Primeiro, começou por fazer viagens de bicicleta dentro de Portugal. No ano passado, em outubro, decidiu pedalar até Santiago de Compostela, em Espanha e agora prepara-se para uma aventura ainda maior. A 30 de abril, Paulo Silva vai fazer 1.400 quilómetros entre Lisboa e Marraquexe. O objetivo é angariar donativos para a Associação CEERIA, um centro de educação especial de Alcobaça.
O gestor de segurança patrimonial, de 55 anos, já conhece bem o país do norte de África, graças a viagens anteriores, e acredita que ainda persiste uma perceção sobre o destino distante da realidade. A escolha por Marrocos surgiu, então, da vontade de mostrar um lado menos conhecido do país. “A iniciativa vai envolver mistério, aventura e mostrar uma cultura que conhecemos pouco”, conta à NiT.
A viagem surge integrada no movimento Pedalamos Juntos, criado por Paulo Silva depois de perceber que as viagens que já fazia poderiam ter um impacto social mais estruturado. Embora pratique desporto desde jovem, o ciclismo surgiu apenas há cerca de dez anos, depois de uma vida marcada por viagens de jipe e mota por vários países.
Nessas deslocações, começou a reparar nos cicloturistas com que se cruzava pelo caminho e a imaginar-se a fazer o mesmo. “Via aquela malta a viajar de bicicleta e pensava que devia ser uma experiência única. Ficou-me na cabeça durante muito tempo”, recorda.
Os primeiros desafios foram modestos e consistiam em pequenas voltas associadas à recolha informal de donativos. Com o tempo, Paulo decidiu profissionalizar o processo, passando a contactar previamente as associações e envolvendo-as na divulgação das iniciativas.
O modelo revelou-se mais eficaz e permitiu aumentar o alcance das campanhas solidárias. Atualmente, conta já com o apoio institucional da Federação Portuguesa de Ciclismo e encontra-se a reforçar parcerias que ajudam a ampliar o impacto das ações. “Percebi que sozinho conseguia fazer alguma coisa, mas com parceiros conseguimos chegar muito mais longe”, explica.
A experiência que consolidou o projeto aconteceu em outubro de 2025, com o percurso entre Lisboa e Santiago de Compostela, realizada para apoiar a associação Crescer Ser, que acolhe jovens em várias casas espalhadas pelo País. Além do desafio físico, a produção de vídeos durante a viagem foi determinante para chamar a atenção de mais pessoas. “Enquanto estava a fazer os vlogs de Santiago pensei logo que o próximo tinha de ser maior e lembrei-me imediatamente de Marrocos”, explica.
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A aventura até Marraquexe tem que ser feita em 10 dias, período correspondente às ferias que conseguiu tirar. Paulo Silva vai partir sozinho, como sempre, e levará consigo uma tenda onde passará as noites. A ausência de um plano rígido faz parte da essência do cicloturismo, onde é o corpo que dita o roteiro diário. “Nunca sei exatamente onde vou dormir. Chega uma altura em que as pernas dizem que já chega e é aí que paro.”
O percurso de 1.400 quilómetros, feito numa bicicleta oferecida pela Strong Charon, começa em Lisboa e segue em direção ao Alentejo, com passagem por Moura antes da travessia da fronteira em Vila Verde de Ficalho. Já em Espanha, enfrentará a subida da serra de Aracena e passará por Sevilha, seguindo depois até ao estreito de Gibraltar.
A travessia marítima levará o ciclista até Tânger Med, marcando a entrada em território marroquino. A partir daí, o trajeto prossegue em direção a Fez e posteriormente a Ifrane — conhecida como a “Suíça marroquina”, devido às frequentes quedas de neve — antes da chegada final a Marraquexe. O regresso a Portugal vai ser feito de avião.
A preparação tem sido feita de forma consistente. O ciclista pedala diariamente, tanto na estrada como em casa, e complementa este treino com exercícios de reforço muscular, feitos com pesos. Normalmente faz mais de 70 quilómetros por sessão.
O objetivo central da viagem é apoiar a Associação CEERIA, fundada em 1976 e responsável atualmente por mais de mil pessoas. Paulo conheceu a instituição através de uma publicação do escritor Pedro Chagas Freitas nas redes sociais, onde era partilhada a história de um dos alunos do Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça. “Quando percebi o trabalho que fazem, achei que fazia todo o sentido associar esta viagem à causa deles”, explica.
Nos vídeos, o português vai destacar o trabalho da organização enquanto mostra os segredos e os lados menos conhecidos dos destinos por onde vai passar. Na conta de Instagram da Pedalamos Juntos também já encontra os dados para onde pode enviar os donativos, quer seja através do MBWay (965 525 158) ou IBAN (PT50 0018 0003 5117 5305 0201 2).
Embora esteja totalmente focado na partida a 30 de abril, o ciclista admite já ter novos planos em preparação. Existe uma próxima viagem definida, com parceiros e associação escolhidos, mas que permanece ainda em segredo. “Já está tudo identificado e posso dizer que vai ser épica, quer pela distância quer pelo local”, revela.
Carregue na galeria para ver algumas imagens de Paulo Silva.

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