Ginásios e outdoor

“Atitude irresponsável”, diz instrutor de parkour sobre a escalada dos jovens na Ponte

Cinco ingleses subiram a um dos pilares da Ponte 25 de Abril para tirarem fotografias e partilharem o feito nas redes sociais.
Jovens escalaram Ponte 25 de Abril.

Na passada segunda-feira, 25 de abril, cinco jovens ingleses foram vistos a escalar até ao topo da torre do pilar 3 da Ponte 25 de Abril, que liga Lisboa a Almada. Subiram a uma altura superior a 190 metros, sem qualquer tipo de proteção. 

Acredita-se que os britânicos estariam a praticar parkour. A modalidade nasceu em França na década de 1980 e foi desenvolvida como um treino militar para ultrapassar de forma rápida qualquer obstáculo. Este desporto utiliza apenas as habilidades e capacidades do corpo humano e é comum os praticantes saltarem de prédios e outras estruturas urbanas, normalmente elevadas.

Esta prática tem conquistado muitos admiradores, de várias idades, um pouco por todo o mundo. Na sua essência, estão os princípios da resistência e utilidade, resumidos no lema da modalidade “être et durer”, ou seja, “ser e durar”. Implica muito treino físico e mental para que os indivíduos possam realizar qualquer salto ou movimento (alguns bastante perigosos) sem receio.

No entanto, o instrutor Hilário Freire, de 38 anos, que pratica a modalidade desde 2004 explica à NiT, que o que os jovens estariam a fazer é uma variante mais extrema do parkour, chamada Urbex. 

A ambição de tirar fotografias em locais icónicos

O nome deriva da abreviação da expressão em inglês urban exploration. Em português é traduzida para exploração urbana, e quase sem darmos por isso, está a tornar-se uma subcultura com cada vez mais seguidores, especialmente nas redes sociais. Estes exploradores urbanos focam-se em locais históricos, monumentais ou abandonados que passam despercebidos no nosso dia a dia. E qualquer um, de qualquer idade, o pode fazer.

Enquanto no parkour o grande objetivo é “treinar no sentido de se tornar mais forte para ser útil aos outros e para a sociedade e conquistar os próprios medos e limitações até as reduzir ao máximo”, no Urbex a ambição é tirar fotografias de locais icónicos para partilhar nas redes sociais. Porém, “as duas práticas podem estar ligadas, como parece ser o caso”, sublinha o instrutor. 

Hilário Freire é instrutor de parkour desde 2008 e considera que “a atitude dos jovens foi irresponsável”. Não tanto pela segurança dos próprios, “porque certamente estariam a par dos riscos, mas sim por colocarem em causa a segurança de outros. Os condutores dos carros que estavam a atravessar a ponte naquele momento, podiam ter sido distraídos com o que estava a acontecer no terceiro pilar. Isto podia ter gerado alguns acidentes”. O instrutor destaca ainda que o trânsito esteve cortado aos transportes públicos, o que causou transtorno para a sociedade. Para os traceurs  — designação dos atletas da modalidade — isto distancia-se muito da essência da prática e daquilo que ensina aos seus alunos. 

“O parkour tem uma grande componente física, mental, social e filosófica. Treinamos a força, a flexibilidade e a mobilidade, mas também aprendemos a conhecer e ultrapassar os nossos limites, podendo retirar muitos ensinamentos que se aplicam à vida, tais como a disciplina, o respeito, a entreajuda e a criatividade”, descreve Hilário Freire à NiT.

Nas aulas que dá no ginásio Ninja Factory, em Alfragide, o instrutor partilha os verdadeiros valores da modalidade: a importância de ser útil aos outros e à sociedade. Outros dos pilares da prática é a segurança: “treinar de forma segura é fundamental”, diz. Para isso, os atletas repetem as técnicas de forma exaustiva, ao ponto de se tornarem naturais. Além disso, o espaço onde se realizam os treinos está todo protegido com colchões e esponjas.

No Ninja Factory aceitam inscrições de novos praticantes de parkour a partir dos sete anos. A primeira aula no ginásio é grátis e apenas carece de marcação. Praticar esta modalidade neste espaço, duas vezes por semana custa, no mínimo, 45€ por mês. 

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