de uma maneira ou outra, mas nunca conheci ninguém que tivesse passado tão mal quanto eu e durante tanto tempo. 

Amamentar sempre foi importante para a Alice?
Sim. É realmente o melhor alimento que podemos dar ao nosso bebé porque foi feito especificamente para ele. Não tem mal nenhum quem não quer amamentar, mas para mim a escolha que sempre fez mais sentido foi amamentar. Acho que fui teimosa e tinha de resultar a bem ou a mal. Foi a mal durante quatro meses. Entretanto aos cinco meses e meio ela foi perdendo o interesse em mamar e acabei por deixar. No final já estava tudo bem e sem dores ou feridas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT