Ginásios e outdoor

A pandemia acalmou, os ginásios reabriram — mas os treinos caseiros vieram para ficar

A revolução do fitness em casa trouxe uma mudança radical de hábitos., mas ainda é uma alternativa? Os personal trainers explicam.

Com o eclodir da pandemia no início de 2020, muita coisa mudou na nossa vida. Uma das primeiras vítimas foram os ginásios e, com o seu fecho, quem ficou a perder foi a nossa forma física. Como em muitas outras áreas, esta radical mudança de hábitos trouxe inúmeros prejuízos e outras tantas oportunidades.

Mesmo com a reabertura dos ginásios e um abrandamento da pandemia, quase dois anos depois, será que a maioria quer um regresso à normalidade do pré-pandemia? Será que ansiamos por voltar aos ginásios ou, pelo contrário, abraçámos o hábito de treinar sem ter que sair de casa e perder tempo pelo caminho?

O personal trainer Paulo Teixeira acredita que “os treinos em casa e online vão continuar a ser uma tendência”. Já Francisco Rebola, treinador na cadeia Holmes Place e coach no estúdio Amplify Lisbon, defende que “a componente social inerente à prática num clube de fitness, o contacto direto com profissionais e outras pessoas que procuram os mesmos objetivos serão sempre um fator muito significativo na retenção dos sócios para a prática presencial em ginásio.”

O primeiro confinamento ditou uma mudança na vida profissional de Paulo Teixeira. O personal trainer transformou um momento mau numa oportunidade de inovar. Durante os meses fechados em casa, o instrutor de fitness aproveitou para partilhar treinos em direto no Instagram com milhares de pessoas do outro lado. O sucesso foi tanto que o PT acabou por criar uma plataforma de treinos em casa, a PT Fit.

Na plataforma, Paulo partilha treinos em direto, nos quais basta imitar o que o PT está a fazer, mas também em diretos interativos com conversas com outros especialistas, nos quais é possível esclarecer dúvidas para que consiga obter os melhores resultados. Além disso, a PT Fit garante dicas exclusivas de treino, alimentação e suplementação, assim como acompanhamento online totalmente personalizado aos diferentes objetivos e ajustado às limitações de cada participante.

À medida que as restrições iam diminuindo, seria de esperar que as audiências no Instagram fossem diminuindo. Não foi o caso. O personal trainer garante que não manteve os alunos que o acompanhavam, como “os números continuam a aumentar”.

“A falta de tempo, os horários das aulas no ginásio que não são compatíveis com os nossos horários, o trânsito, são algumas das inúmeras vantagens de praticar exercício físico em casa”, admite. Os treinos online são, por isso, uma solução muito prática “porque permitem que se conectem com o profissional sem a necessidade de presença física”.

Por outro lado, Francisco Rebola repara que nos últimos dois meses tem havido um retorno à normalidade. “As pessoas estão mais recetivas à partilha dos espaços fechados, sentem-se mais seguras, e por isso nota-se um aumento na afluência às salas de exercício”, explica o coach.

Admite, porém, que “a pandemia criou uma oportunidade para o exercício ao ar livre”.”Hoje em dia é cada vez mais comum ver praticantes acompanhados por um PT ou até mesmo sozinhos.” Isto acontece, segundo o próprio, pelo facto de se “tornar uma atividade mais em conta quer seja acompanhado ou não por um profissional e ainda pelo fator segurança/confiança que algumas pessoas ainda demonstram sentirem-se menos à vontade em espaços fechados.”

Uma tendência em crescimento

O confinamento provou que, ao contrário do que se pensava, é possível treinar e obter resultados sem sair de casa. Não é preciso ter uma sala gigante recheada de máquinas para se manter em boa forma. E mesmo agora, com o regresso à normalidade, são muitos os atletas que continuam a procurar os treinos online.

De acordo com últimos inquéritos a nível mundial, estima-se que a taxa de crescimento anual composta seja de 7,8 por cento entre 2021 e 2027. As estatísticas falam por si. As pessoas estão a gostar de ficar em forma a partir de casa. E a grande probabilidade é que a tendência continue a crescer nos próximos anos.

Se olharmos para lá do fitness em casa, para o fitness digital, o caminho é ainda mais interessante e a indústria não se limitará ao exercício físico, mas a todos os componentes do bem-estar e da saúde. Os serviços que abordem estas componentes vão florescer independentemente do tipo de treino que o atleta prefira.

Neste sentido, Paulo Teixeira pensa em também evoluir e trazer uma nova e melhor plataforma, que permita potenciar ainda mais esta nova faceta do treino: quer criar uma plataforma para todos, versátil e com uma oferta diversificada, explica, sem revelar mais detalhes. Garante apenas que “está para breve”.

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