São centros de emagrecimento intensivo e já existem há mais de uma década na China. No entanto, foi no final de 2025 que as chamadas “prisões para gordos” começaram a tornar-se virais nas redes sociais, após vários relatos de pessoas que por lá passaram.
A designação não corresponde a estabelecimentos do sistema judicial, nem implica qualquer condenação criminal. Trata-se, sim, de um espaço com programas privados, que adotam regras extremamente rígidas, rotinas fechadas e um ambiente de disciplina quase militar para ajudar quem quer perder peso.
O aparecimento destas instalações surgiu devido ao aumento significativo das taxas de excesso de peso e obesidade nas últimas décadas na China. O fenómeno é associado a uma rotina acelerada, com menos tempo para as pessoas cuidarem de si, regimes alimentares menos equilibrados e estilos de vida mais sedentários.
Paralelamente aos apelos públicos do governo a incentivar o exercício físico, multiplicaram-se os centros privados que prometem resultados rápidos através de programas fechados, intensivos e estruturados. A expansão destas “prisões” foi mais visível após a pandemia da Covid-19, período em que aumentaram os relatos de aumento de peso. Segundo o governo, atualmente mais de metade dos adultos chineses sofrem de obesidade.
O funcionamento destas instalações é relativamente simples. Os participantes inscrevem-se voluntariamente e pagam uma mensalidade que pode custar entre 800€ e 1.000€, dependendo da duração e serviços incluídos. À chegada, são sujeitos a uma avaliação física e pesagem inicial, sendo-lhes retirados alimentos considerados incompatíveis com o plano alimentar.
Os programas típicos duram entre duas semanas e 28 dias, embora existam estadias mais prolongadas. Durante esse período, os participantes permanecem nas instalações, que costumam ter portões fechados e controlo de entradas e saídas — daí ganharem o nome de “prisões”. Embora não estejam legalmente detidos, a saída antecipada é desencorajada e, em alguns centros, logisticamente difícil.
O quotidiano é marcado pelos horários rígidos. O dia começa cedo, normalmente antes das 8 horas, com pesagem (que se repete às 19h30) e sessões de exercício cardiovascular intensivo. Seguem-se várias horas distribuídas por aulas de aeróbica, corrida, treino funcional, musculação e, em alguns casos, atividades em grupo inspiradas nos treinos militares.
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As refeições (o almoço é às 11h15 e o jantar pelas 16h30) são igualmente controladas em termos calóricos e contam sempre com vegetais, proteínas magras (como peito de frango, claras de ovo, peixes brancos, entre outros) e porções reduzidas de hidratos de carbono.
Naturalmente, os snacks são proibidos (todos os clientes são revistados antes de entrarem) e o consumo de açúcar é eliminado. Geralmente, as noites são passadas em quartos partilhados e a vigilância é constante, para haver garantias de que não há consumo de alimentos fora das horas estipuladas.
Os resultados variam, mas os números são sempre impressionantes. Uma influencer, conhecida apenas como Egg Eats, documentou a sua estadia no Instagram, onde conta com mais de 72 mil seguidores. “Os dias eram fisicamente exaustivos e, às vezes, traumatizantes”, disse a australiana, de 28 anos, num vídeo.
Após um mês, tinha perdido mais de dez quilos. No entanto, especialistas alertam que reduções tão drásticas de peso podem envolver sobretudo perda de água e massa muscular, e não apenas gordura corporal. Mesmo assim, alguns treinadores defenderam, em conversa com o “South China Morning Post”, que a disciplina coletiva ajuda a manter a motivação e a quebrar hábitos alimentares prejudiciais.
Com a popularização dos vídeos nas redes sociais, muitos destes campos recebem agora clientes estrangeiros, que viajam para as grandes cidades ou pequenas províncias com um único objetivo: emagrecer.
Como seria de se esperar, estas “prisões” não estão isentas de controvérsias. Médicos e especialistas em nutrição têm avisado que perdas de peso muito rápidas podem representar riscos, incluindo desidratação, desequilíbrios eletrolíticos, lesões musculares e dificuldades de manutenção do peso a longo prazo. Também foram levantadas questões éticas sobre o ambiente fechado e a pressão psicológica exercida por rotinas extremamente exigentes.
E embora sejam extremamente raras, já houve algumas mortes. O caso mais comentado internacionalmente decorreu em 2023 e envolve Cuihua, uma influencer chinesa de 21 anos (e 156 quilos) que se inscreveu num estabelecimento deste género no norte do país com o intuito de perder metade do peso.
O percurso foi documentado no Douyin, a alternativa chinesa ao TikTok, e, nos vídeos, incentivava os seguidores a fazerem o mesmo. Em dois meses perdeu 27 quilos, mas acabou por morrer subitamente, sem causa revelada.
Se quer perder peso sem ter de gastar centenas de euros e ir para “prisões de gordos”, carregue na galeria para conhecer 15 alimentos que ajudam a emagrecer.

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