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Aos 27 ficou preso a um aparelho respiratório. Decidiu mudar e já perdeu 75 quilos

O enfermeiro Tiago Cação sempre foi "gordinho". Apanhou um susto que o levou a pedir ajuda e fez uma cirurgia bariátrica.
Tiago Cação tem 32 anos e já perdeu 75 quilos.

Tiago Cação sempre quis ajudar os outros a serem mais saudáveis. Começou como bombeiro voluntário e, mais tarde, decidiu ser enfermeiro. No entanto, até dada altura, o seu percurso profissional parecia ser um exemplo de um célebre ditado popular. “Em casa de ferreiro, espeto de pau.”

Aos 27 anos, Tiago foi diagnosticado com insuficiência respiratória. Embora estudasse numa escola de saúde, desvalorizava o facto de pesar 177 quilos — até se ter tornado algo impossível de ignorar. “Estava sempre cansado e com muita falta de ar. Um dia estava tão mal que precisei mesmo ir a uma urgência. Só saí do hospital 17 dias depois e com um aparelho para me ajudara respirar.” Nesse dia, tomou uma decisão: ia pedir ajuda.

Atualmente com 32, nunca tinha conhecido outra realidade. “Em miúdo fui operado às amígdalas e, daí em diante, tudo mudou. Ganhei cada vez mais apetite, comia sem regras e acabei por ganhar muito peso”, conta. Durante a adolescência foi acompanhado por médicos e nutricionistas e fez dezenas de dietas restritivas (e infrutíferas) para tentar emagrecer.

Embora nunca tenha deixado que a obesidade o privasse de ser feliz, confessa que nem sempre foi fácil. “Sou um pouco tímido, mas estou sempre bem-disposto. Acho que quase ninguém se apercebia de como, às vezes, ficava triste com o que via no espelho, porque acabava por disfarçar”, diz. Quando entrou para a faculdade, o cenário piorou. “Sofri preconceito e discriminação devido ao excesso de peso”, recorda.

Tentou, por várias vezes, submeter-se à cirurgia bariátrica. Porém, embora preenchesse os requisitos, nunca conseguiu levar a decisão avante. “É um processo muito longo, difícil e carregado de obstáculos. Nunca me senti preparado para enfrentar algo assim”, explica o jovem de Braga. Contudo, em dezembro de 2018, enquanto terminava o estágio de enfermagem, as orientadoras motivaram-no a tentar mais uma vez.

“Como estudante desta área, tinha consciência que a obesidade era um fator de risco para uma série de doenças, como a diabetes, hipertensão, enfarte ou AVC. Mas acho que só quando passei por uma situação complicada é que percebi, realmente, que podia morrer devido ao excesso do peso.”

A falência respiratória e o internamento levaram-no a repensar a sua vida. “O mais difícil é perceber que precisámos de ajuda. Quando finalmente tive noção da gravidade da situação, submeti novamente o processo para a cirurgia bariátrica”, explica.

Volvidos três anos, foi chamado para a primeira consulta de doença metabólica. Aí avaliaram as suas análises ao sangue e estudaram qual o método mais indicado. Optaram pelo sleeve gástrico — método endoscópio utilizado para reduzir o tamanho do estômago, que não altera o curso da passagem de comida e os efeitos são mais duradouros.

Antes de avançarem para a cirurgia, Tiago ainda teve consultas de psicologia, para perceberem as motivações que o levavam a algo tão drástico. “É um processo muito duro, por isso, esse acompanhamento foi fundamental. Se não o tivesse tido, acho que tinha desistido novamente”

Dia 5 de agosto de 2022 foi submetido ao procedimento cirúrgico e começou então a jornada da perda de peso, em que teve de (re) aprender tudo. “O primeiro mês foi muito complicado, porque só podia beber líquidos”, conta à NiT. Quando essa fase terminou, todos imaginavam que teria vontade de comer doces ou fast food, mas o seu desejo foi outro. “Fiquei mesmo feliz quando pude comer um puré de ervilhas”, lembra.

Quando concluiu os 30 dias em dieta líquida, Tiago começou a reintroduzir alguns alimentos e celebrou o feito com um “jantar de três peças de sushi”. Atualmente já faz uma alimentação equilibrada e completa, mas em quantidades muito reduzidas, porque o tamanho do seu estômago é muito menor.

O que mudou

Um ano depois, o profissional de saúde perdeu mais de 70 quilos. “A grande diferença não está só no peso. Atualmente não consigo nem comer as porcarias que comia, sou muito mais saudável e voltei a fazer exercício físico”. O jovem adora ir treinar e vê o momento como algo “prazeroso”. Mas atribuiu esta mudança de pensamento à personal trainer que o acompanha no estúdio VIP.

Depois da operação quase que não conseguia caminhar porque não tinha forças e ainda estava muito pesado. Por isso escolhi fazer hidroginástica. Mais tarde enchi-me de coragem e comecei a ir ao ginásio sozinho. Mas acabava sempre desmotivado e o risco de lesionar-me era grande”, diz.

Em março tomou então outra decisão: queria ser seguido por um profissional que o ajudasse a chegar aos objetivos. Por azar, ou sorte, o espaço onde treinava encerrou para obras e Tiago teve de procurar uma alternativa. “Queria um treinador com formação específica em casos como o meu, que me pudesse ajudar nas diferentes fases do processo. E os resultados agora, sim, estão à vista.”

O próximo passo será a cirurgia plástica para remover pele em excesso — um problema muito comum em quem emagrece muito. “Tenho consulta marcada no final de novembro para saber se sou candidato. Mas espero que sim”, revela.

As grandes diferenças estão em pequenos hábitos. “Há certas coisas que o meu corpo não tolera. Não digiro muito bem a alimentos com gordura, manga e carne vermelha.” Mas, por outro lado, passou a gostar de baunilha e caramelo, que antes não conseguia “nem cheirar”.

Tiago perdeu, até agora, 75 quilos. No entanto, assume que é “uma luta diária”, sobretudo para conseguir manter. “Todos os dias faço questão de me lembrar que tenho o poder para conseguir e tornar cada momento mais fácil.” O foco dos próximos meses é baixar da linha dos 100 e “tentar chegar aos 90 quilos”. Contudo, um dos maiores objetivos já foi alcançado: “Deixei o BiPap, o aparelho que me ajudava a respirar, e esse foi o melhor presente que me poderiam ter oferecido.”

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